Intoxicação aguda por organofosforado (síndrome colinérgica) com insuficiência respiratória — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 25 anos, trabalhador rural, trazido ao PS com salivação excessiva, lacrimejamento, miose puntiforme bilateral, vômitos, diarreia, bradicardia e fasciculações musculares difusas após exposição acidental a pesticida organofosforado há 1 hora. PA 90x55, FC 48, FR 12 (bradipneia), SpO2 84%, T 36.2°C, Glasgow 10 (O3V2M5). Secreções brônquicas abundantes. Odor de alho nas roupas. Colinesterase sérica: 850 U/L (normal 5.300-12.900).
Síntese do Caso
Paciente masculino, 25 anos, com quadro agudo grave de toxíndrome colinérgica (miose, broncorreia, bradicardia, fasciculações, rebaixamento do sensório) 1 hora após exposição ocupacional a pesticida. Apresenta instabilidade hemodinâmica (PA 90x55), insuficiência respiratória hipoxêmica (SpO₂ 84% com bradipneia) e confirmação laboratorial de inibição severa da colinesterase.
Hipótese Diagnóstica Principal
Intoxicação Aguda por Organofosforados (Síndrome Colinérgica Grave) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Intoxicação por Carbamatos (Aldicarbe/Chumbinho) | 10% | Toxíndrome colinérgica idêntica (muscarínica e nicotínica). | Odor de alho nas roupas; contexto rural (carbamatos são mais comuns em uso urbano/clandestino). |
| 2 | Intoxicação por Agentes Nervosos (Sarin, VX) | <1% | Miose, broncorreia, fasciculações, insuficiência respiratória. | Ausência de contexto militar ou de terrorismo. |
| 3 | Intoxicação por Cogumelos (Inocybe/Clitocybe) | <1% | Salivação, lacrimejamento, miose, diarreia. | Ausência de fasciculações (não estimulam receptores nicotínicos); história ocupacional. |
Não Esqueça: Co-intoxicação por solventes hidrocarbonetos. Muitos pesticidas organofosforados são diluídos em solventes derivados de petróleo, que podem causar pneumonite química grave se aspirados, piorando a hipoxemia atual.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
O diagnóstico é eminentemente clínico e o tratamento NÃO deve aguardar resultados laboratoriais. A presença de broncorreia, miose e fasciculações com história de exposição é suficiente para iniciar a terapia antidotal.
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais e Imagem (Pedido Gerado via TUSS):
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Rocurônio (Esmeron®) | 1 a 1,2 mg/kg | IV | Ampola 50mg/5mL. Sem diluição. | Em bolus (RSI) | NÃO USAR SUCCINILCOLINA. Usar para bloqueio neuromuscular na IOT. |
| Atropina | 2 a 5 mg (Dose inicial) | IV | Ampola 0,25mg/mL ou 0,5mg/mL. Sem diluição. | Em bolus | Repetir dobrando a dose a cada 3-5 min até atingir sinais de atropinização. |
| Diazepam (Valium®) | 5 a 10 mg | IV | Ampola 10mg/2mL. Sem diluição. | Lento (2-3 min) | Profilaxia de convulsões e redução de fasciculações. |
Estratégia Definitiva
1. Terapia Antidotal Muscarínica (Atropinização Contínua):
2. Terapia Antidotal Nicotínica (Oximas - Se disponível):
3. Descontaminação Gastrointestinal:
Avaliação de Resposta
1. Secreções pulmonares "secas" (ausculta limpa) — *O parâmetro mais importante*.
2. Frequência Cardíaca > 80 bpm.
3. Pressão Arterial Sistólica > 90 mmHg.
4. Axilas secas.
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Intoxicação aguda por organofosforado (síndrome colinérgica) com insuficiência respiratória
- Intoxicação por carbamato
- Síndrome colinérgica por outras causas
- Miastenia gravis