Lesão esplênica grau III com sangramento ativo — indicação de angioembolização vs cirurgia — Caso Residente
Apresentação Clínica
Homem 38 anos, passageiro de veículo em colisão lateral a 80km/h, cinto de 3 pontos. Glasgow 15. PA 100x65 mmHg, FC 112bpm, FR 20irpm, SpO2 96%, T 36,5°C. Dor em hipocôndrio esquerdo e flanco esquerdo, defesa à palpação. FAST: líquido livre em espaço esplenorrenal. TC abdome com contraste: laceração esplênica grau III (AAST), hemoperitoneo moderado, blush de contraste sugestivo de sangramento ativo. Hb 9,2 g/dL (admissão), queda para 7,8 g/dL em 2h. Lactato 3,8 mmol/L. Após 2L de cristaloide: PA 95x60 mmHg, FC 108bpm. Solicita conduta: manejo não operatório vs esplenectomia vs embolização.
Síntese do Caso
Homem, 38 anos, vítima de trauma contuso de alta energia, apresentando choque hemorrágico (Classe III) com resposta transitória/ausente à expansão volêmica inicial. Exames evidenciam laceração esplênica AAST Grau III com *blush* de contraste (sangramento arterial ativo), queda progressiva de hemoglobina e hiperlactatemia.
Hipótese Diagnóstica Principal
Trauma Esplênico Contuso (AAST Grau III) com Sangramento Ativo e Choque Hemorrágico — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Apesar do foco esplênico claro, em traumas laterais de alta energia, deve-se excluir lesões associadas (Rule Out):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Lesão de Cauda de Pâncreas | 40% | Proximidade anatômica com o hilo esplênico, trauma de alta energia. | Ausência de líquido peripancreático ou borramento na TC atual. |
| 2 | Lesão Diafragmática à Esquerda | 30% | Trauma lateral esquerdo, aumento súbito de pressão intra-abdominal. | TC não descreve herniação; ausência de dispneia franca. |
| 3 | Lesão Renal à Esquerda | 15% | Dor em flanco esquerdo. | FAST positivo apenas no recesso esplenorrenal; TC não descreve lesão renal. |
Não Esqueça: Lesões de vísceras ocas (cólon esquerdo/estômago) por cisalhamento ou isquemia mesentérica traumática, que podem não ser evidentes na TC de admissão e se manifestar com peritonite tardia.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos e Radiológicos
Exames Complementares (Contínuos)
Imediatos (beira-leito): Gasometria arterial seriada (avaliar *clearance* de lactato e *Base Excess*), Tromboelastograma (TEG/ROTEM) se disponível para guiar transfusão.
Laboratoriais: Tipagem sanguínea e prova cruzada (urgência máxima), Coagulograma, Fibrinogênio, Cálcio iônico.
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ácido Tranexâmico (Transamin®) | 1g (Ataque) | IV | Diluir 4 ampolas (250mg/5mL) em 100mL SF 0,9% | Infundir em 10 min | 1ª Linha. Deve ser feito em até 3h do trauma (Estudo CRASH-2). |
| Ácido Tranexâmico (Transamin®) | 1g (Manutenção) | IV | Diluir 4 ampolas em 500mL SF 0,9% | Infusão contínua por 8h | Iniciar imediatamente após a dose de ataque. |
| Cloreto de Cálcio 10% | 1g (1 ampola = 10mL) | IV | Lento (em acesso calibroso) | 5-10 min | Administrar a cada 4 bolsas de sangue transfundidas para evitar hipocalcemia induzida pelo citrato. |
Estratégia Definitiva: Análise da Solicitação
A decisão entre as três modalidades depende estritamente da hemodinâmica atual e dos recursos institucionais imediatos (Diretrizes WSES 2017/2020):
1. Laparotomia Exploradora (Esplenectomia / Esplenorrafia) — CONDUTA DE ESCOLHA AQUI
2. Angioembolização Esplênica (Radiologia Intervencionista) — ALTERNATIVA CONDICIONAL
3. Manejo Não Operatório (NOM) Estrito (Apenas Observação) — CONTRAINDICADO
Avaliação de Resposta
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Lesão esplênica grau III com sangramento ativo — indicação de angioembolização vs cirurgia
- Lesão hepática concomitante
- Lesão renal esquerda
- Lesão diafragmática