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Metástases hepáticas ressecáveis de adenocarcinoma colorretal (KRAS mutado) — candidato a hepatectomia curativa com QT perioperatória — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem 38 anos, adenocarcinoma de cólon sigmoide (MSS, KRAS G12D mutado, BRAF wild-type) ressecado há 1 ano (T3N2M0, estágio IIIC). QT adjuvante com FOLFOX completada há 6 meses. CEA em ascensão: 3,5 → 12 → 45 ng/mL em 3 meses. TC abdome: 3 metástases hepáticas — 2 em lobo direito (3cm e 2cm) e 1 em lobo esquerdo (1,5cm), todas ressecáveis pela equipe de cirurgia hepatobiliar. Sem doença extra-hepática. RNM hepática com Primovist: confirma 3 lesões, sem acometimento vascular. PA 125x78 mmHg, FC 72bpm. CEA 45 ng/mL. Solicita QT perioperatória (FOLFOX ou FOLFIRI + bevacizumabe) e critérios de ressecabilidade hepática (volume remanescente funcional, margem R0).

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Homem, 38 anos, com câncer colorretal metastático (mCRC) metacrônico oligometastático restrito ao fígado (3 lesões resecáveis). Apresenta recidiva precoce (exatamente 6 meses após término de QT adjuvante com FOLFOX). Perfil molecular: KRAS G12D mutado (resistente a anti-EGFR) e MSS. O foco da decisão é a estratégia perioperatória e a validação dos critérios de ressecabilidade hepática.

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Análise Oncológica e Estratégia Terapêutica (EBM)

A abordagem deste paciente exige atenção a dois fatores críticos baseados nos guidelines da ESMO e NCCN para mCRC:

1. Resistência à Oxaliplatina: Como a recidiva ocorreu em um intervalo ≤ 6 meses após o término do FOLFOX adjuvante, a doença é considerada refratária/resistente à oxaliplatina. O re-desafio com FOLFOX perioperatório é contraindicado. O *backbone* quimioterápico de escolha passa a ser o FOLFIRI (baseado em Irinotecano).

2. Papel do Bevacizumabe em Doença Ressecável: Para metástases hepáticas *upfront* (inicialmente) ressecáveis, a adição de agentes biológicos (como o Bevacizumabe) à quimioterapia perioperatória não demonstrou benefício em sobrevida global em ensaios clínicos randomizados e aumenta o risco de complicações cirúrgicas (sangramento, deiscência, falha de regeneração hepática).

3. Cirurgia Upfront vs. QT Neoadjuvante: Sendo as lesões claramente ressecáveis e o paciente tendo exposição recente à QT, a cirurgia upfront (imediata) seguida de QT adjuvante (FOLFIRI) é a estratégia preferencial na maioria dos *Tumor Boards*, evitando a toxicidade hepática adicional pré-operatória. Caso a equipe opte por QT neoadjuvante para "teste de biologia tumoral", recomenda-se FOLFIRI isolado.

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Critérios de Ressecabilidade Hepática

A ressecabilidade não é definida pelo número ou tamanho das lesões, mas pela capacidade de ressecção completa com preservação de parênquima funcional.

1. Critérios Anatômicos (Margem R0)

  • Margem Livre: O objetivo é a ressecção R0. Historicamente exigia-se > 1 cm, mas atualmente margens > 1 mm são consideradas oncologicamente adequadas e suficientes, desde que não haja tumor na margem de corte.
  • Preservação Estrutural: É obrigatório preservar pelo menos dois segmentos hepáticos contíguos com:
  • Fluxo arterial intacto (Artéria Hepática).
  • Fluxo portal intacto (Veia Porta).
  • Drenagem venosa intacta (Veias Hepáticas).
  • Drenagem biliar intacta.
  • 2. Critérios Funcionais (Volume Remanescente Funcional - FLR)

    O *Future Liver Remnant* (FLR) ou Remanescente Hepático Futuro deve ser calculado por volumetria na TC/RNM. Os pontos de corte de segurança são:

  • > 20-25%: Fígado totalmente normal.
  • > 30-40%: (O CASO DO PACIENTE) Fígado submetido a quimioterapia prévia. O uso recente de FOLFOX causa lesão sinusoidal (Síndrome de Obstrução Sinusoidal / *Blue Liver*).
  • > 40%: Fígado cirrótico (Child A).
  • *Nota: Se o FLR estimado for insuficiente, estratégias como Embolização da Veia Porta (PVE) ou ALPPS devem ser consideradas antes da ressecção.*

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    Conduta Terapêutica (Sequência Temporal)

    1. Medidas Imediatas e Preparo (Tempo 0)

  • Discussão Multidisciplinar (Tumor Board): Decisão entre Cirurgia Upfront vs. QT Neoadjuvante.
  • Avaliação de Risco Cirúrgico: ECG, Ecocardiograma, avaliação nutricional e pré-anestésica.
  • Volumetria Hepática: Confirmação formal do FLR > 30% pelo radiologista.
  • 2. Estratégia Definitiva (Opção 1: Cirurgia Upfront - Preferencial)

  • Procedimento: Hepatectomia (segmentectomias ou hepatectomia regrada) visando R0.
  • Adjuvância Pós-operatória: Iniciar FOLFIRI 4 a 6 semanas após a cirurgia, completando um total de 6 meses de tratamento perioperatório (considerando o tempo total).
  • 3. Estratégia Alternativa (Opção 2: QT Neoadjuvante)

    Se optado por QT antes da cirurgia (para avaliar resposta biológica do tumor de crescimento rápido):

    Medicação (Protocolo FOLFIRI)Dose / PosologiaViaPreparo / DiluiçãoTempo de Infusão
    Irinotecano (Camptosar®)180 mg/m² (D1)IVDiluir em 250-500mL SF 0,9% ou SG 5%90 minutos
    Ácido Folínico (Leucovorin)400 mg/m² (D1)IVDiluir em 250mL SF 0,9% ou SG 5%120 min (junto com Irinotecano)
    5-Fluorouracil (5-FU) - *Bolus*400 mg/m² (D1)IVDireto na via ou em 50mL SF 0,9%*Bolus* (5-10 minutos)
    5-Fluorouracil (5-FU) - *Infusão*2400 mg/m² (D1-D2)IVBomba elastomérica ou infusoraInfusão contínua por 46 horas

    *Frequência: Ciclos a cada 14 dias. Fazer 4 a 6 ciclos, reestadiar com TC/RNM e operar.*

    4. Avaliação de Resposta e Acompanhamento

  • Critérios de Sucesso: Ressecção R0 confirmada por patologia; queda do CEA para níveis normais (< 5 ng/mL) no pós-operatório (meia-vida do CEA é de 7-14 dias).
  • Monitoramento Pós-Ressecção: CEA a cada 3 meses; TC de tórax, abdome e pelve a cada 3-6 meses por 2 anos, depois a cada 6-12 meses até 5 anos. Colonoscopia em 1 ano.
  • 5. Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE RESISTÊNCIA: Não utilizar Oxaliplatina (FOLFOX/CAPOX). A recidiva em 6 meses indica clone resistente.
  • ⚠️ ALERTA CIRÚRGICO (BEVACIZUMABE): Se a equipe oncológica insistir no uso de Bevacizumabe (Avastin®) na neoadjuvância (apesar da falta de evidência para doença ressecável), ele DEVE SER SUSPENSO rigorosamente 6 a 8 semanas (mínimo de 2 meias-vidas) antes da cirurgia hepática, devido ao alto risco de sangramento grave e falha na regeneração hepática. O Bevacizumabe não deve ser reiniciado até pelo menos 28 dias de pós-operatório e com ferida operatória totalmente cicatrizada.
  • ⚠️ ALERTA DE TOXICIDADE (IRINOTECANO): Risco de síndrome colinérgica aguda (tratar com Atropina 0,25mg SC/IV) e diarreia tardia grave (tratar com Loperamida 4mg VO ataque, seguido de 2mg a cada 2h até cessar diarreia por 12h).
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ESMO/NCCN Guidelines for mCRC) e não substitui o julgamento clínico presencial e a decisão em Tumor Board multidisciplinar.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Metástases hepáticas ressecáveis de adenocarcinoma colorretal (KRAS mutado) — candidato a hepatectomia curativa com QT perioperatória

    Diferenciais esperados:
    • Metástases irressecáveis requerendo conversão com QT
    • Hemangiomas hepáticos
    • CHC metacrônico

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: