Parada secundária da dilatação — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Primigesta 27 anos, IG 39 semanas, admitida em trabalho de parto ativo há 8 horas. Evolui com dilatação estacionada em 7cm nas últimas 3 horas apesar de dinâmica uterina de 4 contrações/10min com duração de 50s. PA 120x70 mmHg, FC 88bpm, T 36,8°C. BCF 150bpm com desacelerações variáveis leves. Toque: colo 7cm, fino, mediano, apresentação cefálica em plano De Lee -1, bolsa rota com líquido claro. Variedade de posição OEA.
Síntese do Caso
Primigesta a termo (39 semanas) em trabalho de parto ativo, apresentando parada da progressão cervical (estacionada em 7 cm há 3 horas) a despeito de dinâmica uterina adequada (4 contrações/10 min). O feto encontra-se em plano alto (De Lee -1) com bolsa rota e desacelerações variáveis leves ao monitoramento, sugerindo obstáculo mecânico à descida.
Hipótese Diagnóstica Principal
Parada Secundária da Dilatação / Suspeita de Desproporção Cefalopélvica (DCP) — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Distócia Funcional (Motor) | 5% | Parada da dilatação. | Dinâmica uterina já está ideal (4/10 min). |
| 2 | Distócia de Posição | 5% | Parada da descida/dilatação. | Variedade de posição é OEA (fletida, ideal). |
| 3 | Sofrimento Fetal Agudo | 15% | Desacelerações variáveis (compressão funicular). | BCF basal normal (150 bpm), desacelerações apenas *leves*. |
Não Esqueça: A presença de desacelerações variáveis com bolsa rota indica compressão de cordão umbilical. Embora leves no momento, a persistência de contrações fortes contra um obstáculo mecânico (DCP) pode evoluir rapidamente para hipóxia fetal (desacelerações tardias/DIP II).
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito):
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Preparo e Suporte)
Caso a paciente evolua para a via cirúrgica (altamente provável), o preparo farmacológico profilático deve ser instituído:
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ringer Lactato | 500 mL | IV | Infusão rápida | T0 | Expansão volêmica leve para otimizar perfusão placentária. |
| Cefazolina (Kefazol®) | 2g | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | 30-60 min antes da incisão | Profilaxia cirúrgica (1ª linha). Se IMC > 30, usar 3g. |
| Azitromicina (Zitromax®) | 500mg | IV | Diluir em 250mL SF 0,9% (correr em 1h) | Pré-operatório | Adicionar à Cefazolina em cesarianas intraparto (reduz endometrite). |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), como ACOG e FEBRASGO, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Parada secundária da dilatação
- Desproporção cefalopélvica
- Distocia funcional
- Deflexão de apresentação