Meningite criptocócica (neurocriptococose) em AIDS — Caso Residente
Apresentação Clínica
Homem de 43 anos, HIV+ com CD4 80 células/mm³, sem TARV, cefaleia progressiva há 3 semanas com febre baixa, confusão e rigidez de nuca leve. LCR: 80 céls (predominio linfocitário), proteína 95, glicose 25 (glicemia 90), tinta da China positiva com leveduras encapsuladas. Antígeno criptocócico no LCR 1:512. Pressão de abertura do LCR 32 cmH2O. RM mostra realce leptomeníngeo difuso e dilatação de espaços perivasculares. PA 110/70, FC 90, T 38°C, Glasgow 13.
Síntese do Caso
Homem de 43 anos, imunossuprimido grave (HIV+, CD4 80 células/mm³, sem TARV), apresentando síndrome meningoencefálica subaguda associada a rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 13). O LCR confirma infecção fúngica com alta carga (Tinta da China positiva, Antígeno Criptocócico 1:512) e Hipertensão Intracraniana (HIC) grave (Pressão de abertura de 32 cmH₂O). A RM corrobora o quadro com dilatação dos espaços de Virchow-Robin.
Hipótese Diagnóstica Principal
Meningoencefalite Criptocócica com Hipertensão Intracraniana Secundária — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais (Coinfecções a descartar)
Apesar do diagnóstico confirmado, em pacientes com imunossupressão severa (CD4 < 100), coinfecções do SNC são comuns e devem ser ativamente investigadas no mesmo LCR:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Meningite Tuberculosa | 30% | Evolução subaguda, LCR linfocitário, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia. | Ausência de febre alta, RM sem tuberculomas. |
| 2 | Neurossífilis | 20% | LCR linfocitário, paciente HIV+ sem TARV. | Quadro agudo de HIC é atípico. |
| 3 | Encefalite Toxoplásmica | 10% | CD4 < 100, cefaleia, confusão mental. | RM sem lesões focais com realce anelar. |
Não Esqueça: A presença de criptococo não exclui a necessidade de solicitar GeneXpert MTB/RIF e VDRL no LCR coletado.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos e Laboratoriais
Exames Complementares (Baseline para Toxicidade)
A terapia de indução é altamente nefrotóxica e espoliadora de eletrólitos. Os seguintes exames foram gerados via sistema para coleta imediata:
Conduta Terapêutica
A conduta deve ser dividida no manejo mecânico da HIC e na terapia farmacológica de indução.
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Fase de Indução - Primeiros 14 dias)
*A terapia padrão-ouro baseia-se nas diretrizes da OMS e do Ministério da Saúde (MS).*
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Hidratação Prévia (Obrigatória) | 500 a 1000 mL + 1 ampola KCl 10% | IV | SF 0,9% | Infundir em 1-2h | Fazer SEMPRE antes da Anfotericina para evitar nefrotoxicidade. |
| 2. Anfotericina B Lipossomal (AmBisome®) | 3 a 4 mg/kg/dia | IV | Diluir em SG 5% (NUNCA em SF 0,9%) | Infundir em 2h | 1ª Linha. Menor nefrotoxicidade. |
| *Alternativa:* Anfotericina B Desoxicolato | *0,7 a 1,0 mg/kg/dia* | IV | Diluir em 500mL SG 5% | Infundir em 4-6h | Usar apenas se a Lipossomal indisponível. |
| 3. Flucitosina (Ancobon®) | 100 mg/kg/dia | VO | Dividir em 4 tomadas (6/6h) | - | Associar à Anfotericina. Ajustar se ClCr < 40. |
| *Alternativa:* Fluconazol (Zoltec®) | *800 a 1200 mg/dia* | IV/VO | Ampolas de 200mg/100mL | Infundir em 1h | Usar se Flucitosina indisponível (realidade comum no BR). |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta e Escalonamento
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - OMS/Ministério da Saúde) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Meningite criptocócica (neurocriptococose) em AIDS
- Toxoplasmose cerebral
- Meningite tuberculosa
- Linfoma primário do SNC