Malária grave por Plasmodium falciparum com múltiplos critérios de gravidade OMS — indicação de artesunato IV de emergência — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Homem 38 anos, missionário retornando da República Democrática do Congo há 7 dias, sem profilaxia antimalárica. Febre 40°C contínua há 3 dias, cefaleia intensa, confusão mental, icterícia e oligúria. PA 80x45 mmHg, FC 140bpm, FR 32irpm, SpO2 90%, T 40°C, Glasgow 9. Icterícia 3+/4+, esplenomegalia, hepatomegalia. Labs: Hb 5,5 g/dL, plaquetas 18.000/mm³, leucócitos 12.000/mm³. Cr 4,5 mg/dL, BI 8 mg/dL, glicemia 35 mg/dL, lactato 8,5 mmol/L. Gasometria: pH 7,15, HCO3 8 mmol/L. Gota espessa: parasitemia por P. falciparum 18% (malária grave). Solicita artesunato IV imediato, critérios da OMS de malária grave, manejo da hipoglicemia, IRA e anemia grave. Indicação de exsanguineotransfusão se parasitemia > 10%?
Síntese do Caso
Paciente masculino, 38 anos, com história epidemiológica clássica (retorno da RDC há 7 dias sem profilaxia), apresentando quadro gravíssimo de Malária Falciparum. O paciente encontra-se em choque misto (hipovolêmico/distributivo), com disfunção de múltiplos órgãos: neurológica (Glasgow 9), renal (Cr 4,5 + oligúria), hematológica (Hb 5,5 + plaquetopenia severa), metabólica (hipoglicemia severa + acidose lática) e hiperparasitemia (18%).
Hipótese Diagnóstica Principal
**Malária Grave por *Plasmodium falciparum* — Confiança: 100%** (Confirmada por gota espessa).
Critérios da OMS para Malária Grave (Presentes neste caso)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define malária grave pela presença de *P. falciparum* assexuado associado a uma ou mais das seguintes complicações (este paciente preenche quase todas):
1. Malária Cerebral: Rebaixamento do nível de consciência (Glasgow < 11).
2. Choque (Malária Álgida): PA sistólica < 80 mmHg.
3. Insuficiência Renal Aguda: Creatinina > 3,0 mg/dL ou diurese < 400 mL/24h.
4. Hipoglicemia: Glicemia < 40 mg/dL.
5. Acidose Metabólica: pH < 7,25, HCO3 < 15 mmol/L ou Lactato > 5 mmol/L.
6. Anemia Grave: Hb < 7,0 g/dL (em adultos).
7. Icterícia Clínica: Bilirrubina total > 3,0 mg/dL (com densidade parasitária > 100.000/µL).
8. Hiperparasitemia: Parasitemia > 10% (em áreas de baixa transmissão/não imunes).
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Conduta Terapêutica (Sequência Temporal)
1. Medidas Imediatas (Tempo 0)
2. Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Artesunato (Artesun®) | 2,4 mg/kg | IV | Diluir pó (60mg) com 1mL de Bicarbonato de Sódio 5% (ampola diluente própria) + 5mL de SF 0,9% ou SG 5%. | Bolus lento (1-2 min) | Droga de escolha (1ª linha). Fazer no tempo 0h, 12h e 24h. |
| Noradrenalina | 0,05 a 1 mcg/kg/min | IV | 4 ampolas (16mg/16mL) + 234mL SG 5% | Bomba de Infusão | Iniciar se PAM < 65 mmHg após prova volêmica inicial cautelosa. |
| Ceftriaxona (Rocefin®) | 2 g | IV | Diluir em 100 mL de SF 0,9% | Correr em 30 min | Cobertura empírica para sepse bacteriana associada (translocação bacteriana é comum no choque malárico). |
3. Estratégia Definitiva e Manejo de Complicações
A. Terapia Antimalárica (Protocolo OMS):
B. Manejo da Anemia Grave (Hb 5,5 g/dL):
C. Manejo da Insuficiência Renal Aguda e Acidose (Cr 4,5 / pH 7,15):
D. Exsanguineotransfusão para Hiperparasitemia (>10%):
4. Avaliação de Resposta e Alertas
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - OMS Guidelines for the Treatment of Malaria, 3rd ed; CDC Malaria Guidelines) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Malária grave por Plasmodium falciparum com múltiplos critérios de gravidade OMS — indicação de artesunato IV de emergência
- Sepse bacteriana com CIVD
- Febre hemorrágica viral (Ebola)
- Leptospirose grave (Weil)
- Febre tifoide complicada