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Malária por Plasmodium falciparum não complicada (parasitemia < 5%, sem sinais de gravidade) — tratamento com ACT (arteméter-lumefantrina) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem 34 anos, retornou da Tailândia e Camboja há 10 dias (viagem de 3 semanas, sem profilaxia antimalárica). Febre alta (39,5°C) em padrão terçã (a cada 48h) há 5 dias, calafrios intensos, cefaleia e mialgia. PA 100x60 mmHg, FC 115bpm, FR 20irpm, SpO2 96%, T 39,5°C, Glasgow 15. Palidez, icterícia leve, esplenomegalia palpável. Labs: Hb 10 g/dL, plaquetas 55.000/mm³, leucócitos 4.200/mm³, BI 3,5 mg/dL, LDH 480 U/L, haptoglobina diminuída, Cr 1,0 mg/dL, glicemia 95 mg/dL. Esfregaço de gota espessa: trofozoítos de Plasmodium falciparum, parasitemia 4%. Teste rápido (HRP2/pLDH): positivo para P. falciparum. Solicita classificação de gravidade (WHO), tratamento com arteméter-lumefantrina vs artesunato IV e monitoramento de parasitemia.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Homem, 34 anos, viajante não imune retornando do Sudeste Asiático (área endêmica com cepas multirresistentes), apresentando febre terçã, hemólise (anemia, haptoglobina consumida, LDH elevado, icterícia) e plaquetopenia. Diagnóstico confirmado de malária por *Plasmodium falciparum* com parasitemia de 4%.

Hipótese Diagnóstica Principal

**Malária Grave por *Plasmodium falciparum*Confiança: 100%**

  • Justificativa Clínica e Classificação WHO (World Health Organization): Embora o paciente esteja com Glasgow 15 e hemodinamicamente estável, ele preenche critérios de Malária Grave segundo a OMS.
  • Critério preenchido: Icterícia clínica/laboratorial (Bilirrubina > 3,0 mg/dL) associada a parasitemia > 100.000/µL. (Nota: Em um adulto com eritrograma normal, 1% de parasitemia equivale a aprox. 50.000 parasitas/µL. Uma parasitemia de 4% representa cerca de 200.000 parasitas/µL). Além disso, em viajantes não imunes, parasitemia > 2% a 5% já indica alto risco de complicação iminente, justificando terapia IV inicial.
  • Diagnósticos Diferenciais

    *(Afastados pela confirmação parasitológica, mas relevantes em síndromes febris de viajantes para o Sudeste Asiático)*

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Dengue Grave< 1%Viagem à Ásia, febre, plaquetopenia, mialgiaGota espessa positiva para *P. falciparum*
    2Febre Tifoide< 1%Febre prolongada, viagem à Ásia, hepatoesplenomegaliaGota espessa positiva, padrão terçã
    3Leptospirose< 1%Febre, mialgia, icterícia (Síndrome de Weil)Gota espessa positiva, Cr normal
    Não Esqueça: Coinfecções são possíveis. Em áreas endêmicas, a presença de malária não exclui dengue ou febre tifoide concomitantes, especialmente se a resposta clínica for atípica.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos e Laboratoriais

  • Diagnóstico já estabelecido por Gota Espessa e Teste Rápido (HRP2/pLDH).
  • Exames Complementares (Monitoramento)

    Imediatos (beira-leito): Glicemia capilar a cada 4-6h (risco de hipoglicemia pela doença e pelo tratamento).

    Laboratoriais: Gasometria arterial (avaliar lactato e acidose oculta), função renal diária, hemograma diário, reticulócitos.

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    Conduta Terapêutica

    A escolha entre Artesunato IV e Arteméter-Lumefantrina (VO) não é excludente, mas sim sequencial. Por preencher critérios de gravidade (icterícia + hiperparasitemia em não imune), o tratamento OBRIGATÓRIO de 1ª linha é o Artesunato IV, seguido da terapia de combinação baseada em artemisinina (ACT) via oral quando houver tolerância.

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV: Monitorização contínua, acesso venoso calibroso.
  • Hidratação: Cautelosa. Pacientes com malária falciparum têm alto risco de Edema Agudo de Pulmão (SARA) por aumento da permeabilidade capilar. Evitar hiper-hidratação.
  • Monitorização: Curva térmica, débito urinário, nível de consciência (Glasgow) e padrão respiratório.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min) - Fase Aguda

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Artesunato2,4 mg/kgIVDiluir pó (60mg) com 1mL de bicarbonato de sódio 5% (ampola diluente), depois adicionar 5mL de SF 0,9% ou SG 5% (conc. final 10mg/mL).Bolus lento (3-4 min)Administrar em T=0h, T=12h e T=24h.

    *Nota: O Artesunato IV demonstrou superioridade absoluta sobre o Quinino IV no estudo SEAQUAMAT (Sudeste Asiático), com redução de mortalidade em 34,7%.*

    Estratégia Definitiva - Fase de Consolidação (Após 24h)

    Após completar no mínimo 3 doses de Artesunato IV (24 horas de tratamento) E o paciente estar clinicamente estável, sem vômitos e tolerando via oral, deve-se iniciar a terapia de consolidação (ACT) para erradicar os parasitas restantes e prevenir recrudescência.

    MedicaçãoDoseViaFrequênciaDuração
    Arteméter + Lumefantrina (Coartem® 20/120mg)4 comprimidos por doseVOT=0h, T=8h, e depois 12/12hTotal de 6 doses (3 dias)

    *Alternativa se indisponibilidade ou suspeita de alta resistência à Lumefantrina (comum no Camboja):* Dihidroartemisinina-Piperaquina (DHA-PPQ) ou Artesunato + Mefloquina.

    Avaliação de Resposta e Monitoramento de Parasitemia

  • Frequência de Gota Espessa/Esfregaço: Realizar a cada 12 a 24 horas até que a parasitemia seja indetectável.
  • Critérios de Sucesso: Queda da parasitemia em pelo menos 75% em 48 horas e clearance completo em 72 horas.
  • Sinais de Falha/Resistência:
  • ⚠️ ALERTA EPIDEMIOLÓGICO: O paciente retorna da sub-região do Grande Mekong (Tailândia/Camboja), epicentro global de resistência parcial às artemisininas (mutações no gene *PfKelch13*).
  • Se a parasitemia persistir > 72 horas, considerar falha terapêutica. Pode ser necessário resgate com Quinino IV + Doxiciclina ou Atovaquona-Proguanil.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE EFEITO ADVERSO (PADH): O Artesunato IV pode causar Hemólise Tardia Pós-Artesunato (Post-Artesunate Delayed Hemolysis) em 1 a 3 semanas após o tratamento, especialmente em pacientes que iniciaram com hiperparasitemia. Monitorar Hb, LDH e reticulócitos semanalmente por 4 semanas após a alta.
  • ⚠️ ALERTA DE HIPOGLICEMIA: A infecção grave e os derivados da artemisinina/quinino podem induzir hiperinsulinemia e hipoglicemia severa. Monitorar HGT rigorosamente.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em UTI ou Unidade de Cuidados Intermediários (Semi-intensiva) para monitoramento das primeiras 48h.
  • Especialista: Acionar Infectologia / Medicina Tropical.
  • Notificação: Doença de notificação compulsória imediata.
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - WHO Guidelines for Malaria 2022) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Malária por Plasmodium falciparum não complicada (parasitemia < 5%, sem sinais de gravidade) — tratamento com ACT (arteméter-lumefantrina)

    Diferenciais esperados:
    • Malária grave (complicada)
    • Febre tifoide
    • Leptospirose
    • Dengue
    • Ricketsiose

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: