Infecção do trato urinário febril de repetição (pielonefrite) — provável refluxo vesicoureteral — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Menina de 3 anos, febre de 39°C há 2 dias sem foco aparente, irritabilidade e recusa alimentar. Segundo episódio de ITU febril em 6 meses. EAS: leucocitúria (>100/campo), nitrito positivo, bacteriúria. Urocultura: E. coli >100.000 UFC/mL. USG renal: dilatação pielocalicial bilateral leve. DMSA prévio: cicatriz renal em polo superior do rim esquerdo. Cr 0.4 (normal para idade). FR 28, FC 135, T 39°C.
Síntese do Caso
Menina de 3 anos com quadro de febre alta (39°C), irritabilidade e recusa alimentar, configurando o 2º episódio de ITU febril em 6 meses. Apresenta urocultura positiva para *E. coli* (>100.000 UFC/mL) e exames de imagem prévios evidenciando dilatação pielocalicial bilateral leve e cicatriz em polo superior de rim esquerdo (DMSA). Sinais vitais compatíveis com a resposta térmica, sem instabilidade hemodinâmica aparente, com função renal preservada (Cr 0.4).
Hipótese Diagnóstica Principal
Pielonefrite Aguda (ITU Febril de Repetição) associada a provável Refluxo Vesicoureteral (RVU) — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Sepse de Foco Urinário | 15% | Febre alta, taquicardia (FC 135), irritabilidade, recusa alimentar. | Ausência de hipotensão, má perfusão ou rebaixamento do nível de consciência (taquicardia é esperada para T 39°C). |
| 2 | Uropatia Obstrutiva (JUP/JUV) | 10% | Dilatação pielocalicial bilateral no USG. | A cicatriz polar no DMSA é o achado clássico do RVU (nefropatia de refluxo), menos comum em obstruções puras. |
| 3 | Bacteriúria Assintomática + Virose | 1% | *E. coli* na urina, febre. | Leucocitúria maciça, nitrito positivo, cicatriz prévia e febre alta apontam para infecção urinária verdadeira. |
Não Esqueça: A presença de nova infecção febril em um rim já com cicatriz (nefropatia de refluxo) carrega alto risco de perda progressiva de parênquima renal, hipertensão arterial sistêmica precoce e Doença Renal Crônica (DRC) no futuro.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais (Pedido TUSS gerado no sistema):
Imagem:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
Devido à irritabilidade, recusa alimentar e risco de nova cicatriz renal, a via parenteral (IV ou IM) é a 1ª linha até melhora clínica e aceitação oral (Diretrizes SBP/AAP).
| Medicação | Dose (Pediátrica) | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Dipirona (Novalgina®) | 15 a 25 mg/kg/dose (Máx 1g/dose) | IV ou VO | Se IV: Diluir em 10mL de AD ou SF 0,9% | Infundir em 3-5 min | Fazer se T > 37,8°C. Pode repetir 6/6h. |
| Ceftriaxona (Rocefin®) | 50 a 75 mg/kg/dia (Máx 2g/dia) | IV ou IM | Diluir em 50mL de SF 0,9% | Infundir em 30 min | 1ª linha empírica para Pielonefrite não complicada em pediatria. Dose única diária. |
*Nota: Para uma criança de 3 anos (peso médio estimado de 14-15 kg), a dose de Ceftriaxona seria em torno de 750mg a 1g IV 1x/dia. Calcule a dose exata com base no peso real da paciente.*
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - SBP/AAP) e não substitui o julgamento clínico presencial. As doses devem ser rigorosamente calculadas com base no peso aferido da criança.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Infecção do trato urinário febril de repetição (pielonefrite) — provável refluxo vesicoureteral
- Válvula de uretra posterior (menos provável em menina)
- Ureterocele obstrutiva
- Bexiga neurogênica