ICFEr refratária a terapia medicamentosa otimizada com BRE e QRS >150ms — indicação classe I de TRC-D (ressincronização cardíaca com desfibrilador) — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 48 anos, IAM anterior extenso há 2 anos, FEVE 20%, BRE com QRS 155ms, NYHA III apesar de terapia medicamentosa otimizada (sacubitril/valsartana dose máxima, carvedilol 25mg 2x/d, espironolactona 50mg, empagliflozina 10mg). Internações recorrentes por descompensação. PA 95x60, FC 72, FR 20, SpO2 94%, T 36.5°C, Glasgow 15. ECG: ritmo sinusal, FC 72, BRE completo com QRS 158ms, eixo -30°, PR 180ms. ECO: FEVE 20%, acinesia de septo e parede anterior, dissincronia intraventricular (atraso ativação de parede lateral >80ms ao tissue Doppler). Sem isquemia residual significativa (cintilografia viável).
Síntese do Caso
Paciente masculino, 48 anos, com Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr) de etiologia isquêmica (FEVE 20%), em estágio avançado (NYHA III e internações recorrentes) a despeito de Terapia Médica Otimizada (TMO) quádrupla em doses máximas toleradas. Apresenta ritmo sinusal com BRE completo (QRS 158ms) e dissincronia mecânica documentada, sem isquemia residual. Hemodinâmica limítrofe, porém clinicamente estável no momento.
Hipótese Diagnóstica Principal
Insuficiência Cardíaca Avançada com Dissincronia Eletromecânica — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais (Gatilhos de Descompensação)
Apesar do diagnóstico de base claro, as internações recorrentes exigem a exclusão de fatores agravantes (método *Rule Out*):
| # | Diagnóstico / Gatilho | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Arritmias Ventriculares (TVNS) | 60% | FEVE 20%, cicatriz isquêmica anterior extensa. | ECG atual em ritmo sinusal. |
| 2 | Síndrome Cardiorrenal | 50% | Hipotensão limítrofe (PA 95x60), uso de diuréticos/iSGLT2/ARNI. | Ausência de dados laboratoriais atuais. |
| 3 | Deficiência de Ferro | 40% | Prevalência >50% em ICFEr avançada; causa fadiga e NYHA III. | Requer perfil de ferro para confirmação. |
| 4 | Isquemia Ativa | 5% | Histórico de IAM anterior extenso. | Cintilografia recente demonstrando apenas viabilidade, sem isquemia. |
Não Esqueça: Em pacientes jovens (48 anos) com IC avançada, a progressão natural da doença para choque cardiogênico insidioso (perfil INTERMACS) deve ser monitorada de perto.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos e Eletrocardiográficos (Indicação de TRC-D)
O paciente preenche a tríade clássica para resposta super-respondedora à TRC:
1. Ritmo Sinusal.
2. Morfologia de BRE verdadeiro.
3. Duração do QRS $\ge$ 150 ms (158 ms no caso).
Exames Complementares (Pedido Gerado via Sistema)
Laboratoriais (Avaliação Pré-Procedimento e Prognóstica):
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Manutenção da TMO Quádrupla)
O paciente já se encontra na terapia alvo. A conduta farmacológica é de manutenção rigorosa:
| Medicação | Dose Atual | Via | Observação |
|---|---|---|---|
| Sacubitril/Valsartana (Entresto®) | 97/103mg 12/12h | VO | Dose máxima atingida. Monitorar K+ e Cr. |
| Carvedilol (Coreg®) | 25mg 12/12h | VO | Dose alvo atingida. FC atual excelente (72 bpm). |
| Espironolactona (Aldactone®) | 50mg 1x/dia | VO | Dose máxima. Risco de hipercalemia associado ao ARNI. |
| Empagliflozina (Jardiance®) | 10mg 1x/dia | VO | Benefício em mortalidade e redução de internações. |
*Nota: Se houver sinais de congestão clínica (crepitações, turgência jugular, edema), associar Furosemida 20-40mg VO/IV conforme necessidade.*
Estratégia Definitiva
1ª Linha: Implante de TRC-D (Ressincronizador com Desfibrilador)
2ª Linha (Escalonamento): Avaliação para Transplante Cardíaco / Assistência Circulatória Mecânica (DVE/LVAD)
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
ICFEr refratária a terapia medicamentosa otimizada com BRE e QRS >150ms — indicação classe I de TRC-D (ressincronização cardíaca com desfibrilador)
- Considerar transplante cardíaco se não respondedor à TRC
- Assistência ventricular (LVAD) como ponte
- Revascularização se isquemia residual