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Meningite bacteriana por Neisseria meningitidis (meningococcemia) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem de 33 anos, previamente hígido, febre alta 39.5°C há 24 horas com cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia e vômitos. Petéquias em MMII. Glasgow 13 (O3V4M6). Kernig e Brudzinski positivos. LCR: 2.500 céls (95% PMN), proteína 280, glicose 20 (glicemia 95, razão <0.4), Gram mostra diplococos Gram-negativos. Lactato do LCR 8.5. PA 95/60, FC 120, FR 22, T 39.5°C.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer 1 flag(s)

Síntese do Caso

Homem de 33 anos, previamente hígido, com quadro agudo (24h) de síndrome meníngea completa, rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 13) e sinais de choque séptico (PA limítrofe 95/60 mmHg, taquicardia 120 bpm). Apresenta rash petequial em membros inferiores e punção lombar com padrão bacteriano clássico (pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia severa, hiperproteinorraquia, lactato elevado), com Gram evidenciando diplococos Gram-negativos.

Hipótese Diagnóstica Principal

**Meningite Bacteriana Aguda por *Neisseria meningitidis* (Meningococcemia)Confiança: 99%**

  • Justificativa: A presença de diplococos Gram-negativos no LCR sela o diagnóstico etiológico para meningococo. O quadro clínico de evolução fulminante associado a rash petequial em membros inferiores é a apresentação clássica e patognomônica da doença meningocócica com invasão da corrente sanguínea (meningococcemia). A instabilidade hemodinâmica sugere evolução para choque séptico.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Meningite por *S. pneumoniae*1%Tríade meníngea, LCR purulento, gravidade.Gram mostra diplococos Gram-negativos (pneumococo é Gram-positivo); rash petequial é raro.
    2Meningoencefalite Viral (HSV)<1%Febre, cefaleia, alteração do sensório.LCR purulento com consumo de glicose e Gram positivo para bactéria.
    3Hemorragia Subaracnóidea (HSA)<1%Cefaleia intensa, rigidez de nuca, rebaixamento.Presença de febre alta inicial; LCR purulento (HSA teria LCR hemorrágico/xantocrômico).
    Não Esqueça: A presença de petéquias e choque iminente levanta o alerta máximo para Síndrome de Waterhouse-Friderichsen (insuficiência adrenal aguda secundária a hemorragia bilateral das glândulas adrenais, complicação letal da meningococcemia) e Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD).

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • O diagnóstico etiológico já está confirmado pelo Gram do LCR.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    *Os pedidos foram gerados no sistema com códigos TUSS.*

    Imediatos (beira-leito):

  • Gasometria Arterial e Lactato Sérico: Avaliação de perfusão tecidual e acidose metabólica no contexto de sepse.
  • Glicemia Capilar: Monitoramento contínuo (já realizada, 95 mg/dL).
  • Laboratoriais:

  • Hemoculturas (2 amostras): Coletar imediatamente, mas NÃO atrasar o antibiótico.
  • Hemograma e Coagulograma (TAP/TTPA): Avaliação de plaquetopenia e alargamento de tempos de coagulação (rastreio de CIVD).
  • Função Renal (Ureia/Creatinina) e PCR: Avaliação de disfunção orgânica e marcador inflamatório basal.
  • Imagem:

  • TC de Crânio sem contraste: Indicada devido ao Glasgow 13 para descartar complicações (edema cerebral difuso, hidrocefalia, isquemia). *Nota: Como o LCR já foi coletado, a TC não atrasará a conduta.*
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • ⚠️ ISOLAMENTO DE GOTÍCULAS IMEDIATO: Manter por pelo menos 24 horas após o início da antibioticoterapia adequada.
  • MOV: Monitorização cardíaca contínua, oximetria de pulso, PA não invasiva a cada 15 min.
  • Oxigenoterapia: Cateter nasal ou máscara se SpO₂ < 94%.
  • Acesso Venoso: 2 acessos periféricos calibrosos (14G ou 16G).
  • Ressuscitação Volêmica: Paciente em fase inicial de choque séptico. Infundir Ringer Lactato 30 mL/kg (aprox. 2000 a 2500 mL) em bolus (correr em 30-60 min). [Ver Protocolo: Surviving Sepsis Campaign 2021].
  • Neuroproteção Básica: Cabeceira elevada a 30°, manter normotermia e normoglicemia.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Ceftriaxona (Rocefin®)2gIVDiluir em 100mL SF 0,9%Correr em 30 min1ª Linha. Dose meníngea (12/12h). Fazer IMEDIATAMENTE.
    Dipirona1gIVDiluir em 10mL AD ou SFLento (3-5 min)Controle térmico e analgesia.

    *Nota sobre Corticoterapia:* As diretrizes (IDSA) recomendam Dexametasona (0,15 mg/kg IV 6/6h) 10-20 minutos antes ou junto com a primeira dose do antibiótico empírico. Contudo, como o Gram já confirmou *N. meningitidis*, a dexametasona não possui benefício comprovado na redução de mortalidade ou sequelas neurológicas (benefício restrito ao *S. pneumoniae* e *H. influenzae*). Se ainda não foi feita, não está indicada. Se já foi feita empiricamente, deve ser suspensa.

    Estratégia Definitiva

  • Antibioticoterapia: Manter Ceftriaxona 2g IV 12/12h por 7 dias.
  • Notificação Compulsória: Imediata (telefone/e-mail) à vigilância epidemiológica local.
  • Quimioprofilaxia de Contatos Íntimos: Deve ser iniciada o mais rápido possível para contatos domiciliares, creches ou profissionais de saúde expostos a secreções respiratórias (ex: intubação sem EPI).
  • *Opção 1:* Rifampicina 600mg VO 12/12h por 2 dias (4 doses). CI: Gestantes.
  • *Opção 2:* Ciprofloxacino 500mg VO dose única.
  • *Opção 3:* Ceftriaxona 250mg IM dose única (escolha para gestantes).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: Clareamento do sensório (melhora do Glasgow), estabilização hemodinâmica (PAM ≥ 65 mmHg sem vasopressor), clareamento do lactato.
  • Sinais de Falha/Piora (Red Flags):
  • Expansão rápida das petéquias/equimoses (sugere Púrpura Fulminante / CIVD).
  • Choque refratário a volume: Iniciar Noradrenalina (0,01 a 3 mcg/kg/min).
  • Se choque persistente com alta dose de vasopressor, suspeitar de insuficiência adrenal (Waterhouse-Friderichsen) e iniciar Hidrocortisona 200mg/dia (50mg IV 6/6h ou infusão contínua).
  • Reavaliação: Neurológica (pupilas e Glasgow) a cada 1 hora. Não há indicação de punção lombar de controle se houver melhora clínica.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: A mortalidade da meningococcemia aumenta drasticamente a cada hora de atraso do antibiótico. A Ceftriaxona deve ser infundida na primeira hora de admissão.
  • ⚠️ ALERTA DE SEGURANÇA: Profissionais de saúde que realizaram o exame físico ou punção lombar utilizando máscara cirúrgica simples ou N95 não precisam de profilaxia, a menos que tenham sido expostos diretamente a secreções respiratórias (ex: aspiração, intubação, respiração boca a boca sem proteção).
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em UTI (Isolamento de Gotículas). O paciente apresenta rebaixamento do sensório e sinais de sepse, necessitando de monitorização hemodinâmica e neurológica estrita.
  • Especialista: Acionar Infectologia e Neurologia/Neurointensivismo.
  • Reavaliação: Monitorar sinais de hipertensão intracraniana (HIC). Se Glasgow cair para ≤ 8, proceder com Intubação Orotraqueal (IOT) em Sequência Rápida, preferencialmente com Fentanil, Cetamina e Rocurônio (evitar drogas que causem hipotensão severa).
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - IDSA, Surviving Sepsis Campaign) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Meningite bacteriana por Neisseria meningitidis (meningococcemia)

    Diferenciais esperados:
    • Meningite pneumocócica
    • Encefalite herpética
    • Hemorragia subaracnoide

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: