Prolapso de cordão umbilical — Caso Residente
Apresentação Clínica
Gestante 27 anos, G2P1A0, IG 38 semanas, dilatação 8cm, bolsa rota com líquido meconial espesso. Durante avaliação, a paciente percebe algo 'saindo' pela vagina. Ao toque, palpa-se cordão umbilical pulsátil à frente da apresentação. BCF em bradicardia sustentada 70bpm. PA 120x80 mmHg, FC 105bpm. Apresentação cefálica em plano De Lee -2. Equipe presente: 1 obstetra, 1 residente, 1 enfermeira, 1 anestesiologista. Solicita conduta imediata.
Síntese do Caso
Gestante a termo (38 semanas) em trabalho de parto ativo (8cm), apresentando Prolapso de Cordão Umbilical associado a sofrimento fetal agudo (bradicardia sustentada de 70 bpm) e líquido meconial espesso. Trata-se de uma emergência obstétrica absoluta com risco iminente de óbito fetal por asfixia.
Hipótese Diagnóstica Principal
Prolapso de Cordão Umbilical — Confiança: 100%
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Conduta Terapêutica (Sequência Temporal Crítica)
Medidas Imediatas (Tempo 0 - Beira do Leito)
A prioridade absoluta é descomprimir o cordão umbilical e preparar extração fetal imediata.
1. Manobra de Elevação Manual (NÃO RETIRAR A MÃO): O examinador (obstetra ou residente) que diagnosticou o prolapso deve manter a mão na vagina, empurrando a apresentação cefálica (plano -2) para cima, aliviando a compressão sobre o cordão. Esta mão só sai da vagina após a extração do feto no abdome durante a cesariana.
2. Posicionamento Materno: Colocar a paciente imediatamente em posição genupeitoral (prece maometana) ou Trendelenburg acentuado / Posição de Sims exagerada com elevação pélvica.
3. Acionamento da Equipe:
4. Ressuscitação Fetal Intrauterina:
5. Proteção do Cordão: Se o cordão estiver exteriorizado pela vulva, envolvê-lo em compressa estéril embebida em soro fisiológico morno. NÃO tentar reposicionar o cordão para dentro do útero (risco de vasoespasmo severo e piora da hipóxia).
Medicações Iniciais (Primeiros 5-10 min)
O objetivo farmacológico imediato é cessar as contrações uterinas (tocólise de resgate) para diminuir a compressão do cordão enquanto a paciente é transportada para o centro cirúrgico.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Terbutalina (Bricanyl®) | 0,25 mg | SC | Ampola 0,5mg/mL (Aspirar 0,5mL) | Imediato | Tocólise aguda. CI: Cardiopatia materna grave. |
| Cefazolina (Kefazol®) | 2 g | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | Pré-incisão | Profilaxia cirúrgica padrão. |
| Azitromicina (Zitromax®) | 500 mg | IV | Diluir em 250mL SF 0,9% | Infusão 1h | Adicionar à Cefazolina se cesárea intraparto. |
Estratégia Definitiva
Cesariana de Emergência (Categoria 1)
Avaliação de Resposta e Alertas Críticos
⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: O intervalo decisão-nascimento (porta-incisão) deve ser o menor possível, idealmente inferior a 30 minutos. A bradicardia de 70 bpm indica hipóxia fetal grave e descompensada.
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Prolapso de cordão umbilical
- Procidência de cordão
- Compressão funicular
- Desaceleração prolongada por outra causa