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Linfohistiocitose hemofagocítica (HLH) / Síndrome hemofagocítica — provável gatilho viral (EBV?) — Caso Especialista

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Apresentação Clínica

Paciente feminina, 26 anos, hígida, apresentou quadro gripal há 1 semana com melhora parcial. Retorna ao PS com febre recorrente 38.5°C, mialgia intensa, fraqueza progressiva, adenomegalias cervicais e inguinais generalizadas, esplenomegalia. Labs: pancitopenia (Hb 7.0, leucócitos 1.200, plaquetas 28.000), ferritina 45.000 ng/mL (marcadamente elevada), triglicerídeos 520 mg/dL, fibrinogênio 85, LDH 3.200, TGO 280, TGP 190, BT 3.5. IL-2R solúvel elevado. Biópsia de medula óssea emergencial mostra hemofagocitose. PA 95x55, FC 120, FR 24, SpO2 94%, T 38.5°C, Glasgow 14.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente feminina, 26 anos, com história recente de síndrome viral, evoluindo com febre persistente, adenomegalias, esplenomegalia, pancitopenia grave, hiperferritinemia extrema (45.000 ng/mL), hipofibrinogenemia, hipertrigliceridemia e hemofagocitose confirmada em biópsia de medula óssea. Apresenta instabilidade hemodinâmica limítrofe (PA 95x55, FC 120) e disfunção orgânica (hepática e neurológica leve).

Hipótese Diagnóstica Principal

Linfo-histiocitose Hemofagocítica (HLH) Secundária — Confiança: 99%

  • Justificativa: A paciente preenche 6 dos 8 Critérios Diagnósticos do Protocolo HLH-2004 (são necessários 5 para o diagnóstico):
  • 1) Febre ≥ 38.5°C;

    2) Esplenomegalia;

    3) Citopenias em ≥ 2 linhagens (Hb < 9, Plaq < 100k, Leucócitos < 3k);

    4) Hipertrigliceridemia (≥ 265 mg/dL) e Hipofibrinogenemia (≤ 150 mg/dL);

    5) Hemofagocitose na medula óssea;

    6) Ferritina ≥ 500 ng/mL (marcadamente > 10.000 é altamente específico);

    7) sIL-2R (CD25 solúvel) elevado.

  • Contexto: Em adultos jovens, a HLH secundária é frequentemente desencadeada por infecções virais (destaque absoluto para o Vírus Epstein-Barr - EBV), neoplasias (linfomas) ou doenças autoimunes (Síndrome de Ativação Macrofágica).
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Sepse / Choque Séptico80%Febre, taquicardia, hipotensão, pancitopenia, disfunção hepática.Hemofagocitose e ferritina > 10.000 são atípicos para sepse isolada (embora a sepse possa ser o gatilho da HLH).
    2Linfoma / Leucemia Aguda40%Adenomegalias generalizadas, esplenomegalia, pancitopenia, LDH elevado.Biópsia de medula evidenciou hemofagocitose, sem menção a blastos ou infiltração neoplásica primária.
    3Doença de Still / Lúpus (SAM)30%Febre, mialgia, adenopatia, hepatoesplenomegalia, ferritina alta.Ausência de história prévia de autoimunidade, rash cutâneo ou artrite franca.
    4Infecção Viral Grave (Dengue/HIV)20%Quadro viral prévio, plaquetopenia, leucopenia, TGO/TGP elevadas.Fibrinogênio muito baixo e ferritina extrema excedem o esperado para infecção viral sem evolução para HLH.
    Não Esqueça: A HLH é uma síndrome hiperinflamatória que mimetiza o choque séptico. Sempre assuma que o paciente com HLH está infectado até prova em contrário, devido à profunda imunossupressão funcional.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • HScore para HLH Reativa: Com os dados fornecidos (imunossupressão prévia não, febre, esplenomegalia, 3 citopenias, ferritina > 6000, triglicerídeos > 350, fibrinogênio < 250, TGO > 30, hemofagocitose), a probabilidade de HLH é > 99%.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Gasometria arterial com lactato (avaliar perfusão e acidose).
  • Glicemia capilar.
  • ECG de 12 derivações.
  • Laboratoriais:

  • Painel Viral (Gatilhos): PCR quantitativo para EBV, CMV, HIV, Hepatites B e C, Parvovírus B19.
  • Infecciosos: Hemoculturas (2 pares) e Urocultura ANTES do antibiótico.
  • Coagulação: TAP, TTPA, D-Dímero (risco iminente de CIVD).
  • Banco de Sangue: Tipagem sanguínea e PAI (suporte transfusional iminente).
  • Imagem:

  • TC de Tórax, Abdome e Pelve: Estadiamento de linfonodos, avaliação de hepatoesplenomegalia e rastreio de linfoma oculto ou focos infecciosos profundos.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV: Monitorização contínua, O₂ suplementar se SpO₂ < 94%.
  • Acesso: Obter Acesso Venoso Central (CVC) devido à necessidade de múltiplas infusões, quimioterapia e suporte transfusional, além de PAM invasiva se refratariedade volêmica.
  • Ressuscitação Hemodinâmica: Infusão de Cristaloides (Ringer Lactato ou Plasma-Lyte) 30 mL/kg em bólus, guiado por metas de perfusão.
  • Isolamento: Precaução de contato e gotículas (neutropenia grave).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    A paciente apresenta neutropenia grave (leucócitos 1.200) e febre, configurando Neutropenia Febril com instabilidade.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Cefepime (Maxcef®)2g 8/8hIVDiluir em 100mL SF 0,9%Infundir em 30 min1ª linha empírica antipseudomonas. Coletar culturas antes.
    Vancomicina (Vancocina®)15-20 mg/kg 12/12hIVDiluir em 250mL SF 0,9%Infundir em 60-90 minAssociar devido à instabilidade hemodinâmica e suspeita de infecção de cateter/pele.
    Crioprecipitado1 U para cada 10kgIVNão requer diluiçãoInfundir rápidoAlvo: Fibrinogênio > 150 mg/dL (paciente está com 85, alto risco de sangramento SNC).
    Plaquetas (Aférese/Pool)1 unidade de aféreseIVNão requer diluiçãoInfundir em 30 minTransfundir se sangramento ativo ou antes de procedimentos invasivos (CVC).

    Estratégia Definitiva

    O tratamento da HLH visa suprimir a tempestade de citocinas e eliminar os macrófagos/células T ativadas. O protocolo padrão ouro é o HLH-94 (acionar Hematologia/Oncologia em caráter de emergência).

  • 1ª Linha (Protocolo HLH-94 - Fase de Indução de 8 semanas):
  • Dexametasona (Decadron®): 10 mg/m² IV 1x/dia (cruza a barreira hematoencefálica, essencial para controle de HLH no SNC).
  • Etoposídeo (Vepesid®): 150 mg/m² IV 2x/semana nas primeiras 2 semanas, seguido de 1x/semana. *Atenção: O etoposídeo é o agente mais eficaz para depletar células T ativadas e macrófagos, sendo salvador de vidas na HLH por EBV.*
  • Tratamento Direcionado ao Gatilho:
  • Se PCR para EBV positivo com alta carga viral: Associar Rituximabe (MabThera®) 375 mg/m² IV 1x/semana para depletar linfócitos B (reservatório do EBV).
  • Critérios de Indicação: Diagnóstico confirmado de HLH com disfunção orgânica e hiperferritinemia progressiva.
  • Critérios de Contraindicação: Etoposídeo requer ajuste se disfunção renal grave (ClCr < 50) ou bilirrubina > 3.0 (paciente tem BT 3.5, necessita redução de dose do Etoposídeo em 50% inicialmente).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: Resolução da febre, estabilização hemodinâmica, e queda da Ferritina (o melhor marcador de resposta terapêutica, deve ser dosada a cada 48h).
  • Sinais de Falha/Piora: Aumento contínuo da ferritina, queda do fibrinogênio, rebaixamento do sensório (sugere infiltração de SNC).
  • Escalonamento: Se refratário ao HLH-94 após 2-3 semanas, considerar globulina antitimócito (ATG), Alemtuzumabe, ou transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) alogênico.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: A mortalidade da HLH não tratada aproxima-se de 100%. O início da Dexametasona não deve ser atrasado aguardando resultados de PCR viral.
  • ⚠️ ALERTA DE SANGRAMENTO: A combinação de plaquetas 28.000 e fibrinogênio 85 coloca a paciente em risco iminente de hemorragia intracraniana. Corrija o fibrinogênio com crioprecipitado IMEDIATAMENTE antes de passar o acesso central.
  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO: A paciente apresenta Bilirrubina Total de 3.5. O Etoposídeo tem metabolização hepática; a dose deve ser reduzida em 50% (75 mg/m²) sob supervisão do hematologista.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: UTI Imediata (Sala Vermelha até a vaga).
  • Critérios de internação em UTI: Instabilidade hemodinâmica (choque distributivo), risco de sangramento catastrófico e necessidade de quimioterapia intensiva.
  • Especialista: Acionar Hematologia imediatamente para liberação e prescrição do Etoposídeo, e Infectologia para acompanhamento do gatilho infeccioso.
  • Reavaliação: Monitorar Glasgow de hora em hora (HLH frequentemente acomete o SNC). Dosar Ferritina, Fibrinogênio, Hemograma e Perfil Hepático a cada 24h.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Linfohistiocitose hemofagocítica (HLH) / Síndrome hemofagocítica — provável gatilho viral (EBV?)

    Diferenciais esperados:
    • Leucemia aguda
    • LES com síndrome de ativação macrofágica
    • Linfoma com envolvimento medular
    • Sepse com CIVD

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: