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Meningite bacteriana aguda (provável meningocócica dado petéquias) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Paciente masculino, 22 anos, universitário, retornou de acampamento em zona rural há 5 dias. Chega ao PS com cefaleia intensa, febre alta 39.5°C, vômitos, fotofobia e rigidez de nuca. PA 100x60, FC 110, FR 20, SpO2 97%, T 39.5°C, Glasgow 13 (confuso). Kernig e Brudzinski positivos. Petéquias em MMII e tronco. Leucócitos 22.000 com 85% neutrófilos, PCR 180. Líquor: 2.500 células (95% PMN), proteína 280 mg/dL, glicose 18 mg/dL (glicemia 120).

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente jovem (22 anos), do sexo masculino, com história epidemiológica recente (acampamento rural), apresentando síndrome meníngea aguda grave (cefaleia, febre, rigidez de nuca), rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 13) e *rash* petequial. O líquor evidencia padrão purulento clássico (pleocitose neutrofílica, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia severa), associado a sinais de sepse/choque incipiente (taquicardia, PA limítrofe).

Hipótese Diagnóstica Principal

Meningite Meningocócica (*Neisseria meningitidis*) associada à Meningococemia — Confiança: 90%

  • Justificativa: A tríade clássica de meningite associada ao *rash* petequial/purpúrico é a marca registrada da infecção por meningococo. O líquor é inequivocamente bacteriano (relação glicose LCR/Soro < 0,3; células > 1.000 com predomínio de polimorfonucleares). A faixa etária (adulto jovem/universitário) é o pico epidemiológico clássico para surtos de doença meningocócica.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Febre Maculosa Brasileira (*R. rickettsii*)40%Acampamento rural, febre alta, exantema petequial, letalidade rápida.Líquor purulento (FMB costuma ter LCR normal ou pleocitose linfomonocitária leve).
    2Meningite Pneumocócica (*S. pneumoniae*)30%LCR purulento, gravidade do quadro neurológico.Presença de petéquias (muito raro no pneumococo).
    3Leptospirose Íctero-hemorrágica15%Exposição rural, mialgia/cefaleia, plaquetopenia (inferida pelas petéquias).Ausência de icterícia, LCR purulento (lepto causa meningite asséptica).
    4Meningoencefalite Herpética5%Alteração do estado mental (Glasgow 13), febre.LCR purulento (HSV causa padrão linfocitário), presença de petéquias.
    Não Esqueça: A Febre Maculosa é endêmica em várias zonas rurais do Brasil e tem altíssima letalidade. Embora o líquor aponte fortemente para bactéria piogênica, a história epidemiológica exige cobertura empírica até elucidação. A Síndrome de Waterhouse-Friderichsen (hemorragia adrenal bilateral) é uma complicação letal da meningococemia que cursa com choque refratário.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Síndrome meníngea + *Rash* petequial + LCR purulento = Tratamento empírico imediato. Não aguardar nenhum outro exame para iniciar antibiótico.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Gasometria arterial com lactato (avaliar perfusão/sepse).
  • Glicemia capilar (já realizada, mas manter monitorização).
  • Laboratoriais:

  • Hemoculturas (2 amostras): Coletar ANTES do antibiótico, mas NÃO atrasar a terapia em mais de 15 minutos.
  • Líquor (já coletado): Solicitar bacterioscopia (Gram), cultura, painel molecular (PCR multiplex para meningite) e aglutinação pelo látex.
  • Hemograma completo, coagulograma (risco de CIVD), função renal, eletrólitos, hepatograma.
  • Imagem:

  • TC de Crânio: Como o paciente tem Glasgow < 15, a TC deveria ter precedido a punção lombar (para descartar HIC/herniação). Como a PL já foi feita, a TC fica reservada caso haja piora neurológica ou suspeita de complicação (empyema, isquemia).
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • ISOLAMENTO RESPIRATÓRIO: Precaução por gotículas IMEDIATA (máscara cirúrgica para o paciente no transporte; máscara N95/PFF2 para a equipe devido ao risco de aerossolização em procedimentos).
  • MOV: Monitorização contínua (ECG, SpO2, PA não invasiva a cada 15 min).
  • Acesso Venoso: 2 acessos periféricos calibrosos (14G ou 16G).
  • Ressuscitação Volêmica: Paciente com sinais de choque incipiente (PA 100x60, FC 110). Iniciar Ringer Lactato 30 mL/kg em bolus (aprox. 2.000 a 2.500 mL) e reavaliar perfusão.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    *A administração do corticoide DEVE preceder ou ser concomitante à primeira dose do antibiótico para reduzir a inflamação gerada pela lise bacteriana.*

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Dexametasona (Decadron®)10 mg (ou 0,15 mg/kg)IVPura ou diluída em 50mL SF 0,9%15-20 min ANTES do ATBReduz mortalidade e sequelas neurológicas. Manter 6/6h por 4 dias.
    Ceftriaxona (Rocefin®)2 gIVDiluir em 100mL SF 0,9%Correr em 30 minDose meníngea (12/12h). Cobre *N. meningitidis* e *S. pneumoniae*.
    Doxiciclina (Vibramicina®)100 mgIV/VODiluir em 250mL SF 0,9% (se IV)Correr em 1-2hCobertura empírica para Febre Maculosa devido à história rural. Manter 12/12h.
    Dipirona (Novalgina®)1 gIVDiluir em 10mL AD ou SFLento (3-5 min)Controle térmico e analgesia.

    Estratégia Definitiva

  • Manutenção do Isolamento: Manter precaução por gotículas até completar 24 horas de antibioticoterapia efetiva.
  • Notificação Compulsória: Imediata (telefone/e-mail) à vigilância epidemiológica.
  • Quimioprofilaxia de Contatos: Indicada para contatos íntimos (moradores da mesma casa, colegas de quarto em alojamento/república, profissionais de saúde expostos a secreções sem EPI).
  • *Opção 1:* Rifampicina 600 mg VO 12/12h por 2 dias (4 doses).
  • *Opção 2:* Ciprofloxacino 500 mg VO dose única (não usar em gestantes).
  • *Opção 3:* Ceftriaxona 250 mg IM dose única (escolha para gestantes).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Clareamento do sensório (melhora do Glasgow), estabilização hemodinâmica (PAM > 65 mmHg sem vasopressores), clareamento do lactato.
  • Sinais de falha/piora:
  • Expansão rápida das petéquias/púrpuras (sugere CIVD).
  • Choque refratário a volume (sugere insuficiência adrenal / Waterhouse-Friderichsen) → Iniciar Noradrenalina e considerar Hidrocortisona 200mg/dia.
  • Piora do rebaixamento ou anisocoria (sugere herniação cerebral).
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: A mortalidade da meningococemia aumenta a cada hora de atraso do antibiótico. A meta é ATB na primeira hora de admissão.
  • ⚠️ ALERTA DE PROCEDIMENTO: Como o paciente apresenta Glasgow 13, a punção lombar sem TC prévia envolveu risco de herniação. Monitorar rigorosamente o padrão pupilar e motor nas próximas horas.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: UTI Imediata. Paciente com meningite bacteriana presumida, alteração do nível de consciência e sinais de sepse.
  • Especialista: Acionar Infectologia e Neurologia/Neurocirurgia (sobreaviso caso haja complicação intracraniana).
  • Reavaliação: Hemodinâmica a cada 15 minutos até estabilização. Exame neurológico (pupilas, Glasgow) a cada 1 hora.
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), incluindo protocolos do Surviving Sepsis Campaign e IDSA para Meningite Bacteriana, e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Meningite bacteriana aguda (provável meningocócica dado petéquias)

    Diferenciais esperados:
    • Meningite viral
    • Encefalite herpética
    • Hemorragia subaracnóidea
    • Leptospirose

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: