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Síndrome de Guillain-Barré (AIDP — polirradiculoneurite desmielinizante aguda) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem de 35 anos, gastroenterite por Campylobacter há 3 semanas, fraqueza muscular ascendente simétrica iniciando em MMII há 5 dias, agora atingindo MMSS. Arreflexia global. Parestesias distais em luva e bota. Força em MMII grau 2/5, MMSS 3/5. Sem envolvimento ocular. CVF 1.8L (60% do previsto), em declínio. LCR: dissociação albumino-citológica (proteína 120, 3 células). ENMG: padrão desmielinizante. PA 90/60 (disautonomia), FC 50-110 (variável), FR 22.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Homem de 35 anos com quadro clássico de fraqueza muscular flácida ascendente, arreflexia global e disautonomia, precedido por infecção por *Campylobacter jejuni*. Apresenta declínio perigoso da capacidade vital forçada (CVF 60%) e confirmação diagnóstica por LCR (dissociação proteíno-citológica) e ENMG (padrão desmielinizante).

Hipótese Diagnóstica Principal

Síndrome de Guillain-Barré (SGB) — Variante Polirradiculoneuropatia Desmielinizante Inflamatória Aguda (AIDP) — Confiança: 99%

  • Justificativa: O paciente preenche os Critérios de Brighton Nível 1 para SGB: fraqueza flácida simétrica, arreflexia, curso < 4 semanas, ausência de febre no início, LCR com dissociação proteíno-citológica (< 50 células, proteína elevada) e ENMG compatível. A infecção prévia por *Campylobacter* é o gatilho clássico mais comum e frequentemente associado a formas motoras graves.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Compressão Medular Aguda5%Fraqueza em MMII evoluindo para MMSSArreflexia global (esperado hiperreflexia abaixo da lesão), ausência de nível sensitivo e esfincteriano.
    2Crise Miastênica5%Fraqueza, declínio de CVFPadrão ascendente, arreflexia, parestesias distais (MG poupa sensibilidade e reflexos).
    3Botulismo2%Fraqueza flácida, disautonomiaPadrão é tipicamente descendente (inicia com diplopia/disfagia), LCR normal.
    4Mielopatia Transversa2%Fraqueza agudaLCR com pleocitose, presença de nível sensitivo claro, disfunção vesical precoce.
    Não Esqueça: Porfiria Aguda Intermitente e Intoxicação por Metais Pesados (Chumbo/Arsênio) podem mimetizar SGB, mas geralmente cursam com dor abdominal intensa prévia, confusão mental ou LCR normal.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Critérios de Brighton: Nível 1 (Certeza diagnóstica máxima baseada na clínica + LCR + ENMG).
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Espirometria beira-leito (A CADA 4 HORAS): Medir CVF, PImáx (Pressão Inspiratória Máxima) e PEmáx. *O paciente já tem CVF de 1.8L, indicando fadiga diafragmática iminente.*
  • Gasometria Arterial: Avaliar retenção de CO2 (PaCO2 > 45 mmHg indica falência ventilatória). *Nota: A hipoxemia é um sinal tardio; não confie apenas na SpO2.*
  • ECG de 12 derivações e Monitorização Contínua: Risco altíssimo de arritmias por disautonomia (bradicardia extrema, bloqueios, taquicardia ventricular).
  • Laboratoriais:

  • Eletrólitos completos (K+, Mg++, Ca++), CK (descartar miopatias), Função renal e hepática (preparo para terapia imunomoduladora).
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Internação Imediata em UTI: Risco iminente de falência respiratória e parada cardíaca por disautonomia.
  • Monitorização: Cardíaca contínua, oximetria, PA não invasiva a cada 1 hora (ou PAI se instabilidade grave).
  • Preparo de Via Aérea: Deixar material de intubação e ventilador montados à beira do leito.
  • Regra 20/30/40 para IOT Eletiva: Indicar intubação se CVF < 20 mL/kg, PImáx < -30 cmH2O ou PEmáx < 40 cmH2O. *Se o paciente pesa 70kg, uma CVF de 1.4L é indicação absoluta. Com 1.8L, ele está na zona de perigo.*
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    A terapia modificadora de doença deve ser iniciada o mais rápido possível (idealmente nas primeiras 2 semanas do quadro). Imunoglobulina Humana (IVIG) e Plasmaférese (PLEX) têm eficácia equivalente. A IVIG é preferida pela facilidade de administração e menor risco de instabilidade hemodinâmica em pacientes com disautonomia.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Imunoglobulina Humana (IVIG) (Kiovig®, Privigen®)0,4 g/kg/diaIVConforme fabricante (geralmente infusão pura)Infusão contínua 1x/dia por 5 dias1ª Linha. Monitorar anafilaxia, função renal e risco de trombose.
    Enoxaparina (Clexane®)40 mgSCSeringa preenchida1x/diaProfilaxia de TVP obrigatória (paciente acamado/plegia).
    Gabapentina (Neurontin®)300 mgVO/SNECápsula1x/dia (à noite)Para manejo de dor neuropática (parestesias). Titular até 900-1800mg/dia se necessário.

    Estratégia Definitiva

  • Terapia Imunomoduladora: Completar os 5 dias de IVIG (Dose total: 2 g/kg).
  • *Alternativa:* Se contraindicação à IVIG (ex: deficiência de IgA, insuficiência renal grave), realizar Plasmaférese (5 sessões em 10 dias). NÃO associar IVIG e PLEX (a PLEX lavará a IVIG).
  • Manejo da Disautonomia:
  • *Hipotensão:* Preferir reposição volêmica (Cristaloides). Se refratário, usar vasopressores em doses baixas (Noradrenalina), pois há hipersensibilidade aos receptores adrenérgicos.
  • *Hipertensão:* Usar agentes de meia-vida ultra-curta (Esmolol, Nitroprussiato). Evitar beta-bloqueadores de longa duração ou inibidores da ECA, pelo risco de hipotensão rebote grave.
  • Manejo de Via Aérea: Se evoluir para IOT, NÃO UTILIZAR SUCCINILCOLINA (risco de hipercalemia fatal por *up-regulation* de receptores de acetilcolina na placa motora desnervada). Usar Rocurônio (1-1.2 mg/kg).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Interrupção da progressão da fraqueza, estabilização da CVF e PImáx/PEmáx, controle autonômico. A recuperação motora real pode levar semanas a meses.
  • Sinais de falha/piora: Queda da CVF < 15 mL/kg, engasgos (envolvimento bulbar), incapacidade de tossir, arritmias malignas.
  • Escalonamento: Se não houver resposta após o primeiro ciclo de IVIG, a repetição do ciclo ou troca para PLEX é controversa e deve ser discutida com neurologista especialista, mas geralmente suportada em casos de piora contínua.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA: Corticosteroides (IV ou VO) NÃO têm benefício na SGB e podem piorar o desfecho clínico. Não prescrever.
  • ⚠️ ALERTA DE PARADA CARDÍACA: A disautonomia grave pode causar assistolia reflexa durante manobras vagais simples (ex: aspiração de tubo, intubação, defecação). Tenha Atropina (1mg IV) pronta na beira do leito.
  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO: Contraindicação absoluta ao uso de bloqueadores neuromusculares despolarizantes (Succinilcolina).
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: UTI (Mandatório).
  • Especialista: Acionar Neurologia Clínica e Fisioterapia Intensiva (motora e respiratória) imediatamente.
  • Reavaliação: Parâmetros ventilatórios (CVF, PImáx) a cada 4 horas. Reflexos pupilares e força muscular a cada 4-6 horas.
  • Nutrição: Iniciar dieta enteral precoce se houver disfagia, para evitar desnutrição e úlceras de estresse.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - AAN Guidelines for GBS) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Síndrome de Guillain-Barré (AIDP — polirradiculoneurite desmielinizante aguda)

    Diferenciais esperados:
    • Mielite transversa
    • Poliomielite
    • Botulismo

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: