Miocardite aguda fulminante (provável viral) com choque cardiogênico — FEVE severamente deprimida, padrão de realce não isquêmico na RNM — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 42 anos, previamente hígido, após quadro viral respiratório há 2 semanas evolui com dor torácica tipo pleurítica, dispneia progressiva, fadiga extrema e síncope. PA 85x55, FC 115, FR 26, SpO2 88%, T 37.8°C, Glasgow 14. B3, estase jugular, estertores bibasais, hepatomegalia dolorosa. ECG: taquicardia sinusal, baixa voltagem, alterações difusas da repolarização, ESSV e ESV frequentes. Troponina 8.5 ng/mL (muito elevada). BNP 3.500. ECO: miocardiopatia dilatada com FEVE 18%, hipocinesia difusa, derrame pericárdico leve. RNM cardíaca (quando estabilizado): edema miocárdico difuso (T2), realce tardio mesocárdico e subepicárdico difuso (padrão não isquêmico). Coronariografia: sem lesões obstrutivas.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 42 anos, previamente hígido, apresentando quadro de choque cardiogênico (Perfil C da Insuficiência Cardíaca: frio e úmido) com disfunção biventricular grave (FEVE 18%) e instabilidade elétrica, precedido por pródromo viral. A investigação afasta etiologia isquêmica (coronárias normais) e confirma padrão inflamatório agudo por ressonância magnética.
Hipótese Diagnóstica Principal
Miocardite Viral Fulminante complicada com Choque Cardiogênico — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Síndrome Coronariana Aguda (SCA) | 1% | Dor torácica, choque, troponina muito elevada, disfunção VE. | Coronariografia normal; padrão de realce tardio não isquêmico na RNM. |
| 2 | Tromboembolismo Pulmonar (TEP) Maciço | 5% | Dor pleurítica, dispneia, síncope, choque, hipóxia, taquicardia. | Disfunção difusa e grave do VE (TEP afeta primariamente o VD); RNM com miocardite. |
| 3 | Miocardiopatia por Estresse (Takotsubo) | 5% | Dor torácica, choque, elevação de biomarcadores, coronárias normais. | Ausência de *ballooning* apical típico no ECO; presença de realce tardio na RNM. |
| 4 | Tamponamento Cardíaco | 1% | Choque, turgência jugular, baixa voltagem no ECG. | ECO demonstra derrame pericárdico apenas leve, sem restrição diastólica. |
Não Esqueça (Red Flag): Miocardite de Células Gigantes ou Eosinofílica Necrotizante. Apresentam evolução fulminante idêntica, porém com altíssima refratariedade a inotrópicos e arritmias ventriculares incessantes. Se não houver resposta rápida ao suporte, a biópsia endomiocárdica (BEM) é mandatória para guiar imunossupressão agressiva.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
*Pedido médico estruturado gerado no sistema com códigos TUSS.*
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Conduta Terapêutica
[Ver Protocolo: ACLS - Cuidados Pós-RCE e Choque](protocol:acls-protocols)
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
O paciente necessita de suporte inotrópico (para a FEVE 18%) e vasopressor (para o choque vasoplégico/misto).
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Noradrenalina (Hemitartarato de Norepinefrina) | 0,05 a 0,5 mcg/kg/min | IV (CVC) | Diluir 4 ampolas (16mg/16mL) em 234mL SG 5% (Conc: 0,064 mg/mL). | Contínuo | 1ª Linha Vasopressora. Titular para PAM > 65 mmHg. *Ex: Para paciente de 70kg a 0,1 mcg/kg/min = 6,5 mL/h.* |
| Dobutamina (Dobutrex®) | 2 a 20 mcg/kg/min | IV (CVC) | Diluir 1 ampola (250mg/20mL) em 230mL SG 5% (Conc: 1 mg/mL). | Contínuo | 1ª Linha Inotrópica. Iniciar após PAM > 65 com Noradrenalina. Aumenta contratilidade e débito cardíaco. |
| Furosemida (Lasix®) | 20 a 40 mg | IV | Ampola 20mg/2mL. Fazer em bolus lento. | Após estabilizar PA | Apenas após estabilização da PAM. Tratar a congestão pulmonar (estertores) e sistêmica (estase). |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Miocardite aguda fulminante (provável viral) com choque cardiogênico — FEVE severamente deprimida, padrão de realce não isquêmico na RNM
- IAM anterior (DA proximal)
- Cardiomiopatia de Takotsubo
- Miocardite de células gigantes
- Sarcoidose cardíaca aguda