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Politrauma com choque hemorrágico classe IV (TCE + trauma abdominal + fratura de pelve + fratura exposta de fêmur) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Paciente masculino, 27 anos, vítima de colisão moto vs caminhão em alta velocidade. SAMU relata Glasgow 8 na cena (O2V2M4), intubado em campo. Chegada ao PS: PA 75x40, FC 140, FR via VM 16, SpO2 92%, T 35.2°C. FAST positivo com líquido livre em Morrison e pelve. Fratura exposta de fêmur D Gustilo IIIB. Pelve instável (livro aberto) ao exame. Hb 5.8 g/dL, lactato 8.5, pH 7.15, INR 1.8. Base excess -12. Protocolo de transfusão maciça ativado.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente masculino, 27 anos, vítima de politraumatismo contuso de alta energia, admitido intubado e em choque hemorrágico Classe IV (PA 75x40, FC 140). Apresenta múltiplos focos de sangramento maciço (FAST positivo, pelve instável em livro aberto, fratura exposta de fêmur Gustilo IIIB) e já instalou a Tríade Letal do Trauma (hipotermia 35.2°C, acidose metabólica grave com pH 7.15 e BE -12, e coagulopatia com INR 1.8).

Hipótese Diagnóstica Principal

Choque Hemorrágico Grau IV secundário a Politrauma Grave com Tríade Letal — Confiança: 100%

  • Justificativa: O paciente apresenta perda volêmica estimada > 40% (Classe IV do ATLS), evidenciada por taquicardia extrema, hipotensão profunda e sinais de hipoperfusão tecidual grave (Lactato 8.5). Os focos de sangramento estão claros: intra-abdominal (FAST+), retroperitoneal (pelve em livro aberto) e ortopédico (fêmur).
  • Correlação: Preenche critérios absolutos para Ressuscitação de Controle de Danos (Damage Control Resuscitation) e acionamento do Protocolo de Transfusão Maciça (PTM). [Ver Protocolo: ATLS](protocol:atls-protocols).
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Choque Obstrutivo (Pneumotórax Hipertensivo / Tamponamento)15%Cinemática de alta energia, hipotensão grave, intubação pré-hospitalar (risco de barotrauma).FAST não relatou derrame pericárdico; choque é explicável pelas perdas sanguíneas óbvias.
    2Choque Neurogênico (TRM cervical/torácico alto)5%Cinemática grave, rebaixamento de nível de consciência na cena (Glasgow 8).Taquicardia extrema (FC 140) e extremidades frias (lactato alto) afastam choque distributivo puro.
    3Choque Cardiogênico (Contusão Miocárdica)5%Trauma torácico contuso associado à colisão.Ausência de relato de arritmias específicas; a hipovolemia é a causa primária da falência hemodinâmica.
    Não Esqueça: Lesões de aorta torácica contusa. Embora o sangramento abdominal e pélvico seja evidente, a cinemática de desaceleração súbita impõe altíssimo risco de dissecção/ruptura traumática de aorta.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Classificação de Choque do ATLS (11ª Ed): Classe IV (FC > 140, PA diminuída, confusão/letargia pré-intubação, necessidade imediata de sangue).
  • Score ABC (Assessment of Blood Consumption): > 2 pontos (FC > 120, PA < 90, FAST positivo), indicando necessidade de transfusão maciça.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Radiografia de Pelve AP: Confirmar o padrão da fratura (compressão anteroposterior / livro aberto) para guiar a fixação.
  • Radiografia de Tórax AP: Descartar hemopneumotórax ou alargamento de mediastino.
  • Tromboelastograma (TEG) ou ROTEM: Padrão-ouro atual para guiar a reversão da coagulopatia induzida pelo trauma de forma direcionada.
  • Laboratoriais:

    *O pedido estruturado com códigos TUSS foi gerado no sistema para os seguintes exames:* Tipagem Sanguínea, Prova Cruzada (Crossmatch), Fibrinogênio, Cálcio Iônico, Gasometria Arterial seriada e Coagulograma.

    Imagem:

  • ⚠️ Tomografia Computadorizada (Pan-scan): CONTRAINDICADA NESTE MOMENTO. Pacientes com instabilidade hemodinâmica refratária e FAST positivo têm indicação de laparotomia imediata, não de tomografia.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Fechamento Pélvico IMEDIATO: Passar cinta pélvica (binder) ou lençol firmemente amarrado ao nível dos trocânteres maiores (NÃO nas cristas ilíacas) para reduzir o volume pélvico e tamponar o sangramento venoso/ósseo.
  • Controle Ortopédico: Alinhamento e tração manual do fêmur D com curativo compressivo estéril na ferida exposta.
  • Controle de Hipotermia: Manta térmica de ar aquecido (Bair Hugger®), infusão de fluidos e sangue exclusivamente por aquecedor de fluidos (Level 1® ou Belmont®), elevação da temperatura da sala de trauma.
  • Acessos: Garantir 2 acessos venosos periféricos calibrosos (14G ou 16G). Se insucesso em 60 segundos, proceder com acesso intraósseo (IO) bilateral.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Ácido Tranexâmico (Transamin®)1gIVDiluir em 100mL SF 0,9%Infundir em 10 min*1ª Linha.* Fazer se < 3h do trauma. Seguir com 1g IV em infusão contínua por 8h.
    Hemoderivados (PTM)Proporção 1:1:1IVAquecido (Level 1®)ImediatoIniciar com sangue O- (ou O+ para homens) até tipagem. 1 CHAD : 1 PFC : 1 Plaquetas.
    Cloreto de Cálcio 10%1g (1 ampola)IVLento (em acesso calibroso)5-10 minFazer a cada 4 bolsas de sangue transfundidas para evitar hipocalcemia por citrato.
    Cefazolina (Kefazol®)2gIVDireto ou em 50mL SFImediatoProfilaxia para fratura exposta.
    Gentamicina (Garamicina®)5 mg/kgIVDiluir em 100mL SF 0,9%30 minCobertura Gram-negativa obrigatória para Gustilo IIIB.

    Estratégia Definitiva (Damage Control Surgery)

  • Acionamento Imediato: Cirurgia do Trauma e Ortopedia.
  • Destino: Transferência direta da Sala de Emergência para o Centro Cirúrgico.
  • Procedimentos Indicados:
  • 1. Laparotomia Exploradora de Controle de Danos: Para controle do sangramento intra-abdominal (FAST+).

    2. Empacotamento Pélvico Pré-peritoneal (Pelvic Packing) / Fixação Externa: Se a pelve continuar sangrando após o fechamento com a cinta. Angioembolização é uma alternativa se houver sala híbrida e sangramento arterial confirmado, mas a cirurgia aberta é mais rápida no paciente *in extremis*.

    3. Lavagem e Fixação Externa do Fêmur: Controle de danos ortopédico.

  • Profilaxia Antitetânica: Administrar vacina (dT) + Imunoglobulina Humana Antitetânica (IGHAT) 250 UI IM, devido à fratura exposta grave e suja.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: PAM > 65 mmHg, melhora do débito urinário (> 0.5 mL/kg/h), clareamento do lactato, correção do pH (> 7.20) e normalização do cálcio iônico (> 1.1 mmol/L).
  • Sinais de Falha: Necessidade contínua de transfusão sem estabilização pressórica, indicando sangramento arterial não controlado cirurgicamente.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: A Tríade Letal (Hipotermia, Acidose, Coagulopatia) já está instalada. A mortalidade aumenta exponencialmente a cada minuto sem controle mecânico do sangramento.
  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO: NUNCA infunda cristaloides em grandes volumes (SF 0,9% ou Ringer) neste cenário. Eles pioram a hipotermia, diluem os fatores de coagulação e agravam a acidose hiperclorêmica. A ressuscitação deve ser puramente hemostática (sangue e derivados).
  • ⚠️ ALERTA DE INTERAÇÃO: O Cálcio IV não deve ser infundido na mesma via que o sangue ou o plasma, pois pode causar precipitação e coagulação no equipo.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Centro Cirúrgico IMEDIATO $\rightarrow$ UTI Trauma.
  • Especialista: Cirurgia Geral/Trauma e Ortopedia de plantão já na sala.
  • Reavaliação: Gasometria arterial, lactato e TEG/ROTEM a cada 30-60 minutos durante a ressuscitação no centro cirúrgico.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Politrauma com choque hemorrágico classe IV (TCE + trauma abdominal + fratura de pelve + fratura exposta de fêmur)

    Diferenciais esperados:
    • Hemotórax maciço associado
    • Lesão esplênica
    • Lesão vesical por fratura pélvica

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: