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Lesão hepática grau IV — manejo não operatório em paciente hemodinamicamente estável — Caso Residente

Avaliacao mmed.pro· trauma 0 0 0

Apresentação Clínica

Homem 28 anos, motociclista, colisão frontal com impacto de guidão em abdome superior direito. Glasgow 15. PA 110x70 mmHg, FC 98bpm, FR 20irpm, SpO2 98%, T 36,7°C. Dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy traumático positivo. FAST: líquido livre periepático. TC abdome: laceração hepática grau IV (AAST) em segmentos VI e VII com hemoperitoneo moderado, sem extravasamento ativo de contraste. Hb 10,5 g/dL, estável após 1h com Hb 10,2 g/dL. TGO 520 U/L, TGP 380 U/L. Lactato 2,1 mmol/L. PA estável 115x75 mmHg, FC 92bpm após 1L de cristaloide. Solicita critérios de manejo não operatório.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Este é um caso clássico de trauma contuso com lesão de órgão maciço. O paciente apresenta uma Laceração Hepática Grau IV (AAST), porém encontra-se hemodinamicamente estável, sem sinais de peritonite difusa e sem extravasamento ativo de contraste (blush arterial) na Tomografia Computadorizada.

De acordo com as diretrizes do ATLS (11ª Edição) e da WSES (World Society of Emergency Surgery), o grau anatômico da lesão hepática não é, por si só, indicação de laparotomia. O fator determinante é o status hemodinâmico. Este paciente preenche todos os critérios para o Manejo Não Operatório (NOM - Non-Operative Management).

Abaixo, detalho os critérios formais e a sequência temporal de conduta para a beira do leito.

Critérios de Inclusão para Manejo Não Operatório (NOM)

Para que o NOM seja instituído com segurança em traumas hepáticos de alto grau (III a V), o paciente deve preencher TODOS os critérios abaixo:

1. Estabilidade Hemodinâmica: Ausência de choque ou estabilização rápida após reposição volêmica inicial (como ocorreu neste caso com 1L de cristaloide).

2. Ausência de Peritonite: Exame físico sem sinais de irritação peritoneal difusa que sugiram lesão de víscera oca associada.

3. Tomografia Computadorizada Favorável: Ausência de *blush* arterial (extravasamento ativo). *Nota: Se houvesse blush em paciente estável, o NOM ainda seria possível associado à Angioembolização (AE) imediata.*

4. Capacidade Institucional: Disponibilidade de UTI, monitorização contínua, laboratório 24h, tomografia 24h e equipe cirúrgica de prontidão para intervenção imediata em caso de falha.

5. Avaliação Neurológica Confiável: Glasgow 15 permite reavaliações abdominais seriadas fidedignas.

[Ver Protocolo: ATLS - Trauma Abdominal](protocol:atls-protocols)

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Conduta Terapêutica: Sequência Temporal (Protocolo NOM)

Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Internação OBRIGATÓRIA em UTI: Devido ao risco de sangramento tardio em lesão Grau IV.
  • Repouso Absoluto no Leito: Decúbito zero ou cabeceira a 30°, sem levantar para banheiro.
  • Dieta: Jejum (NPO) nas primeiras 12-24 horas, até confirmação de estabilidade da Hb/Ht e ausência de íleo paralítico.
  • Monitorização (MOV): PA invasiva (PAI) se possível, ou PANI a cada 1 hora; FC, SpO2 e débito urinário contínuos.
  • Exame Físico Seriado: Avaliação abdominal rigorosa a cada 4-6 horas pela equipe cirúrgica.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    O controle da dor é fundamental para permitir um exame físico abdominal seriado confiável. Evite AINEs (Cetorolaco, Ibuprofeno, Diclofenaco) devido ao risco de disfunção plaquetária e sangramento.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Dipirona (Novalgina®)1g (2mL)IVDiluir em 10mL AD ou SF 0,9%3-5 minAnalgesia de base. 1g IV 6/6h.
    Morfina (Dimorf®)2 a 4mgIVDiluir 1 amp (10mg/1mL) em 9mL AD (1mg/mL)LentoResgate para dor moderada/intensa.
    Ondansetrona (Vonau®)4 a 8mgIVDireto ou diluído em 10mL2 minPrevenção de náuseas/vômitos (evita aumento da pressão intra-abdominal).

    Estratégia Definitiva (Manutenção do NOM)

  • Controle Laboratorial Seriado: Hemoglobina e Hematócrito (Hb/Ht) a cada 6 horas nas primeiras 24 horas; depois a cada 12 horas no segundo dia.
  • Profilaxia de TEV: Suspender nas primeiras 24-48 horas. Iniciar HBPM (ex: Enoxaparina 40mg SC 1x/dia) apenas após 48h de estabilidade nos níveis de Hb/Ht e ausência de sangramento ativo, conforme protocolo institucional.
  • Repetição de Imagem (TC): Não é obrigatória de rotina se o paciente evoluir bem. Contudo, em lesões Grau IV ou V, muitos centros recomendam uma TC de controle entre 48-72h para descartar complicações (pseudoaneurisma, biloma), ou IMEDIATAMENTE se houver queda de Hb ou piora clínica.
  • Avaliação de Resposta (Critérios de Falha do NOM)

    A falha do manejo não operatório exige Laparotomia Exploradora ou Angioembolização de urgência. Os red flags incluem:

  • Instabilidade Hemodinâmica: Queda da PA, taquicardia sustentada, má perfusão.
  • Queda de Hemoglobina: Queda > 2,0 g/dL em 24h ou necessidade de transfusão de > 2 concentrados de hemácias (CH) para manter Hb > 7,0 g/dL.
  • Piora do Exame Abdominal: Desenvolvimento de peritonite, distensão abdominal progressiva ou dor refratária.
  • Aumento do Lactato: Piora da perfusão tecidual.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE COMPLICAÇÕES TARDIAS: Lesões hepáticas Grau IV têm alta incidência (até 20%) de complicações tardias. Monitore ativamente nos próximos dias para:
  • Hemobilia: Tríade de Sandblom (Hemorragia digestiva alta, dor em HD e icterícia).
  • Fístula Biliar / Biloma: Dor abdominal persistente, febre, íleo prolongado.
  • Abscesso Hepático: Febre, leucocitose, dor tardia.
  • Pseudoaneurisma de Artéria Hepática: Risco de ruptura tardia e hemorragia maciça.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Lesão hepática grau IV — manejo não operatório em paciente hemodinamicamente estável

    Diferenciais esperados:
    • Lesão de vias biliares
    • Hemobilia tardia
    • Lesão de veia hepática

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: