Lesão medular cervical aguda (ASIA A/B) por fratura-luxação C5-C6 com choque neurogênico — Caso Residente
Apresentação Clínica
Homem 33 anos, mergulho de cabeça em piscina rasa. Resgatado consciente, referindo dor cervical intensa e parestesias em 4 membros. Glasgow 15. PA 85x50 mmHg, FC 55bpm (choque neurogênico), FR 20irpm com uso de acessórios, SpO2 94%. Tetraparesia: força 2/5 em MMSS e 1/5 em MMII. Nível sensitivo em C5. Priapismo presente. Reflexo bulbocavernoso ausente (choque medular). TC cervical: fratura-luxação C5-C6 com retropulsão de fragmento para o canal medular, estenose de canal > 50%. RNM: edema medular extenso C4-C7, sem secção completa. Solicita manejo do choque neurogênico e protocolo de lesão medular aguda.
Síntese do Caso
Homem, 33 anos, vítima de trauma raquimedular (TRM) cervical contuso por mergulho em águas rasas. Apresenta quadro agudo de tetraparesia incompleta (nível C5), associado a choque medular (arreflexia, priapismo) e choque neurogênico (hipotensão com bradicardia). Imagem confirma fratura-luxação C5-C6 com estenose > 50% e edema medular ascendente (C4-C7), justificando o uso de musculatura acessória para ventilação.
Hipótese Diagnóstica Principal
Trauma Raquimedular Cervical (C5-C6) com Choque Neurogênico e Choque Medular — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Choque Hemorrágico | 10% | Hipotensão pós-trauma contuso. | Bradicardia (esperar-se-ia taquicardia compensatória), ausência de estigmas de sangramento externo/interno óbvio. |
| 2 | Traumatismo Cranioencefálico (TCE) | 5% | Mecanismo de trauma (mergulho). | Glasgow 15, quadro neurológico estritamente medular periférico. |
Não Esqueça: Em todo paciente com trauma contuso e hipotensão, o choque hemorrágico deve ser presumido e descartado (ATLS 11ª Ed) antes de atribuir a hipotensão exclusivamente ao choque neurogênico. Realize e-FAST imediato.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito):
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Conduta Terapêutica [Ver Protocolo: ATLS](protocol:atls-protocols)
1. Medidas Imediatas (Tempo 0)
2. Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
O objetivo primário é reverter a isquemia medular secundária mantendo a PAM entre 85-90 mmHg por 5 a 7 dias (Guideline AOSpine / AANS).
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Cristaloide (Ringer Lactato ou Plasmalyte) | 1000 - 2000 mL | IV | Direto | Imediato | Descartar hipovolemia. Não hiperhidratar (risco de edema pulmonar neurogênico). |
| Noradrenalina (Hemitartarato) | 0,05 a 0,5 mcg/kg/min | IV | 4 ampolas (16mg) em 234mL SG5% | Bomba de Infusão | 1ª linha para choque neurogênico. Ação alfa (vasoconstrição) e beta (cronotropismo). Titular para PAM > 85 mmHg. |
| Atropina (Sulfato) | 1 mg | IV | Direto | Imediato | Apenas se bradicardia sintomática (hipoperfusão grave não responsiva a volume/Nora). Máx 3mg. |
| Rocurônio (Brometo) | 1 a 1,2 mg/kg | IV | Direto | Na IOT | Bloqueador neuromuscular de escolha para IOT. *Evitar Succinilcolina* pelo risco de hipercalemia em lesões neurológicas. |
⚠️ ALERTA SOBRE CORTICOIDES (Metilprednisolona): O uso do protocolo NASCIS II/III (Metilprednisolona 30mg/kg em bolus + 5,4mg/kg/h por 24h) NÃO é mais recomendado como padrão de cuidado pelas diretrizes atuais (AOSpine, ATLS 11ª Ed). O risco de complicações (sepse, pneumonia, sangramento TGI) supera os benefícios marginais. A decisão de uso deve ser individualizada e discutida com a equipe de Neurocirurgia, restrita a lesões com menos de 8 horas de evolução.
3. Estratégia Definitiva
4. Avaliação de Resposta
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), incluindo ATLS 11ª Edição e AOSpine Guidelines, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Lesão medular cervical aguda (ASIA A/B) por fratura-luxação C5-C6 com choque neurogênico
- Choque medular isolado (ASIA transitório)
- Síndrome centromedular
- Herniação discal cervical traumática aguda