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Sífilis secundária em paciente HIV positivo — considerar neurossífilis precoce pela celularidade do LCR — Caso Especialista

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Apresentação Clínica

Homem 36 anos, múltiplos parceiros sexuais, apresenta exantema maculopapular disseminado incluindo palmas e plantas (roséolas sifilíticas), condilomas planos em região perianal, alopécia em clareira ('moth-eaten'), placas mucosas em língua. Micropoliadenopatia generalizada. Febre 37,8°C. VDRL 1:128, FTA-Abs IgM reagente. Anti-HIV reagente (confirmado por Western Blot), CD4 350, CV 45.000 cópias/mL. LCR: VDRL no LCR não reagente, celularidade 8 cel/mm³ (linfomononucleares). Solicita tratamento para coinfecção sífilis-HIV, dose e monitoramento. Qual esquema de penicilina? Precisa repetir LCR?

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente masculino, 36 anos, com quadro clássico de Sífilis Secundária (exantema palmoplantar, condiloma plano, alopécia em clareira, placas mucosas, VDRL 1:128) e diagnóstico recente de Infecção pelo HIV (CD4 350, CV 45.000). O LCR apresenta VDRL não reagente e pleocitose leve (8 cel/mm³), achado comum e inespecífico na infecção pelo HIV, não fechando critério para neurossífilis na ausência de sintomas neurológicos, oftalmológicos ou otológicos.

Abaixo, a conduta terapêutica sequencial baseada no PCDT do Ministério da Saúde (Brasil) e no CDC STI Treatment Guidelines (2021).

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Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Acolhimento e Aconselhamento: Notificação compulsória de Sífilis Adquirida e HIV.
  • Rastreio Adicional: Solicitar sorologias para Hepatite B (HBsAg, anti-HBc, anti-HBs) e Hepatite C (anti-HCV), além de rastreio para clamídia e gonococo, devido à sobreposição de ISTs.
  • Avaliação Clínica Focada: Confirmar ausência de alterações visuais (uveíte) ou auditivas antes de descartar neurossífilis/sífilis ocular.
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    Medicações Iniciais (Tratamento da Sífilis)

    De acordo com as diretrizes atuais, pacientes vivendo com HIV (PVHIV) com sífilis primária, secundária ou latente recente (< 1 ano) devem receber o mesmo esquema que pacientes soronegativos.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/AdministraçãoTempoObservação
    Penicilina G Benzatina (Benzetacil®)2.400.000 UIIM1.200.000 UI em cada região glútea.Dose ÚnicaTratamento de 1ª linha e padrão-ouro.
    Dipirona ou Ibuprofeno1g (Dipirona) ou 400mg (Ibuprofeno)VOComprimidoSNPrescrever para uso domiciliar se febre/mialgia (Prevenção/Manejo de Herxheimer).

    *Alternativa em caso de alergia GRAVE (anafilaxia) à penicilina:* Doxiciclina 100mg VO 12/12h por 14 dias (Requer adesão estrita; a dessensibilização à penicilina é preferível em PVHIV).

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    Estratégia Definitiva (Manejo da Coinfecção)

    1. Início da Terapia Antirretroviral (TARV):

    O paciente possui indicação de início imediato da TARV (CD4 350). O tratamento da sífilis não atrasa o início da TARV.

  • Esquema de 1ª Linha (PCDT/MS): Tenofovir (TDF) 300mg + Lamivudine (3TC) 300mg + Dolutegravir (DTG) 50mg
  • Posologia: 1 comprimido de TDF/3TC + 1 comprimido de DTG, VO, 1x ao dia.
  • 2. Manejo dos Parceiros Sexuais:

  • Todos os parceiros sexuais dos últimos 6 meses devem ser testados e tratados empiricamente se a exposição ocorreu nos últimos 90 dias, independentemente do resultado sorológico deles.
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    Avaliação de Resposta e Monitoramento

    Sobre a necessidade de repetir o LCR:

    NÃO é necessário repetir o LCR neste momento. A pleocitose leve (8 cel/mm³) é um achado frequente no paciente com HIV (frequentemente até 20 cel/mm³ são toleradas em PVHIV assintomáticos neurológicos). Como o VDRL no LCR é não reagente e não há sintomas neurológicos, o diagnóstico de neurossífilis está descartado.

    *O LCR só deverá ser repetido se houver falha no tratamento (não queda do VDRL) ou surgimento de sintomas neurológicos.*

    Monitoramento Sorológico (VDRL):

  • Periodicidade em PVHIV: Repetir o VDRL (teste não treponêmico) nos meses 3, 6, 9, 12 e 24 após o tratamento.
  • Critério de Cura (Sucesso Terapêutico): Queda de pelo menos 2 titulações (ex: de 1:128 para 1:32) em até 6 meses para sífilis recente.
  • Critério de Falha Terapêutica: Ausência de queda de 2 titulações em 6 meses, ou aumento de 2 titulações (ex: 1:32 para 1:128) em qualquer momento, ou persistência/retorno dos sintomas. Se houver falha, investigar reinfecção (mais comum) e, se descartada, puncionar novo LCR para investigar neurossífilis.
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    Alertas Críticos

  • ⚠️ REAÇÃO DE JARISCH-HERXHEIMER: Extremamente comum na sífilis secundária com altos títulos (VDRL 1:128). Ocorre nas primeiras 24h após a injeção da penicilina (febre, calafrios, mialgia, cefaleia, exacerbação do exantema). Oriente o paciente: Isso NÃO é alergia à penicilina. É autolimitado (12-24h) e deve ser manejado com antitérmicos/analgésicos simples (Dipirona/Paracetamol).
  • ⚠️ EFEITO PRÓZONA: Como o VDRL está alto (1:128), não houve efeito prozona no diagnóstico, mas lembre-se de sempre solicitar a titulação completa nos exames de controle.
  • ⚠️ SÍNDROME DE RECONSTITUIÇÃO IMUNE (IRIS): Ao iniciar a TARV com CD4 de 350, o risco de IRIS é baixo, mas o paciente deve ser orientado a retornar se houver piora clínica nas primeiras semanas de TARV.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (PCDT Ministério da Saúde / CDC STI Guidelines - EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Sífilis secundária em paciente HIV positivo — considerar neurossífilis precoce pela celularidade do LCR

    Diferenciais esperados:
    • Primoinfecção HIV com exantema
    • Pitiríase rósea
    • Farmacodermia
    • Linfoma cutâneo

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: