Rotura uterina — Caso Residente
Apresentação Clínica
Gestante 36 anos, G5P4A0, IG 37 semanas, admitida em trabalho de parto. Antecedente de 1 cesárea (1o parto) + 3 partos vaginais subsequentes. Dilatação 5cm, dinâmica 3/10min. Evolui com dor abdominal contínua fora das contrações, hipotensão PA 80x45 mmHg, FC 125bpm, e parada da progressão do trabalho de parto. BCF com desacelerações tardias repetitivas. À palpação: sinal de Bandl presente, partes fetais superficialmente palpáveis. Sangramento vaginal discreto. Hb 8,5 g/dL.
Síntese do Caso
Gestante de 36 anos, G5P4A0 (1 cesárea prévia), com 37 semanas, em trabalho de parto ativo. Evolui com quadro agudo de dor abdominal contínua, choque hemorrágico (PA 80x45, FC 125), parada de progressão do parto, bradicardia fetal (desacelerações tardias repetitivas) e sinais clássicos de iminência/consumação de ruptura uterina (Sinal de Bandl e partes fetais superficialmente palpáveis).
Hipótese Diagnóstica Principal
Rotura Uterina Consumada — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Descolamento Prematuro da Placenta (DPP) | 15% | Dor abdominal contínua, choque, sofrimento fetal, sangramento vaginal. | Útero estaria hipertônico/lenhoso. Não explicaria partes fetais facilmente palpáveis. |
| 2 | Embolia por Líquido Amniótico | 5% | Choque súbito, sofrimento fetal agudo intraparto. | Ausência de dispneia grave/hipóxia relatada; não explica partes fetais palpáveis. |
| 3 | Rotura de Vasa Previa | 1% | Sangramento vaginal, sofrimento fetal agudo. | O choque seria exclusivamente fetal, não materno. Não há dor contínua. |
Não Esqueça: A presença de sangramento vaginal discreto não tranquiliza. Na rotura uterina, a hemorragia é predominantemente intra-abdominal (hemoperitônio).
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (Colher no momento do acesso venoso)
Imediatos (beira-leito): Gasometria arterial com lactato, Tipagem Sanguínea e Prova Cruzada (Crossmatch) de urgência.
Laboratoriais: Hemograma completo, Coagulograma (TAP/TTPA), Fibrinogênio (avaliar CIVD).
---
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-15 min)
*A reanimação volêmica deve ocorrer simultaneamente ao transporte para o bloco cirúrgico.*
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ringer Lactato | 1000 mL | IV | Aquecido (se possível) | Em bolus rápido | Ressuscitação inicial. Evitar hemodiluição excessiva. |
| Ácido Tranexâmico (Transamin®) | 1 g | IV | Diluir em 100 mL SF 0,9% | Infundir em 10 min | Reduz mortalidade por hemorragia (Estudo WOMAN). |
| Concentrado de Hemácias (CH) | 2 unidades | IV | Direto | Imediato | Sangue O- (se prova cruzada não pronta). Acionar Protocolo de Transfusão Maciça (PTM). |
| Cefazolina (Kefazol®) | 2 g | IV | Diluir em 100 mL SF 0,9% | Em 15-30 min | Profilaxia cirúrgica (fazer na indução anestésica). |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ACOG, ATLS) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Rotura uterina
- Descolamento prematuro de placenta
- Deiscência de cicatriz uterina
- Choque séptico