Ruptura diafragmática esquerda traumática com herniação de vísceras abdominais para tórax — Caso Residente
Apresentação Clínica
Homem de 32 anos, atropelamento com trauma toraco-abdominal. Rx de tórax no PS mostra imagem gasosa e nível líquido em hemitórax esquerdo com desvio mediastinal para direita. Sonda nasogástrica colocada e aparece no hemitórax esquerdo no Rx de controle. Sinais vitais: PA 95/60, FC 115, FR 28, SpO2 93%, Glasgow 14. Dor abdominal em HCE e epigástrio. Diminuição de MV à esquerda com ruídos hidroaéreos audíveis no tórax.
Síntese do Caso
Homem de 32 anos, vítima de trauma contuso (atropelamento), apresentando instabilidade hemodinâmica limítrofe (Choque Classe II/III), taquipneia e achado patognomônico de estômago no hemitórax esquerdo (SNG intratorácica no Rx) com desvio de mediastino. Sinais de alerta: choque, desvio mediastinal e risco iminente de perfuração visceral iatrogênica ou isquemia gástrica.
Hipótese Diagnóstica Principal
Ruptura Diafragmática Traumática à Esquerda com Herniação Visceral — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave, considerando o contexto do trauma:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Pneumotórax Hipertensivo | 5% | Desvio mediastinal, choque, diminuição de MV. | SNG no tórax, ruídos hidroaéreos torácicos. |
| 2 | Lesão Esplênica Associada | 85% | Trauma contuso à esquerda, dor em HCE, choque. | É uma lesão *associada* provável, não diferencial. |
| 3 | Hemotórax Maciço | 10% | Choque, diminuição de MV. | Imagem gasosa no Rx, SNG no tórax. |
Não Esqueça: A ruptura esplênica está associada a até 20% das rupturas diafragmáticas à esquerda. O choque do paciente pode não ser apenas obstrutivo (pela hérnia), mas também hipovolêmico/hemorrágico por lesão de víscera maciça abdominal.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos e de Imagem
O diagnóstico já está confirmado pelo Rx de tórax com SNG intratorácica. Não atrase o tratamento para exames adicionais se houver piora hemodinâmica.
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Imagem (Apenas se o paciente estabilizar com a ressuscitação inicial):
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Conduta Terapêutica
[Ver Protocolo: ATLS 11ª Edição](protocol:atls-protocols)
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ácido Tranexâmico (Transamin®) | 1g | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | Correr em 10 min | Fazer se trauma < 3h. Seguir com 1g IV em 8h (CRASH-2). |
| Fentanil (Fentanil®) | 1 a 2 mcg/kg | IV | Ampola 50mcg/mL (Puro) | Bolus lento | Analgesia. Cuidado com hipotensão. |
| Cefazolina (Kefazol®) | 2g | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | Correr em 30 min | Profilaxia cirúrgica (fazer antes da incisão). |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Ruptura diafragmática esquerda traumática com herniação de vísceras abdominais para tórax
- Hemotórax volumoso
- Hérnia diafragmática congênita de Bochdalek (apresentação tardia)
- Pneumotórax com nível líquido