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Intoxicação grave por salicilato — distúrbio misto clássico: alcalose respiratória primária + acidose metabólica AG elevado — Caso Especialista

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Apresentação Clínica

Mulher 55 anos, ingestão intencional de 60 comprimidos de AAS 500mg (30g) há 4 horas. Zumbido intenso, náuseas, vômitos, agitação, taquipneia. PA 110x65 mmHg, FC 115bpm, FR 34irpm, SpO2 97%, T 38,5°C, Glasgow 13. Gasometria arterial: pH 7,45, pCO2 18 mmHg, pO2 105 mmHg, HCO3 12 mmol/L, BE -11. Na+ 140 mEq/L, K+ 3,2 mEq/L, Cl- 100 mEq/L. Ânion gap: 28. Salicilato sérico: 85 mg/dL (VR < 30, nível tóxico > 50, nível letal > 100). Lactato 3,8 mmol/L. Glicemia 68 mg/dL. Cr 1,2 mg/dL. Solicita interpretação do distúrbio misto clássico da intoxicação salicílica, indicação de alcalinização urinária e critérios para hemodiálise.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Mulher, 55 anos, com intoxicação exógena intencional grave por ácido acetilsalicílico (AAS 30g) há 4 horas. Apresenta toxíndrome salicílica clássica (zumbido, hipertermia, taquipneia, agitação, rebaixamento leve do sensório) e distúrbio ácido-base misto grave, com nível sérico de salicilato de 85 mg/dL (tóxico grave, limítrofe para letalidade).

Hipótese Diagnóstica Principal

Intoxicação Aguda Grave por Salicilatos — Confiança: 100%

  • Justificativa: História clínica clara de ingestão de dose massiva (30g), corroborada por nível sérico de 85 mg/dL e clínica clássica de toxicidade do Sistema Nervoso Central (SNC) e desacoplamento da fosforilação oxidativa.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Neste cenário, a história confirma o diagnóstico, mas em casos de apresentação cega, o método *Rule Out* para este distúrbio ácido-base incluiria:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Sepse Grave20%Taquipneia, febre, lactato alto, acidose metabólica.História clara de ingestão, zumbido, nível de salicilato.
    2Intoxicação por Metanol/Etilenoglicol10%Acidose com ânion gap elevado, alteração do SNC.Ausência de alcalose respiratória primária tão franca, história clínica.
    3Cetoacidose Diabética (CAD)5%Acidose com ânion gap elevado, alteração do SNC.Glicemia de 68 mg/dL afasta CAD.
    Não Esqueça: A coingestão de outras substâncias (ex: paracetamol, antidepressivos) é extremamente comum em tentativas de autoextermínio. Solicitar nível sérico de paracetamol e ECG de 12 derivações é mandatório.

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    1. Interpretação do Distúrbio Ácido-Base (Fisiopatologia)

    A paciente apresenta o Distúrbio Misto Clássico da intoxicação por salicilatos: Alcalose Respiratória Primária + Acidose Metabólica com Ânion Gap Elevado Primária.

    * Alcalose Respiratória (pCO2 18 mmHg): O salicilato cruza a barreira hematoencefálica e estimula diretamente o centro respiratório bulbar, causando hiperventilação profunda e rápida (FR 34).

    * Acidose Metabólica com Ânion Gap Elevado (HCO3 12, AG 28): Ocorre por dois motivos:

    1. O salicilato causa desacoplamento da fosforilação oxidativa mitocondrial, forçando o metabolismo anaeróbio e gerando ácido lático (Lactato 3,8) e cetoácidos (lipólise compensatória).

    2. O próprio ácido salicílico é um ácido não mensurável que consome bicarbonato e eleva o Ânion Gap.

    * O "Falso" pH Normal (7,45): O pH parece normal porque os dois distúrbios primários estão puxando o pH em direções opostas. Isso não significa estabilidade, mas sim uma gravidade extrema onde os mecanismos compensatórios estão no limite.

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    Conduta Terapêutica (Sequência Temporal)

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV: Monitorização cardíaca contínua, oximetria, acesso venoso periférico calibroso (2 acessos).
  • Correção da Neuroglicopenia: Salicilatos reduzem a glicose no SNC mesmo com glicemia periférica normal ou *borderline* (68 mg/dL).
  • Conduta: Administrar Glicose 50% (Ampola 10mL) - 4 ampolas (40mL) IV em *bolus* imediato.
  • Descontaminação Gastrointestinal: Como o AAS retarda o esvaziamento gástrico e forma farmacobezoares, o carvão ativado ainda está indicado mesmo após 4h, DESDE QUE a via aérea esteja protegida.
  • Conduta: Carvão Ativado 1g/kg (aprox. 50g) VO ou via SNG. *Atenção: Com Glasgow 13 e agitação, há alto risco de broncoaspiração. Ponderar risco/benefício ou aguardar definição de via aérea.*
  • Medicações Iniciais (Alcalinização Urinária e Correção Eletrolítica)

    O objetivo da alcalinização é manter o pH urinário entre 7,5 e 8,0. Isso ioniza o ácido salicílico na urina, impedindo sua reabsorção tubular (fenômeno de *Ion Trapping* ou aprisionamento iônico).

    ⚠️ PRÉ-REQUISITO CRÍTICO: A alcalinização urinária NÃO FUNCIONA se houver hipocalemia. Na falta de K+ (paciente tem K+ 3,2), o rim excreta H+ para poupar K+, acidificando a urina paradoxalmente.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1. Cloreto de Potássio (KCl) 19,1%20 a 40 mEqIVDiluir em 500mL de SF 0,9%Correr em 2hCorrigir K+ antes ou simultaneamente ao Bicarbonato. Alvo K+ > 4,0 mEq/L.
    2. Bicarbonato de Sódio 8,4% (Ataque)1 a 2 mEq/kgIVBolus lento (puro)5 min1 mL de NaHCO3 8,4% = 1 mEq. Para 60kg = 60 a 120 mL.
    3. Bicarbonato de Sódio 8,4% (Manutenção)150 mEqIVDiluir 3 ampolas (150mL) em 850mL de SG 5%ContínuoInfundir a 150-200 mL/h. Titular para manter pH urinário 7,5 - 8,0.

    Estratégia Definitiva (Critérios de Hemodiálise)

    A alcalinização urinária isolada não será suficiente para esta paciente. Ela possui indicação ABSOLUTA E IMEDIATA para Hemodiálise.

    Critérios do EXTRIP Workgroup para Hemodiálise em Intoxicação por Salicilato presentes neste caso:

    1. Alteração do Estado Mental: Agitação e Glasgow 13 (indica toxicidade grave do SNC). (PRESENTE)

    2. Nível Sérico Elevado: > 100 mg/dL (agudo) ou > 90 mg/dL com disfunção renal, OU níveis em rápida ascensão com clínica grave (85 mg/dL com alteração do SNC é indicação formal). (PRESENTE)

    *Outros critérios (ausentes no momento, mas de alerta):* Edema pulmonar, insuficiência renal oligúrica, acidemia refratária (pH < 7,20), falha do tratamento clínico.

    Conduta: Acionar a Nefrologia de urgência para passagem de cateter de Shilley e início de hemodiálise intermitente. A diálise corrige o distúrbio ácido-base, os eletrólitos e remove o salicilato rapidamente.

    Avaliação de Resposta e Alertas Críticos

  • Monitorização: Gasometria arterial, eletrólitos (K+, Ca++ iônico) e pH urinário a cada 2 horas.
  • Nível de Salicilato: Repetir a cada 2-4 horas até que esteja em queda consistente e < 30 mg/dL.
  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO (INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL):
    Evite a intubação ao máximo. Se a paciente evoluir com rebaixamento grave (Glasgow < 8) e a IOT for inadiável, o risco de morte periparada é altíssimo.
    *Motivo:* Durante a apneia da indução, a pCO2 subirá rapidamente. Isso causará uma queda abrupta do pH sanguíneo, transformando o salicilato em sua forma não-ionizada, que cruzará massivamente a barreira hematoencefálica, causando morte encefálica.
    *Se intubar:* Use ventilação mecânica com volume minuto altíssimo (FR alta, VC alto) para mimetizar a hiperventilação da paciente e manter a pCO2 em torno de 18-20 mmHg.

    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação imediata em UTI.
  • Especialistas: Acionar Nefrologia (agora) e notificar o CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica) regional.
  • Psiquiatria: Avaliação mandatória após estabilização clínica (tentativa de autoextermínio).
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), protocolos toxicológicos (EXTRIP) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Intoxicação grave por salicilato — distúrbio misto clássico: alcalose respiratória primária + acidose metabólica AG elevado

    Diferenciais esperados:
    • Acidose metabólica com compensação respiratória adequada
    • Sepse com acidose láctica
    • Cetoacidose

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: