Meningoencefalite criptocócica (Cryptococcus neoformans) em AIDS avançada com hipertensão intracraniana — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 35 anos, HIV+ diagnóstico há 2 semanas (sem TARV), internado com cefaleia intensa progressiva há 10 dias, febre baixa, confusão mental leve, rigidez de nuca discreta e perda visual. PA 110x70, FC 85, FR 18, SpO2 97%, T 37.8°C, Glasgow 14 (lentificado). Labs: CD4 45 células/mm³, CV HIV 250.000 cópias. Líquor: pressão de abertura 35 cmH2O, 10 células (linfomononucleares), proteína 80, glicose 35 (glicemia 95), tinta da China positiva, antígeno criptocócico liquórico título 1:2048. RNM encéfalo: realce leptomeníngeo e criptococomas em gânglios da base.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 35 anos, com imunossupressão severa recém-diagnosticada (HIV+, CD4 45), apresentando quadro subagudo de meningoencefalite associado a perda visual e sinais de hipertensão intracraniana (HIC) severa (pressão de abertura 35 cmH2O). O líquor confirma infecção fúngica com alta carga (Tinta da China positiva, CrAg 1:2048) e a RNM evidencia criptococomas.
Hipótese Diagnóstica Principal
Meningoencefalite Criptocócica com Hipertensão Intracraniana Severa e Criptococomas — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Apesar do diagnóstico principal confirmado, em pacientes com CD4 < 50, coinfecções são a regra. Pelo método *Rule Out*:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Neurotoxoplasmose | 30% | CD4 < 50, lesões em gânglios da base | RNM sem realce anelar típico, líquor não característico |
| 2 | Meningite Tuberculosa | 20% | Quadro subagudo, febre, pleocitose linfomononuclear | Tinta da China positiva explica o quadro atual |
| 3 | Neurossífilis | 15% | HIV+, quadro neurológico | Ausência de VDRL liquórico relatado |
| 4 | Encefalite por CMV | 10% | CD4 < 50, confusão mental | RNM sem ventriculite típica |
Não Esqueça: A perda visual pode ser secundária à HIC (papiledema), mas em pacientes com CD4 < 50, a Retinite por CMV é uma coinfecção ocular letal para a visão que NÃO deve ser descartada sem avaliação oftalmológica imediata.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (Pedido Gerado no Sistema)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
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Conduta Terapêutica
Baseado nos guidelines da *Infectious Diseases Society of America (IDSA)* e *Organização Mundial da Saúde (OMS 2022)*.
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Fase de Indução - Primeiros 14 dias)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1ª Linha (Opção A): Anfotericina B Lipossomal (AmBisome®) | 3 a 4 mg/kg/dia | IV | Diluir em 250-500mL de SG 5% (NUNCA usar SF 0,9% na diluição do fármaco) | Infundir em 2 horas | Pré-hidratação obrigatória: 500mL a 1000mL de SF 0,9% IV antes da infusão para proteção renal. |
| + Flucitosina (Ancobon®) | 100 mg/kg/dia | VO | Dividir a dose total em 4 tomadas (a cada 6h) | - | Ajustar se ClCr < 40. Padrão-ouro associado à Anfotericina. |
| 1ª Linha (Opção B - Se Flucitosina indisponível): Fluconazol (Zoltec®) | 800 a 1200 mg/dia | IV/VO | Ampolas 200mg/100mL. Infundir puro. | Infundir em 1-2 horas | Usar dose máxima (1200mg) devido à gravidade e criptococomas. |
Estratégia Definitiva
O tratamento farmacológico é dividido em 3 fases, mas o manejo mecânico do líquor é o que salva a visão e a vida nas primeiras semanas.
1. Manejo Contínuo da HIC (Mecânico):
2. Fase de Indução (Semanas 1 e 2): Anfotericina B Lipossomal + Flucitosina (ou Fluconazol).
3. Fase de Consolidação (Semanas 3 a 10): Fluconazol 400 a 800 mg/dia VO.
4. Fase de Manutenção: Fluconazol 200 mg/dia VO até que o paciente complete 1 ano de tratamento E tenha CD4 > 200 células/mm³ por pelo menos 6 meses em uso de TARV.
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Meningoencefalite criptocócica (Cryptococcus neoformans) em AIDS avançada com hipertensão intracraniana
- Neurotoxoplasmose
- Meningite tuberculosa
- Linfoma primário do SNC
- Leucoencefalopatia multifocal progressiva (LEMP)