Malformação arteriovenosa pulmonar (no contexto de Telangiectasia Hemorrágica Hereditária / Rendu-Osler-Weber) — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Mulher de 35 anos, dispneia crônica aos esforços moderados, epistaxes recorrentes desde a adolescência, múltiplas telangiectasias em lábios e dedos. Mãe com história similar. SpO2 92% em repouso sem melhora com O2 suplementar. Angio-TC de tórax mostra estrutura vascular serpiginosa no lobo inferior direito com artéria nutriente originando-se da pulmonar e drenagem para veia pulmonar (shunt D-E). PaO2 65mmHg. Hb 15.8 (policitemia compensatória). PA 115/70, FC 82.
Síntese do Caso
Mulher de 35 anos, estável hemodinamicamente, apresentando tríade clássica de epistaxe recorrente, telangiectasias mucocutâneas e história familiar positiva, associada a dispneia crônica e hipoxemia refratária à oxigenoterapia. A Angio-TC confirma Malformação Arteriovenosa Pulmonar (MAVP) com *shunt* direita-esquerda anatômico, justificando a hipoxemia e a policitemia compensatória.
Hipótese Diagnóstica Principal
Síndrome de Osler-Weber-Rendu (Telangiectasia Hemorrágica Hereditária - THH) com MAVP — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método *Rule Out*):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Cardiopatia Congênita (ex: Eisenmenger) | 5% | Hipoxemia refratária, policitemia, dispneia. | Angio-TC já definiu a causa pulmonar; ausência de sopros descritos; telangiectasias. |
| 2 | Embolia Pulmonar (TEP) Crônica | 2% | Dispneia, hipoxemia. | Angio-TC não mostra falhas de enchimento, mas sim MAVP; não explica epistaxe/telangiectasias. |
| 3 | Hepatopatia Crônica (Síndrome Hepatopulmonar) | 10% | Telangiectasias (spiders), dispneia, *shunt* intrapulmonar. | História familiar forte para THH; epistaxe desde a adolescência; imagem tomográfica focal (MAVP) em vez de dilatações difusas. |
Não Esqueça (Red Flag): Pacientes com MAVP têm altíssimo risco de êmbolos paradoxais. Microtrombos, bactérias ou bolhas de ar venosas não são filtrados pelos capilares pulmonares e ganham a circulação sistêmica, podendo causar Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico ou Abscesso Cerebral. A pesquisa de MAVs cerebrais associadas é mandatória.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem (Rastreio de Complicações):
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
Neste momento, não há emergência medicamentosa, mas o manejo clínico da THH envolve:
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ácido Tranexâmico (Transamin®) | 1g a cada 8h | VO/IV | Se IV: diluir em 100mL SF 0,9%, correr em 15 min | SN | Apenas se epistaxe ativa/refratária. |
| Sulfato Ferroso | 300mg 1-2x/dia | VO | - | Contínuo | Se deficiência de ferro confirmada. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Malformação arteriovenosa pulmonar (no contexto de Telangiectasia Hemorrágica Hereditária / Rendu-Osler-Weber)
- Fístula arteriovenosa pulmonar adquirida
- Sequestro pulmonar
- Varizes pulmonares