traumaEspecialista

Lesão diafragmática traumática esquerda com herniação de vísceras abdominais — trauma toracoabdominal — Caso Especialista

Avaliacao mmed.pro· trauma 0 0 0

Apresentação Clínica

Homem 45 anos, colisão lateral com intrusão de porta no hemitórax esquerdo e abdome. Glasgow 14. PA 90x55 mmHg, FC 125bpm, FR 26irpm, SpO2 90%. Drenagem torácica esquerda: 800mL de sangue + ar. TC toracoabdominal: herniação de estômago e baço para hemitórax esquerdo através de laceração diafragmática de 12cm, hemotórax residual, contusão pulmonar esquerda. Laceração esplênica grau III, estômago aparentemente íntegro. Fratura de arcos costais 8o-11o esquerdos. Hb 8,5 g/dL, lactato 4,5 mmol/L. Solicita abordagem cirúrgica — via torácica, abdominal ou toracoabdominal.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

A via de escolha absoluta e mandatória para este cenário agudo é a Laparotomia Exploradora (Via Abdominal).

No trauma agudo, a abordagem de uma ruptura diafragmática deve ser sempre abdominal. A via torácica é reservada para apresentações crônicas (devido a aderências intratorácicas) ou quando há indicação formal de toracotomia de reanimação/urgência por sangramento torácico maciço (drenagem > 1500mL em bolus ou > 200mL/h por 2-4h), o que não é o caso imediato (drenou 800mL).

Abaixo, o detalhamento do raciocínio e a sequência temporal de conduta baseada nos princípios do ATLS (11ª Edição) e Cirurgia de Controle de Danos.

---

Medidas Imediatas (Tempo 0)

O paciente encontra-se em Choque Hemorrágico Classe III (Índice de Choque = 1,38; Lactato 4,5; Hipotensão e Taquicardia).

  • MOV e Acessos: Monitorização contínua. Obter 2 acessos venosos periféricos calibrosos (14G ou 16G).
  • Descompressão Gástrica: Passagem de Sonda Nasogástrica (SNG) ou Orogástrica (SOG) calibrosa. Objetivo: Descomprimir o estômago herniado, melhorando a mecânica ventilatória, reduzindo a compressão mediastinal e facilitando a redução cirúrgica.
  • Reanimação Hemodinâmica: Acionar Protocolo de Transfusão Maciça (PTM). Iniciar transfusão na proporção 1:1:1 (Concentrado de Hemácias : Plasma Fresco Congelado : Plaquetas). Evitar cristaloides em excesso para não agravar a coagulopatia e a contusão pulmonar.
  • Alvo Pressórico: Hipotensão permissiva (PAM alvo ~65 mmHg) até o controle cirúrgico do sangramento.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-30 min)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Ácido Tranexâmico (Transamin®)1gIVDiluir em 100mL de SF 0,9%Infundir em 10 min*1ª dose*. Fazer apenas se < 3h do trauma (CRASH-2).
    Ácido Tranexâmico (Transamin®)1gIVDiluir em 500mL de SF 0,9%Infundir em 8 horas*2ª dose*. Manutenção após a dose de ataque.
    Cefazolina (Kefazol®)2gIVDiluir em 100mL de SF 0,9%Infundir em 30 minProfilaxia cirúrgica. Fazer na indução anestésica.
    Cloreto de Cálcio 10%1g (1 amp)IVLento (em acesso calibroso)Infundir em 5-10 minPrevenção/tratamento de hipocalcemia induzida pelo citrato da transfusão maciça.

    Estratégia Definitiva: Abordagem Cirúrgica

    1. Via de Acesso: Laparotomia Mediana Xifopúbica.

    *Justificativa:* Permite inventário completo da cavidade, tratamento da lesão esplênica sangrante, tração das vísceras herniadas de volta para o abdome (é muito mais fácil "puxar" do abdome do que "empurrar" pelo tórax) e reparo do diafragma.

    2. Passos Cirúrgicos Críticos:

  • Controle de Danos Inicial: Empacotamento (packing) dos quadrantes para controle temporário de sangramento.
  • Abordagem do Baço: Dada a instabilidade hemodinâmica e a lesão grau III, a Esplenectomia total é a conduta mais segura e rápida. Tentativas de preservação esplênica neste contexto de choque e necessidade de reparo diafragmático aumentam a morbimortalidade.
  • Redução da Hérnia: Tração cuidadosa do estômago de volta à cavidade abdominal. Inspecionar rigorosamente a parede gástrica em busca de isquemia ou perfurações ocultas.
  • Limpeza Pleural: Através do defeito diafragmático de 12cm, aspirar o hemotórax residual esquerdo e lavar a cavidade pleural com soro fisiológico aquecido. Confirmar o bom posicionamento do dreno de tórax sob visão direta.
  • Reparo Diafragmático (Frenorrafia): Fechamento primário do defeito com fios inabsorvíveis grossos (ex: Prolene® ou Ethibond® 1-0 ou 0), utilizando pontos em "U" (U-stitches) ou chuleio contínuo ancorado.
  • Avaliação de Resposta e Pós-Operatório

  • Critérios de Sucesso: Estabilização hemodinâmica, redução do lactato sérico (< 2,0 mmol/L nas primeiras 24h), normotermia, correção da coagulopatia.
  • Monitorização do Dreno Torácico: Vigiar débito. Sangramento > 200mL/h nas horas subsequentes pode indicar sangramento de parede torácica (artérias intercostais das fraturas) exigindo toracoscopia/toracotomia secundária.
  • Destino: UTI mandatória. Ventilação mecânica protetora devido à contusão pulmonar esquerda e fratura de múltiplos arcos costais.
  • ⚠️ Alertas Críticos

  • ALERTA ANESTÉSICO: Alto risco de colapso cardiovascular na indução anestésica (perda do tônus simpático em paciente hipovolêmico) e piora da herniação com a Ventilação com Pressão Positiva (VPP). A indução deve ser feita em sala cirúrgica com o cirurgião paramentado e bisturi na mão.
  • ALERTA INFECCIOSO: Como o paciente será submetido à esplenectomia, programar vacinação contra germes encapsulados (*Pneumococo, Meningococo, Haemophilus influenzae* tipo B) no 14º dia de pós-operatório ou na alta hospitalar (o que ocorrer primeiro).
  • *[Ver Protocolo: ATLS - Trauma Torácico e Abdominal](protocol:atls-protocols)*

    ---

    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Lesão diafragmática traumática esquerda com herniação de vísceras abdominais — trauma toracoabdominal

    Diferenciais esperados:
    • Rotura diafragmática congênita descompensada
    • Hérnia diafragmática traumática crônica agudizada
    • Eventração diafragmática

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
    0

    Discussao (0)

    0/2000
    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: