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Migrânea com aura — frequência elevada com cefaleia por uso excessivo de analgésicos (MOH) sobreposta — Caso Estudante

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Apresentação Clínica

Mulher 35 anos, episódios de cefaleia pulsátil unilateral (alternante) há 5 anos, com frequência de 5 episódios/mês, duração de 12-48h, intensidade 8/10, acompanhada de fotofobia, fonofobia e náuseas. Piora com atividade física. Alguns episódios precedidos por escotomas cintilantes durando 20 minutos (aura visual). Menstruação como fator desencadeante. Uso atual de analgésicos comuns > 10 dias/mês. PA 118x72 mmHg, FC 74bpm, T 36,5°C. Exame neurológico completamente normal. Sem sinais de alerta (SNOOPPP). Critérios ICHD-3 preenchidos. Solicita profilaxia (propranolol vs topiramato vs amitriptilina), manejo de cefaleia por uso excessivo de analgésicos e triptano para crise.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Mulher, 35 anos, com quadro clássico de Migrânea com e sem aura (critérios ICHD-3), alta frequência (5 crises/mês) e impacto funcional (intensidade 8/10). O quadro é agravado por **Cefaleia por Uso Excessivo de Analgésicos (MOH - *Medication Overuse Headache*)**, dado o uso > 10 dias/mês. Exame neurológico normal e ausência de *red flags* (SNOOPPP) confirmam a natureza primária da cefaleia.

Abaixo, o plano terapêutico estruturado para o manejo da crise, desmame de analgésicos e escolha profilática.

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Medidas Imediatas (Tempo 0) — Manejo do Uso Excessivo (MOH)

O tratamento profilático tem sua eficácia drasticamente reduzida se o uso excessivo de analgésicos não for interrompido.

* Desmame Abrupto: Suspender imediatamente os analgésicos simples que estão sendo usados em excesso.

* Educação do Paciente (Regra de Ouro): Limitar o uso de analgésicos simples/AINEs a < 15 dias/mês e triptanos a < 10 dias/mês.

* **Terapia de Transição (*Bridge Therapy*):** Para evitar a cefaleia de rebote nas primeiras 2 semanas de suspensão, pode-se utilizar:

* Naproxeno 500mg VO 12/12h por 10 a 14 dias, OU

* Prednisona 40-60mg/dia VO por 5 dias, com desmame rápido (se rebote refratário).

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Medicações Iniciais — Tratamento Abortivo da Crise

A estratégia para a crise deve ser precoce (nos primeiros 30-60 minutos do início da dor, preferencialmente na fase leve) e estratificada.

MedicaçãoDoseViaPreparo/TempoObservação
Sumatriptana (Sumax®)50 a 100 mgVODose única no início da dor.Pode repetir 1x após 2h se a dor retornar. Máx: 200mg/24h.
Naproxeno (Flanax®)500 mgVOJunto com o triptano.A associação Triptano + AINE tem sinergismo comprovado.
Metoclopramida (Plasil®)10 mgVO/IVSe náusea associada.Melhora a gastroparesia da enxaqueca e absorção dos outros fármacos.

*Alternativa de Triptano (Crises Menstruais/Prolongadas):* Naratriptana (Naramig®) 2,5mg VO. Tem início de ação mais lento, porém meia-vida mais longa, excelente para recorrência menstrual.

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Estratégia Definitiva — Escolha da Profilaxia

A indicação de profilaxia é clara (≥ 4 dias de dor/mês ou impacto funcional significativo). A escolha entre as três opções solicitadas deve ser individualizada com base no perfil da paciente (35 anos, PA 118x72, FC 74).

#### Comparativo das Opções Profiláticas (1ª e 2ª Linhas)

FármacoPosologia e TitulaçãoVantagens no PerfilDesvantagens / Contraindicações (CI)
1. Propranolol (Inderal®)Iniciar: 20-40mg/dia VO.<br>Alvo: 80-160mg/dia (dividido 2x).Excelente 1ª linha. Paciente tem PA e FC que toleram bem. Reduz ansiedade associada.CI: Asma, bloqueios atrioventriculares, bradicardia severa. Pode causar fadiga e ganho de peso leve.
2. Topiramato (Amato®)Iniciar: 25mg à noite por 1 sem.<br>Alvo: 50mg 12/12h (aumentar 25mg/sem).Excelente 1ª linha. Promove perda de peso. Eficaz em migrânea crônica.CI: Nefrolitíase, glaucoma. Alerta: Teratogênico e reduz eficácia de ACOs (ver alertas).
3. Amitriptilina (Tryptanol®)Iniciar: 10-25mg à noite.<br>Alvo: 25-50mg à noite.Boa se houver insônia associada, ansiedade ou cefaleia tensional mista.Efeitos anticolinérgicos (boca seca, constipação), ganho de peso, sonolência diurna.

Recomendação de Conduta:

Dado o perfil da paciente (jovem, normotensa, sem comorbidades psiquiátricas relatadas), o Propranolol desponta como a escolha inicial mais segura e com excelente nível de evidência (Nível A). Se houver preocupação com ganho de peso, o Topiramato é a alternativa de Nível A, desde que o risco gestacional seja mitigado.

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Avaliação de Resposta

* Critérios de Sucesso: Redução de ≥ 50% na frequência, duração ou intensidade das crises após 2 a 3 meses de uso na dose alvo.

* Tempo de Manutenção: Manter a profilaxia por 6 a 12 meses após o controle, seguido de desmame gradual.

* Escalonamento: Se falha após 2-3 meses na dose máxima tolerada, trocar de classe (ex: Betabloqueador → Anticonvulsivante) ou considerar anticorpos monoclonais anti-CGRP (Erenumabe, Galcanezumabe) como 3ª linha.

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Alertas Críticos

* ⚠️ ALERTA DE INTERAÇÃO E TERATOGENIA (Topiramato): Em mulheres em idade fértil (35 anos), o Topiramato exige dupla atenção. É teratogênico (fissura palatina) e, em doses > 200mg/dia, induz o citocromo P450, reduzindo a eficácia de anticoncepcionais orais combinados (ACOs).

* ⚠️ ALERTA DE RISCO CARDIOVASCULAR (Aura + ACO): A paciente possui Migrânea com Aura. O uso de Anticoncepcionais Orais Combinados (estrogênio) nesta população é contraindicado (Categoria 4 da OMS) devido ao risco inaceitável de Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi). Se ela usar ACO para controle do ciclo menstrual, deve ser trocado para pílula só de progestágeno, DIU ou implante.

* Contraindicações dos Triptanos: Apesar de seguros na aura visual típica, são estritamente contraindicados em migrânea hemiplégica, migrânea com aura de tronco cerebral (basilar), doença isquêmica do coração, AVC/AIT prévio e hipertensão não controlada.

*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), incluindo os critérios da International Headache Society (ICHD-3) e protocolos da American Headache Society (AHS), e não substitui o julgamento clínico presencial.*

Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

Migrânea com aura — frequência elevada com cefaleia por uso excessivo de analgésicos (MOH) sobreposta

Diferenciais esperados:
  • Cefaleia tensional crônica
  • Cefaleia em cluster
  • Malformação arteriovenosa (MAV)
  • Hipertensão intracraniana

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Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: