Macroadenoma hipofisário secretor de prolactina (prolactinoma invasivo) — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Mulher de 42 anos, cefaleia crônica progressiva há 1 ano, galactorreia bilateral e amenorreia secundária há 8 meses. Campimetria mostra hemianopsia bitemporal. Prolactina 450 ng/mL (ref <25). RM de sela túrcica mostra massa selar e suprasselar de 3.5cm isointensa em T1 e T2, com realce homogêneo ao gadolínio, remodelando o assoalho selar, comprimindo quiasma óptico superiormente e invadindo seio cavernoso esquerdo (Knosp 3). PA 115/70, FC 68.
Síntese do Caso
Mulher de 42 anos apresentando síndrome de hiperprolactinemia (amenorreia e galactorreia) associada a síndrome tumoral selar (cefaleia e hemianopsia bitemporal). A ressonância magnética e a dosagem laboratorial (Prolactina = 450 ng/mL) evidenciam um macroadenoma hipofisário de 3,5 cm com invasão de seio cavernoso esquerdo e compressão do quiasma óptico. Paciente hemodinamicamente estável.
Hipótese Diagnóstica Principal
Macroprolactinoma — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais urgente ao menos grave (método Rule Out):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Apoplexia Hipofisária (em curso) | 5% | Cefaleia, alteração visual, macroadenoma. | Evolução crônica (1 ano), RM sem sinais de sangramento agudo/necrose, estabilidade hemodinâmica. |
| 2 | Adenoma Não Funcionante (Efeito Haste) | 1% | Macroadenoma, compressão quiasmática. | Prolactina > 200-250 ng/mL (efeito haste tipicamente gera PRL < 150 ng/mL). |
| 3 | Craniofaringioma | 1% | Massa suprasselar, hemianopsia. | RM isointensa com realce homogêneo (craniofaringiomas costumam ser císticos e calcificados). |
| 4 | Meningioma Selar/Tubérculo | 1% | Massa selar com invasão de seio cavernoso. | Ausência de sinal da cauda dural ou hiperostose na RM; PRL muito elevada. |
Não Esqueça: Gravidez. Toda mulher em idade fértil com amenorreia secundária deve ter gestação descartada, independentemente dos níveis de prolactina ou achados de imagem.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Laboratoriais (Avaliação de Pan-hipopituitarismo e exclusões):
A compressão da haste e do tecido hipofisário normal por um tumor de 3,5 cm exige avaliação imediata dos demais eixos.
Avaliação Especializada:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros Dias)
O tratamento de primeira linha para prolactinomas, *mesmo os macroadenomas com compressão quiasmática e defeito de campo visual*, é CLÍNICO com agonistas dopaminérgicos. A cirurgia NÃO é a primeira escolha.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Cabergolina (Dostinex®, Cabertrix) | 0,25 a 0,5 mg | VO | Comprimidos de 0,5 mg. | 1 a 2x por semana | 1ª Linha. Tomar à noite, com alimentos, para minimizar náuseas. |
| Bromocriptina (Parlodel®) | 1,25 mg | VO | Comprimidos de 2,5 mg. | 1x/dia (à noite) | 2ª Linha. Aumentar para 2,5 mg/dia após 1 semana. Menor eficácia e pior tolerabilidade. |
Estratégia Definitiva
1. Piora do campo visual *apesar* do tratamento clínico otimizado.
2. Intolerância severa ou resistência aos agonistas dopaminérgicos (falha em normalizar PRL ou reduzir tumor).
3. Apoplexia hipofisária com instabilidade neurológica/visual aguda.
4. Fístula liquórica induzida pela retração tumoral (o tumor invadiu a base do crânio e, ao encolher com o remédio, abre um trajeto para o líquor).
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - Endocrine Society Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Treatment of Hyperprolactinemia) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Macroadenoma hipofisário secretor de prolactina (prolactinoma invasivo)
- Craniofaringioma
- Meningioma do tuberculum sellae
- Cisto da bolsa de Rathke