pediatricsEstudante

Laringotraqueíte viral aguda (crupe) moderada — Caso Estudante

Avaliacao mmed.pro· pediatrics 0 0 0

Apresentação Clínica

Menino de 2 anos, coriza e tosse seca há 2 dias, evoluindo com estridor inspiratório, tosse ladrante (barking cough) e rouquidão. Piora à noite. Desconforto respiratório leve com tiragem supraesternal. Sem sialorreia, sem toxemia, sem posição de tripé. Score de Westley 4 (estridor em repouso + tiragem leve). SpO2 96%, FR 32, FC 125, T 38°C, Glasgow 15.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Menino de 2 anos apresentando pródromo viral respiratório que evolui com a tríade clássica de estridor inspiratório, tosse ladrante e rouquidão, com piora noturna. Ausência de sinais de toxemia, sialorreia ou posição de tripé. O quadro atual configura Crupe Moderado (Escore de Westley 4: estridor em repouso + tiragem leve), com sinais vitais estáveis e sem hipoxemia.

Hipótese Diagnóstica Principal

Crupe Viral (Laringotraqueobronquite) — Confiança: 95%

  • Justificativa: A faixa etária (típica entre 6 meses e 3 anos), o pródromo de via aérea superior, a tosse característica (ladrante/metálica) e a piora noturna são patognomônicos. A ausência de fácies toxêmica, febre alta persistente e sialorreia afasta etiologias bacterianas graves.
  • Escore Clínico: Escore de Westley = 4 (Classificação: Moderado. Variação do moderado é de 3 a 5 pontos, indicando necessidade de intervenção farmacológica imediata para alívio do edema subglótico).
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Epiglotite Aguda< 1%Estridor, febre.Ausência de toxemia, sialorreia, disfagia e posição de tripé. Tosse ladrante é rara na epiglotite.
    2Traqueíte Bacteriana5%Estridor, febre, tosse.Ausência de toxemia grave e febre alta. (Pode ser uma complicação evolutiva do crupe).
    3Aspiração de Corpo Estranho5%Estridor, tosse, faixa etária.Presença de pródromo viral (coriza) e febre. Início não foi súbito.
    4Abscesso Retrofaríngeo< 1%Febre, desconforto respiratório.Ausência de rigidez nucal, dor à mobilização cervical e sialorreia.
    Não Esqueça: Aspiração de corpo estranho é a principal "red flag" nesta faixa etária. Deve ser ativamente investigada caso a criança não responda ao tratamento padrão com adrenalina e corticoide, ou se houver assimetria na ausculta pulmonar.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • O diagnóstico de Crupe Viral é eminentemente clínico. O Escore de Westley guia a terapêutica, não o diagnóstico.
  • Exames Complementares

  • Imediatos (beira-leito): Oximetria contínua.
  • Imagem: NÃO indicados na apresentação clássica. O Raio-X cervical AP e Perfil (buscando o "Sinal da Torre" ou "Ponta de Lápis" no estreitamento subglótico) só deve ser solicitado se houver dúvida diagnóstica. *Nota: Levar a criança ao RX pode gerar choro e agitação, piorando o estridor e o desconforto respiratório.*
  • Laboratoriais: Desnecessários no momento.
  • ---

    Conduta Terapêutica

    [Baseado nos protocolos PALS/AHA e Diretrizes de Manejo de Vias Aéreas Pediátricas]

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Posicionamento: Posição de conforto (preferencialmente no colo da mãe/cuidador). Evitar qualquer intervenção que cause choro ou agitação (ex: acesso venoso desnecessário, abaixador de língua), pois o choro aumenta a turbulência do fluxo aéreo e piora o estridor e a obstrução.
  • Monitorização: Oximetria de pulso contínua.
  • Oxigenoterapia: Apenas se SpO₂ < 92-94%. (No caso, SpO₂ 96% em ar ambiente, não necessita de O₂ suplementar no momento).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-30 min)

    Como o paciente apresenta estridor em repouso (Westley 4), está indicada a terapia combinada (Corticoide + Adrenalina inalatória).

    MedicaçãoDose (Pediátrica)ViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1. L-Epinefrina (Adrenalina)<br>*(Ampola 1mg/mL)*0,5 mL/kg/dose<br>(Máx: 5 mL)Inalatória (Nebulização)Completar com SF 0,9% até volume total de 3 a 5 mL se necessário.Fluxo de O₂ a 6-8 L/min até acabar.1ª Linha para estridor em repouso. Causa vasoconstrição da mucosa subglótica. Ação em 10-30 min.
    2. Dexametasona<br>*(Decadron®)*<br>*(Elixir 0,1mg/mL ou Ampola 4mg/mL)*0,6 mg/kg<br>(Máx: 16 mg)VO, IM ou IVSe VO: usar elixir ou misturar ampola em xarope doce. Se IM: aplicar no vasto lateral.Dose única imediata.Pilar do tratamento. Reduz edema inflamatório. Meia-vida longa (72h) cobre o período crítico.

    *Nota Prática de Cálculo:* Como o peso não foi fornecido, para uma criança média de 2 anos (~12 kg):

  • *Adrenalina:* 0,5 mL x 12 kg = 6 mL (Limitado ao máximo de 5 mL ou 5 ampolas).
  • *Dexametasona:* 0,6 mg x 12 kg = 7,2 mg.
  • Estratégia Definitiva

  • O tratamento definitivo do crupe viral é de suporte, aguardando a resolução do quadro viral e a ação anti-inflamatória do corticoide (que atinge pico em 6-12 horas).
  • A nebulização com adrenalina atua como uma "ponte" para manter a via aérea pérvia até o início da ação da dexametasona.
  • Avaliação de Resposta

  • Tempo de reavaliação: Reavaliar o Escore de Westley e sinais vitais 2 horas após o término da nebulização com adrenalina.
  • Critérios de sucesso: Resolução do estridor em repouso, melhora da tiragem, SpO₂ > 92% em ar ambiente, criança calma e tolerando líquidos via oral.
  • Sinais de falha/piora: Persistência ou retorno do estridor em repouso, letargia, cianose.
  • Escalonamento: Se o estridor em repouso retornar ou persistir, pode-se repetir a nebulização com Adrenalina (até 3 doses em 2-3 horas). Se refratário, considerar intubação orotraqueal (usar tubo com balonete 0,5mm menor que o predito para a idade devido ao edema subglótico) e internar em UTI Pediátrica.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE EFEITO REBOTE: A adrenalina nebulizada tem meia-vida curta (duração de ação de cerca de 2 horas). O edema subglótico pode retornar (efeito rebote) após esse período. NUNCA dê alta para uma criança com crupe antes de completar 2 a 3 horas de observação clínica rigorosa após a ÚLTIMA dose de adrenalina inalatória.
  • ---

    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Sala de observação da Emergência Pediátrica por no mínimo 2-3 horas.
  • Critérios de Alta:
  • Sem estridor em repouso após 3 horas da adrenalina.
  • Saturação normal em ar ambiente.
  • Boa aceitação oral.
  • Cuidadores orientados e com fácil acesso ao hospital.
  • *Prescrição de alta:* Não há necessidade de manter corticoide oral em casa (a dose única de Dexametasona 0,6 mg/kg tem efeito prolongado suficiente). Orientar antitérmicos se febre e hidratação.
  • Critérios de Internação (Enfermaria/UTI):
  • Necessidade de múltiplas doses de adrenalina.
  • Persistência de desconforto respiratório moderado/grave.
  • Alteração do nível de consciência ou suspeita de diagnóstico alternativo (ex: traqueíte bacteriana).
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - PALS/AHA) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Laringotraqueíte viral aguda (crupe) moderada

    Diferenciais esperados:
    • Epiglotite aguda
    • Aspiração de corpo estranho
    • Traqueíte bacteriana

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
    0

    Discussao (0)

    0/2000
    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: