Síndrome de Ativação Macrofágica (MAS) / Linfohistiocitose Hemofagocítica secundária ao LES — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Paciente feminina, 35 anos, com LES (diagnóstico há 8 anos, nefrite classe III tratada), em uso de hidroxicloroquina e azatioprina, internada com febre alta persistente (39-40°C) há 2 semanas, hepatoesplenomegalia maciça, pancitopenia progressiva e deterioração clínica apesar de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. PA 90x55, FC 125, FR 24, SpO2 92%, T 39.8°C, Glasgow 13. Labs: Hb 6.5, leucócitos 900, plaquetas 18.000, ferritina 52.000 ng/mL, triglicerídeos 580, fibrinogênio 75 (consumo), LDH 3.800, TGO 350, TGP 280, BT 5.5. IL-2R solúvel 25.000 U/mL. NK cells activity reduzida. Mielograma: hemofagocitose evidente. HScore: 280 (probabilidade >99%).
Síntese do Caso
Mulher, 35 anos, com LES prévio em uso de imunossupressores, apresentando quadro de choque misto (distributivo/hipovolêmico), rebaixamento do sensório, pancitopenia grave, hiperferritinemia extrema (52.000), coagulopatia de consumo e hemofagocitose medular comprovada, refratária à antibioticoterapia.
Hipótese Diagnóstica Principal
Síndrome de Ativação Macrofágica (SAM) / Linfo-histiocitose Hemofagocítica Secundária (sHLH) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Choque Séptico Refratário | 20% | Febre, hipotensão, taquicardia, pancitopenia, disfunção orgânica. | Refratariedade a ATB de amplo espectro; ferritina > 50.000 e sIL-2R altíssimo são atípicos para sepse isolada. |
| 2 | Crise Lúpica Grave (Flare) | 40% | História de LES, nefrite prévia, citopenias. | A SAM é uma complicação do *flare*, mas a magnitude da ferritina, triglicerídeos e hemofagocitose definem a SAM como evento primário atual. |
| 3 | Linfoma (secundário à imunossupressão) | 15% | Febre de origem obscura, hepatoesplenomegalia maciça, LDH alto. | Mielograma evidenciou hemofagocitose, mas não relatou infiltração blástica/linfomatosa direta. |
| 4 | Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) | 100% (Secundária) | Fibrinogênio baixo, plaquetopenia. | É uma consequência fisiopatológica da SAM neste cenário, não o diagnóstico primário. |
Não Esqueça: A infecção por Epstein-Barr Vírus (EBV) ou Citomegalovírus (CMV) é o gatilho mais comum para sHLH em pacientes imunossuprimidos. A busca ativa pelo vírus é mandatória, pois altera o prognóstico e a terapia (indicação de Etoposídeo precoce se EBV+).
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais (Pedido Gerado via TUSS):
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
A base do tratamento da SAM no LES é a imunossupressão agressiva imediata.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Metilprednisolona (Solu-Medrol®) | 1 g/dia | IV | Diluir em 100 mL SF 0,9% | Infundir em 1 a 2 horas | 1ª Linha. Fazer por 3 a 5 dias consecutivos (Pulsoterapia). |
| Meropenem + Vancomicina | Doses habituais de sepse | IV | Conforme protocolo institucional | Imediato | Manter cobertura de amplo espectro até exclusão definitiva de infecção bacteriana associada. |
Estratégia Definitiva
Se não houver resposta dramática à pulsoterapia com corticoide em 24-48h, ou dada a gravidade extrema na apresentação (choque, Glasgow 13), deve-se escalar a terapia imediatamente em conjunto com Reumatologia/Hematologia:
2ª Linha / Terapias Alvo:
3ª Linha (Protocolo HLH-94/2004):
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Síndrome de Ativação Macrofágica (MAS) / Linfohistiocitose Hemofagocítica secundária ao LES
- HLH por infecção (EBV, CMV)
- Leucemia aguda
- Sepse fulminante em imunossuprimido
- Linfoma com envolvimento medular