Meningite bacteriana por Neisseria meningitidis (meningococcemia) — Caso Residente
Apresentação Clínica
Homem de 33 anos, previamente hígido, febre alta 39.5°C há 24 horas com cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia e vômitos. Petéquias em MMII. Glasgow 13 (O3V4M6). Kernig e Brudzinski positivos. LCR: 2.500 céls (95% PMN), proteína 280, glicose 20 (glicemia 95, razão <0.4), Gram mostra diplococos Gram-negativos. Lactato do LCR 8.5. PA 95/60, FC 120, FR 22, T 39.5°C.
Síntese do Caso
Homem de 33 anos, previamente hígido, com quadro agudo (24h) de síndrome meníngea completa, rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 13) e sinais de choque séptico (PA limítrofe 95/60 mmHg, taquicardia 120 bpm). Apresenta rash petequial em membros inferiores e punção lombar com padrão bacteriano clássico (pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia severa, hiperproteinorraquia, lactato elevado), com Gram evidenciando diplococos Gram-negativos.
Hipótese Diagnóstica Principal
**Meningite Bacteriana Aguda por *Neisseria meningitidis* (Meningococcemia) — Confiança: 99%**
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Meningite por *S. pneumoniae* | 1% | Tríade meníngea, LCR purulento, gravidade. | Gram mostra diplococos Gram-negativos (pneumococo é Gram-positivo); rash petequial é raro. |
| 2 | Meningoencefalite Viral (HSV) | <1% | Febre, cefaleia, alteração do sensório. | LCR purulento com consumo de glicose e Gram positivo para bactéria. |
| 3 | Hemorragia Subaracnóidea (HSA) | <1% | Cefaleia intensa, rigidez de nuca, rebaixamento. | Presença de febre alta inicial; LCR purulento (HSA teria LCR hemorrágico/xantocrômico). |
Não Esqueça: A presença de petéquias e choque iminente levanta o alerta máximo para Síndrome de Waterhouse-Friderichsen (insuficiência adrenal aguda secundária a hemorragia bilateral das glândulas adrenais, complicação letal da meningococcemia) e Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD).
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
*Os pedidos foram gerados no sistema com códigos TUSS.*
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ceftriaxona (Rocefin®) | 2g | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | Correr em 30 min | 1ª Linha. Dose meníngea (12/12h). Fazer IMEDIATAMENTE. |
| Dipirona | 1g | IV | Diluir em 10mL AD ou SF | Lento (3-5 min) | Controle térmico e analgesia. |
*Nota sobre Corticoterapia:* As diretrizes (IDSA) recomendam Dexametasona (0,15 mg/kg IV 6/6h) 10-20 minutos antes ou junto com a primeira dose do antibiótico empírico. Contudo, como o Gram já confirmou *N. meningitidis*, a dexametasona não possui benefício comprovado na redução de mortalidade ou sequelas neurológicas (benefício restrito ao *S. pneumoniae* e *H. influenzae*). Se ainda não foi feita, não está indicada. Se já foi feita empiricamente, deve ser suspensa.
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - IDSA, Surviving Sepsis Campaign) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Meningite bacteriana por Neisseria meningitidis (meningococcemia)
- Meningite pneumocócica
- Encefalite herpética
- Hemorragia subaracnoide