Pericardite constritiva crônica (seqüela de pericardite tuberculosa) — fisiologia restritiva por espessamento/calcificação pericárdica — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 58 anos, história de pericardite tuberculosa tratada há 5 anos, internado com dispneia progressiva, edema de MMII, ascite e fadiga intensa. PA 110x80 (pressão de pulso reduzida), FC 90, FR 22, SpO2 94%, T 36.5°C, Glasgow 15. Turgência jugular com sinal de Kussmaul (aumento da jugular na inspiração), knock pericárdico (B3 precoce), ascite desproporcional ao edema periférico. ECG: baixa voltagem difusa, inversão de T inespecífica. ECO: espessamento pericárdico, septal bounce, variação respiratória exagerada das velocidades mitrais e tricúspides (>25%), VE com dimensões normais, FEVE 55%. TC/RNM: espessamento e calcificação pericárdica. Cateterismo: equalização das pressões diastólicas nas 4 câmaras, dip-and-plateau (square root sign).
Síntese do Caso
Paciente masculino, 58 anos, com antecedente de pericardite tuberculosa, apresentando quadro clássico de insuficiência cardíaca direita (ascite desproporcional ao edema, turgência jugular). O exame físico (Sinal de Kussmaul, *knock* pericárdico) e os exames complementares (ECG com baixa voltagem, ECO com *septal bounce* e variação respiratória >25%, TC com calcificação e Cateterismo com *dip-and-plateau* e equalização de pressões) fecham o diagnóstico definitivo de restrição ao enchimento diastólico ventricular.
Hipótese Diagnóstica Principal
Pericardite Constritiva Crônica (pós-tuberculosa) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Cardiomiopatia Restritiva | 5% | IC direita, ascite, dispneia, turgência jugular. | ECO com variação respiratória (ausente na restrição); TC com calcificação pericárdica; CATE com equalização de pressões (na restrição, a PdVE costuma ser > PdVD em > 5 mmHg). |
| 2 | Tamponamento Cardíaco | 1% | Turgência jugular, baixa voltagem no ECG. | Ausência de pulso paradoxal (apresenta Kussmaul); ECO sem derrame significativo; CATE com descenso *y* proeminente (no tamponamento o descenso *y* é ausente/apagado). |
| 3 | Cor Pulmonale / TEP Crônico | 1% | Sinais de falência de VD. | Achados específicos de constrição no ECO e CATE; ausência de hipoxemia severa. |
| 4 | Cirrose Hepática | <1% | Ascite volumosa, edema. | Turgência jugular patológica, Kussmaul, alterações estruturais cardíacas. |
Não Esqueça: Reativação de Tuberculose Ativa. Mesmo com tratamento prévio há 5 anos, a presença de imunossupressão ou falha terapêutica prévia deve ser descartada antes de procedimentos invasivos.
Confirmação Diagnóstica
O diagnóstico já está confirmado pelos exames de alta complexidade descritos (ECO, TC, CATE). O foco agora é o preparo pré-operatório e estratificação de risco.
Exames Complementares (Preparo e Estratificação)
Laboratoriais:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Manejo Sintomático)
O tratamento clínico é apenas paliativo e preparatório para a cirurgia.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Furosemida (Lasix®) | 20 a 40 mg | IV | Direto (ampola 20mg/2mL) | ACM | 1ª Linha para congestão. Fazer em bolus lento. Meta é alívio da dispneia/ascite sem causar hipotensão. |
| Espironolactona (Aldactone®) | 25 a 50 mg | VO | Comprimido | 1x/dia | Adjuvante. Útil no controle da ascite e hiperaldosteronismo secundário à congestão hepática. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Pericardite constritiva crônica (seqüela de pericardite tuberculosa) — fisiologia restritiva por espessamento/calcificação pericárdica
- Cardiomiopatia restritiva (amiloidose, endomiocardiofibrose)
- ICC direita por cor pulmonale
- Tamponamento cardíaco subagudo