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Infecção do trato urinário febril de repetição (pielonefrite) — provável refluxo vesicoureteral — Caso Estudante

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Apresentação Clínica

Menina de 3 anos, febre de 39°C há 2 dias sem foco aparente, irritabilidade e recusa alimentar. Segundo episódio de ITU febril em 6 meses. EAS: leucocitúria (>100/campo), nitrito positivo, bacteriúria. Urocultura: E. coli >100.000 UFC/mL. USG renal: dilatação pielocalicial bilateral leve. DMSA prévio: cicatriz renal em polo superior do rim esquerdo. Cr 0.4 (normal para idade). FR 28, FC 135, T 39°C.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Menina de 3 anos com quadro de febre alta (39°C), irritabilidade e recusa alimentar, configurando o 2º episódio de ITU febril em 6 meses. Apresenta urocultura positiva para *E. coli* (>100.000 UFC/mL) e exames de imagem prévios evidenciando dilatação pielocalicial bilateral leve e cicatriz em polo superior de rim esquerdo (DMSA). Sinais vitais compatíveis com a resposta térmica, sem instabilidade hemodinâmica aparente, com função renal preservada (Cr 0.4).

Hipótese Diagnóstica Principal

Pielonefrite Aguda (ITU Febril de Repetição) associada a provável Refluxo Vesicoureteral (RVU) — Confiança: 95%

  • Justificativa: A presença de febre alta, irritabilidade, EAS sugestivo e urocultura confirmada por *E. coli* fecham o diagnóstico de ITU. O histórico de ITU de repetição, associado à dilatação pielocalicial e, criticamente, à presença de cicatriz renal no DMSA, sugere fortemente a presença de Refluxo Vesicoureteral (RVU) ou outra anomalia congênita do trato urinário (CAKUT).
  • Diagnósticos Diferenciais

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Sepse de Foco Urinário15%Febre alta, taquicardia (FC 135), irritabilidade, recusa alimentar.Ausência de hipotensão, má perfusão ou rebaixamento do nível de consciência (taquicardia é esperada para T 39°C).
    2Uropatia Obstrutiva (JUP/JUV)10%Dilatação pielocalicial bilateral no USG.A cicatriz polar no DMSA é o achado clássico do RVU (nefropatia de refluxo), menos comum em obstruções puras.
    3Bacteriúria Assintomática + Virose1%*E. coli* na urina, febre.Leucocitúria maciça, nitrito positivo, cicatriz prévia e febre alta apontam para infecção urinária verdadeira.
    Não Esqueça: A presença de nova infecção febril em um rim já com cicatriz (nefropatia de refluxo) carrega alto risco de perda progressiva de parênquima renal, hipertensão arterial sistêmica precoce e Doença Renal Crônica (DRC) no futuro.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Diagnóstico já confirmado: EAS com leucocitúria/nitrito + Urocultura com >50.000 UFC/mL (cateterismo) ou >100.000 UFC/mL (jato médio) de patógeno único (*E. coli*).
  • Exames Complementares

    Imediatos (beira-leito):

  • Glicemia capilar: Mandatória devido à recusa alimentar e irritabilidade (descartar hipoglicemia).
  • Laboratoriais (Pedido TUSS gerado no sistema):

  • Hemograma Completo e PCR: Avaliação da magnitude da resposta sistêmica.
  • Ureia, Sódio e Potássio: Avaliação do status de hidratação e função renal aguda (Cr já coletada).
  • Imagem:

  • Uretrocistografia Miccional (UCM): *Padrão-ouro.* Indicação absoluta neste caso (2ª ITU febril + alteração no USG/DMSA). *Atenção:* Deve ser solicitada para realização ambulatorial, após a esterilização da urina (término do tratamento da fase aguda), para evitar disseminação bacteriana e falso-positivos por edema urotelial.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Monitorização: Sinais vitais (FC, FR, T, SpO2).
  • Acesso Venoso: Obter acesso venoso periférico devido à recusa alimentar e necessidade de medicação parenteral inicial.
  • Hidratação: Se não tolerar via oral após antitérmico, iniciar SF 0,9% ou Ringer Lactato (fase de manutenção + déficit, evitar hiper-hidratação se não houver choque).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    Devido à irritabilidade, recusa alimentar e risco de nova cicatriz renal, a via parenteral (IV ou IM) é a 1ª linha até melhora clínica e aceitação oral (Diretrizes SBP/AAP).

    MedicaçãoDose (Pediátrica)ViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Dipirona (Novalgina®)15 a 25 mg/kg/dose (Máx 1g/dose)IV ou VOSe IV: Diluir em 10mL de AD ou SF 0,9%Infundir em 3-5 minFazer se T > 37,8°C. Pode repetir 6/6h.
    Ceftriaxona (Rocefin®)50 a 75 mg/kg/dia (Máx 2g/dia)IV ou IMDiluir em 50mL de SF 0,9%Infundir em 30 min1ª linha empírica para Pielonefrite não complicada em pediatria. Dose única diária.

    *Nota: Para uma criança de 3 anos (peso médio estimado de 14-15 kg), a dose de Ceftriaxona seria em torno de 750mg a 1g IV 1x/dia. Calcule a dose exata com base no peso real da paciente.*

    Estratégia Definitiva

  • Antibioticoterapia de Manutenção (7 a 14 dias no total):
  • Manter Ceftriaxona IV até o paciente estar afebril por 24-48 horas e aceitando bem a via oral.
  • Descalonamento (Step-down therapy): Transição para via oral guiada pelo Antibiograma da urocultura já coletada.
  • *Opções VO comuns (se sensível):* Cefuroxima (Zinnat®) 20-30 mg/kg/dia divididos de 12/12h OU Amoxicilina+Clavulanato (Clavulin®) 40-50 mg/kg/dia divididos de 8/8h.
  • Profilaxia Antibiótica Secundária:
  • Indicação: Mandatória após o término do tratamento agudo, devido ao histórico de ITU de repetição + cicatriz no DMSA, até a realização da UCM.
  • Dose: 1/4 a 1/3 da dose terapêutica, em dose única noturna.
  • *Opções:* Nitrofurantoína (Macrodantina®) 1-2 mg/kg/dia VO à noite OU Cefalexina (Keflex®) 10-15 mg/kg/dia VO à noite.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Queda da febre em 48-72h, melhora do estado geral e retorno do apetite.
  • Sinais de falha/piora: Persistência da febre > 72h após início do ATB adequado.
  • Escalonamento: Se falha terapêutica, repetir USG de vias urinárias com urgência para descartar abscesso renal ou pionefrrose.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE PRESERVAÇÃO RENAL: Cada novo episódio de pielonefrite em um rim com refluxo aumenta exponencialmente o risco de cicatrizes adicionais. O tratamento antibiótico deve ser agressivo e precoce.
  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO: Evitar o uso de Aminoglicosídeos (ex: Amicacina, Gentamicina) como primeira linha isolada se houver suspeita de lesão renal aguda, embora a creatinina atual esteja normal. A Ceftriaxona é mais segura neste contexto.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Enfermaria Pediátrica (ou observação prolongada no PS). A alta hospitalar imediata não é recomendada devido à recusa alimentar e necessidade de garantia de absorção do antibiótico (via IV inicial).
  • Critérios de Alta: Afebril há 24h, aceitando medicação e hidratação via oral, com PCR em queda.
  • Especialista: Encaminhamento obrigatório para Nefrologia Pediátrica ou Urologia Pediátrica para seguimento ambulatorial, investigação do RVU (UCM) e possível indicação cirúrgica (reimplante ureteral ou injeção endoscópica) caso o RVU seja de alto grau.
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - SBP/AAP) e não substitui o julgamento clínico presencial. As doses devem ser rigorosamente calculadas com base no peso aferido da criança.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Infecção do trato urinário febril de repetição (pielonefrite) — provável refluxo vesicoureteral

    Diferenciais esperados:
    • Válvula de uretra posterior (menos provável em menina)
    • Ureterocele obstrutiva
    • Bexiga neurogênica

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: