Sífilis primária (cancro duro) — Caso Residente
Apresentação Clínica
Homem 25 anos, relação sexual desprotegida há 3 semanas. Apresenta úlcera genital única, indolor, de fundo limpo, bordas elevadas e regulares, endurecida à palpação em sulco balano-prepucial. Linfonodomegalia inguinal bilateral, indolor, de consistência elástica. PA 120x70 mmHg, FC 74bpm, T 36,5°C. Sem lesões em cavidade oral ou perianais. Teste rápido para sífilis (teste treponêmico): reagente. VDRL: reagente 1:16. Anti-HIV: não reagente. Solicita estadiamento, tratamento com penicilina benzatina e seguimento sorológico.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 25 anos, apresentando úlcera genital única, indolor, de fundo limpo e bordas endurecidas (cancro duro) há 3 semanas após exposição sexual de risco. Exame físico com linfonodomegalia inguinal bilateral elástica e indolor. Sorologias confirmam o diagnóstico com teste rápido treponêmico reagente e VDRL (não treponêmico) reagente a 1:16. Anti-HIV não reagente.
Hipótese Diagnóstica Principal
Sífilis Primária — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Apesar do diagnóstico confirmado, o raciocínio de exclusão (Rule Out) para úlceras genitais inclui:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Cancroide (Cancro Mole) | < 5% | Úlcera genital, exposição sexual | Úlcera indolor, fundo limpo, borda dura (cancroide é doloroso, fundo purulento, múltiplas lesões) |
| 2 | Herpes Genital | < 5% | Lesão genital | Lesão única, indolor, sem vesículas prévias (herpes apresenta vesículas dolorosas agrupadas) |
| 3 | Linfogranuloma Venéreo | < 1% | Adenopatia inguinal | Úlcera persistente (no LGV a úlcera é efêmera e a adenopatia tende a fistulizar) |
Não Esqueça: A presença de uma IST é marcador de risco para outras. A coinfecção com HIV, Hepatite B, Hepatite C, Clamídia e Gonococo deve ser ativamente investigada.
Confirmação Diagnóstica e Exames Complementares
O diagnóstico de sífilis já está estabelecido. Contudo, o rastreio complementar é mandatório.
Laboratoriais (Rastreio de ISTs):
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Tratamento Específico)
O tratamento de escolha, padrão-ouro e de primeira linha para Sífilis Recente (Primária, Secundária ou Latente Recente < 1 ano) é a Penicilina G Benzatina, conforme o PCDT de ISTs do Ministério da Saúde e CDC.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Administração | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Penicilina G Benzatina (Benzetacil®) | 2.400.000 UI | IM | Aplicar 1.200.000 UI em cada região glútea (quadrante superior externo) | Dose Única | Ampolas de 1.200.000 UI (usar 2 ampolas). Diluente próprio ou água destilada. |
Estratégia Definitiva e Alternativas
Avaliação de Resposta e Seguimento Sorológico
O seguimento é feito EXCLUSIVAMENTE com testes não treponêmicos (VDRL ou RPR). Testes treponêmicos (teste rápido, FTA-ABS) permanecerão reagentes para o resto da vida (cicatriz sorológica) e não servem para controle de cura.
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), como o PCDT de ISTs do Ministério da Saúde (Brasil) e CDC, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Sífilis primária (cancro duro)
- Herpes genital
- Cancro mole (cancroide)
- Linfogranuloma venéreo
- Carcinoma de pênis