Insuficiência mitral orgânica grave sintomática com dilatação de câmaras e FEVE borderline — indicação de cirurgia de reparo mitral (classe I para IM grave sintomática) — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 65 anos, insuficiência mitral crônica por degeneração mixomatosa (prolapso do folheto posterior P2) diagnosticada há 8 anos. Assintomático até 6 meses atrás, agora com dispneia CF II-III, palpitações (FA paroxística). PA 130x70, FC 85, FR 18, SpO2 96%, T 36.5°C, Glasgow 15. Sopro holossistólico 4+/6 em FM irradiando para axila, B3 presente. ECG: ritmo sinusal (entre crises de FA), sobrecarga de AE e VE. ECO: insuficiência mitral grave (EROA 0.45cm², volume regurgitante 65mL), prolapso de P2 com flail leaflet, FEVE 58% (no limite — provável mascarado pela regurgitação), VE dilatado (DDVE 62mm, DSVE 42mm), AE dilatado (55mm), PSAP 50mmHg.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 65 anos, com insuficiência mitral (IM) primária grave por degeneração mixomatosa (prolapso/flail de P2), apresentando descompensação clínica recente caracterizada por dispneia (CF II-III) e Fibrilação Atrial (FA) paroxística. Hemodinamicamente estável, mas com critérios ecocardiográficos de gravidade e disfunção ventricular incipiente (FEVE < 60%, DSVE > 40mm, PSAP ≥ 50mmHg).
Hipótese Diagnóstica Principal
Insuficiência Mitral Primária Grave Sintomática (Estágio D da AHA/ACC) — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
A patologia valvar está definida, portanto os diferenciais focam nos gatilhos de descompensação aguda:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Doença Arterial Coronariana (DAC) | 40% | Idade (65 anos), piora recente da dispneia, disfunção de VE. | Ausência de dor torácica típica relatada. |
| 2 | Endocardite Infecciosa | 15% | Piora hemodinâmica em paciente com valvulopatia prévia. | Ausência de febre, calafrios ou vegetações descritas no ECO transtorácico. |
| 3 | Tireotoxicose | 10% | FA paroxística de início recente, palpitações. | Ausência de perda de peso, tremores ou sudorese descritos. |
Não Esqueça: A Fibrilação Atrial por si só causa perda da contração atrial (perda de 20-30% do débito cardíaco) e taquicardia, o que reduz o tempo de enchimento diastólico e aumenta a pressão no átrio esquerdo, sendo o principal gatilho para a dispneia aguda neste paciente.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem e Invasivos:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Manejo Clínico Ponte para Cirurgia)
O tratamento clínico na IM primária grave não altera a história natural da doença, servindo apenas para alívio sintomático (congestão) e controle da FA até a cirurgia.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Furosemida (Lasix®) | 20-40mg 1 a 2x/dia | VO ou IV | Ampola 20mg/2mL (IV direto) ou Comp 40mg | Imediato | 1ª linha para congestão (CF II-III). Titular para euvolemia. |
| Bisoprolol (Concor®) | 2,5-5mg 1x/dia | VO | Comprimidos 2,5mg, 5mg, 10mg | Imediato | 1ª linha para controle de FC na FA e cardioproteção. Alvo FC < 110 bpm (ou < 80 se sintomas). |
| Apixabana (Eliquis®) | 5mg 2x/dia | VO | Comprimidos 2,5mg e 5mg | Imediato | Anticoagulação plena (CHA2DS2-VASc = 2). *DOACs são permitidos em IM nativa.* |
*Hierarquia Terapêutica e Alertas:*
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), especificamente os guidelines da AHA/ACC 2020 e ESC 2021 para Valvulopatias, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Insuficiência mitral orgânica grave sintomática com dilatação de câmaras e FEVE borderline — indicação de cirurgia de reparo mitral (classe I para IM grave sintomática)
- IM funcional por miocardiopatia dilatada
- Endocardite com destruição valvar
- IM isquêmica por disfunção de músculo papilar