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Insulinoma pancreático (tumor neuroendócrino funcionante) — indicação de enucleação ou pancreatectomia distal — Caso Especialista

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Apresentação Clínica

Mulher de 38 anos, episódios recorrentes de hipoglicemia severa (glicemias 30-40 mg/dL) com neuroglicopenia (confusão, convulsão) nos últimos 6 meses, alívio com ingestão de glicose (tríade de Whipple). Jejum supervisionado 72h: glicemia 35, insulina 25 mcUI/mL (inapropriadamente alta), peptídeo C 4.5 ng/mL (elevado), pró-insulina 45 pmol/L (elevada). Sulfonilureia e anticorpos anti-insulina negativos. TC com protocolo pancreático: nódulo hipervascular de 1.5cm na cauda do pâncreas. Ecoendoscopia confirma lesão sólida hipervascular. PA 110/65, FC 68.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Mulher de 38 anos apresentando tríade de Whipple clássica e neuroglicopenia grave. A investigação laboratorial em jejum de 72h confirmou hiperinsulinismo endógeno (glicemia < 55 mg/dL com insulina, peptídeo C e pró-insulina inapropriadamente elevados, com *screening* negativo para sulfonilureias). Exames de imagem (TC e Ecoendoscopia) localizaram lesão sólida e hipervascular de 1,5 cm na cauda do pâncreas. Paciente hemodinamicamente estável.

Hipótese Diagnóstica Principal

Insulinoma (Tumor Neuroendócrino Pancreático Funcionante) — Confiança: 99%

  • Justificativa: O caso preenche todos os critérios bioquímicos da *Endocrine Society* para hiperinsulinismo endógeno (Glicemia < 55 mg/dL + Insulina ≥ 3 mcUI/mL + Peptídeo C ≥ 0,6 ng/mL + Pró-insulina ≥ 5 pmol/L + ausência de hipoglicemiantes). A localização de uma lesão hipervascular única de 1,5 cm na cauda do pâncreas sela o diagnóstico topográfico de um provável insulinoma esporádico.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método *Rule Out*):

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Uso sub-reptício de Sulfonilureias< 1%Hiperinsulinismo com Peptídeo C alto.*Screening* toxicológico negativo; lesão focal na TC.
    2Nesidioblastose (NIPHS)< 1%Hiperinsulinismo endógeno.Lesão focal na TC/Ecoendoscopia (nesidioblastose é difusa); comum pós-bariátrica.
    3Hipoglicemia Autoimune (D. de Hirata)< 1%Hipoglicemia severa.Anticorpos anti-insulina negativos; lesão focal presente.
    4Tumor Não-Ilhotas (S. Doege-Potter)< 1%Hipoglicemia de jejum.Insulina e Peptídeo C estariam suprimidos (ação via IGF-2); lesão pancreática pequena (geralmente são grandes massas fibrosas).
    Não Esqueça: Cerca de 5 a 10% dos insulinomas estão associados à Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 1 (NEM-1). É mandatório investigar hiperparatireoidismo primário e tumores hipofisários antes da cirurgia.

    Confirmação Diagnóstica

    O diagnóstico do insulinoma já está estabelecido clínica, bioquímica e topograficamente. O foco agora é o estadiamento e rastreio de síndromes genéticas.

    Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Laboratoriais (Rastreio NEM-1):

  • Cálcio iônico, PTH intacto, Fósforo: Rastreio de hiperparatireoidismo primário (manifestação mais comum da NEM-1).
  • Prolactina, IGF-1: Rastreio de adenomas hipofisários.
  • Imagem (Estadiamento/Planejamento):

  • PET/CT com Gálio-68 DOTATATE: Útil para avaliar a expressão de receptores de somatostatina (SSTR2), prever a resposta à Octreotida e descartar doença metastática (embora < 10% dos insulinomas sejam malignos).
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Prevenção de Crise: Dieta fracionada com carboidratos complexos a cada 3-4 horas, incluindo alimentação noturna.
  • Monitorização: Glicemia capilar a cada 4 horas e em caso de sintomas.
  • Resgate de Crise (se Glicemia < 50 mg/dL ou rebaixamento): Acesso venoso periférico → Glicose 50% (Ampola 10mL = 5g): Administrar 4 a 5 ampolas (20-25g) IV em *bolus*, seguido de infusão contínua de Soro Glicosado 10% para manter glicemia > 70 mg/dL.
  • Medicações Iniciais (Ponte para Cirurgia)

    O tratamento clínico é indicado para prevenir hipoglicemias enquanto se aguarda a ressecção cirúrgica.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/ApresentaçãoTempoObservação
    1ª Linha: Diazóxido (Proglycem®)3 a 8 mg/kg/dia divididos a cada 8h ou 12h.VOCápsulas 50mg ou Suspensão 50mg/mL.Início imediatoInibe a secreção de insulina abrindo canais de K-ATP. *Nota: Difícil acesso no Brasil (importação).*
    Adjuvante: Hidroclorotiazida25 a 50 mg/diaVOComprimidos 25mg, 50mg.Junto com DiazóxidoCombate a retenção hídrica severa causada pelo Diazóxido e potencializa o efeito hiperglicemiante.
    2ª Linha: Octreotida (Sandostatin®)50 a 100 mcg a cada 8h.SCAmpolas 50mcg/mL, 100mcg/mL.Se falha/indisponibilidade da 1ª linha*Atenção:* Pode piorar a hipoglicemia se o tumor não expressar SSTR2 (inibe o glucagon mais que a insulina). Ideal usar após PET-DOTATATE positivo.

    Estratégia Definitiva

  • Tratamento de Escolha: Ressecção Cirúrgica Curativa.
  • Técnica: Como a lesão tem 1,5 cm e está localizada na cauda do pâncreas, a abordagem padrão é a Pancreatectomia Distal (frequentemente videolaparoscópica ou robótica), com ou sem preservação esplênica. A enucleação pode ser considerada se a lesão for superficial e distante (> 2-3 mm) do ducto pancreático principal.
  • Contraindicações à cirurgia imediata: Hipercalcemia severa não tratada (se NEM-1 confirmada, a paratireoidectomia deve preceder a cirurgia pancreática para evitar crise hipercalcêmica no perioperatório).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso (Intraoperatório): Efeito rebote hiperglicêmico (glicemia > 140 mg/dL) cerca de 30-60 minutos após a excisão do tumor confirma a remoção completa.
  • Critérios de sucesso (Pós-operatório): Normoglicemia em jejum sem necessidade de suplementação.
  • Sinais de falha: Persistência da hipoglicemia sugere lesões múltiplas (comum na NEM-1) ou metástases ocultas.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO (Octreotida): Administrar a primeira dose de Octreotida sob estrita monitorização hospitalar. Em tumores que expressam SSTR5 mas não SSTR2, a Octreotida suprime a secreção de glucagon sem suprimir a insulina, precipitando hipoglicemia profunda e refratária.
  • ⚠️ ALERTA CIRÚRGICO: Fístula pancreática é a complicação mais comum (até 30%) após enucleação ou pancreatectomia distal. Monitorar dreno cavitário (amilase no líquido do dreno no 3º DPO).
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Enfermaria de Clínica Médica/Endocrinologia para estabilização glicêmica e preparo pré-operatório.
  • Especialistas: Acionar Cirurgia do Aparelho Digestivo / Cirurgia Oncológica para programação cirúrgica e Endocrinologia para manejo clínico e rastreio de NEM-1.
  • Reavaliação: Monitorização glicêmica estrita. Alta apenas após ressecção cirúrgica ou estabilização completa com terapia medicamentosa (ponte).
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Insulinoma pancreático (tumor neuroendócrino funcionante) — indicação de enucleação ou pancreatectomia distal

    Diferenciais esperados:
    • Nesidioblastose
    • Hipoglicemia factícia (insulina exógena)
    • MEN 1 com insulinoma

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: