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Síndrome de Wallenberg (infarto bulbar lateral — AVC da PICA) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem de 56 anos, HAS, DM2, apneia do sono, acordou com tontura e incoordenação há 4 horas. Exame: ataxia cerebelar ipsilateral direita (dismetria, disdiadococinesia), nistagmo horizontal para a direita, disfagia, disfonia, síndrome de Horner ipsilateral (miose, ptose, anidrose) e hipoestesia termoálgica em hemiface direita e hemicorpo esquerdo (dissociação sensitiva). NIHSS 8. RM mostra infarto bulbar lateral direito. PA 165/95, FC 75, Glasgow 15.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Homem de 56 anos, com múltiplos fatores de risco cardiovascular (HAS, DM2, SAOS), apresentando quadro neurológico agudo ao despertar (*wake-up stroke*). O exame físico evidencia uma clássica síndrome alterna bulbar (ataxia, Horner e paralisia de pares cranianos ipsilaterais + hemianestesia termoálgica contralateral). A RM de encéfalo já confirmou o infarto bulbar lateral direito. Paciente encontra-se hemodinamicamente estável, com NIHSS 8 e fora da janela padrão para trombólise venosa.

Hipótese Diagnóstica Principal

Síndrome de Wallenberg (Infarto Bulbar Lateral Direito) — Confiança: 100%

  • Justificativa: O quadro clínico é a apresentação *textbook* da Síndrome de Wallenberg. O acometimento do trato espinotalâmico lateral causa a hipoestesia termoálgica no hemicorpo esquerdo; o núcleo espinhal do trigêmeo causa a hipoestesia na hemiface direita; o pedúnculo cerebelar inferior justifica a ataxia ipsilateral; a via simpática descendente explica a Síndrome de Horner ipsilateral; e o núcleo ambíguo (NC IX e X) justifica a disfagia e disfonia. A RM confirmou a topografia.
  • Território Vascular: Artéria Cerebelar Posteroinferior (PICA) ou Artéria Vertebral direita.
  • Diagnósticos Diferenciais (Etiológicos)

    Como o diagnóstico topográfico e sindrômico já está confirmado pela RM, o raciocínio clínico deve focar na etiologia do evento isquêmico:

    #Diagnóstico EtiológicoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Ateroembolismo / Trombose *in situ*85%Idade, HAS, DM2, apneia do sono (alto risco aterogênico).Ausência de claudicação prévia ou AITs relatados.
    2Dissecção de Artéria Vertebral60%Comum no território vertebrobasilar, pode ocorrer durante o sono (movimentos cervicais/SAOS).Ausência de relato de dor cervical/nucal prévia ao evento.
    3Cardioembolismo (Fibrilação Atrial)40%SAOS é forte fator de risco para FA paroxística oculta.Ritmo regular no momento (FC 75), ausência de cardiopatia prévia conhecida.
    Não Esqueça: A dissecção de artéria vertebral é uma causa frequente de Síndrome de Wallenberg, mesmo em pacientes na 5ª ou 6ª década de vida, e altera o manejo (evitar manipulação cervical, considerar anticoagulação em casos refratários/extracranianos dependendo do protocolo institucional).

    Confirmação Diagnóstica

    Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Glicemia capilar: (Já deve ter sido feita, mas manter controle rigoroso devido ao DM2).
  • ECG de 12 derivações: Buscar sinais de Fibrilação Atrial ou isquemia miocárdica concomitante.
  • Imagem (Urgente):

  • Angio-TC ou Angio-RM de Vasos Cervicais e Intracranianos: Mandatório para avaliar a patência da Artéria Vertebral direita e da PICA, e descartar dissecção arterial ou estenose ateromatosa crítica.
  • Laboratoriais e Cardiológicos (Fase de Internação):

  • Ecocardiograma Transtorácico (ou Transesofágico): Pesquisa de fonte emboligênica, forame oval patente (FOP) ou trombo intracavitário.
  • Holter 24h: Pesquisa de FA paroxística.
  • Perfil Metabólico: Perfil lipídico completo, HbA1c, função renal, coagulograma.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • DIETA ZERO (NPO) ABSOLUTA: O risco de broncoaspiração é altíssimo devido ao acometimento do núcleo ambíguo.
  • Monitorização (MOV): Monitor cardíaco, oximetria contínua, acesso venoso periférico.
  • Posicionamento: Cabeceira elevada a 30º.
  • Manejo da Pressão Arterial: A PA está 165/95 mmHg. NÃO REDUZIR A PA. Em AVC isquêmico não trombolisado, a hipertensão permissiva é tolerada até 220/120 mmHg para garantir a pressão de perfusão cerebral na área de penumbra.
  • Trombólise Venosa: Sendo um *wake-up stroke* com RM já evidenciando infarto (e assumindo ausência de *mismatch* DWI/FLAIR, já que não foi descrito), o paciente está fora da janela terapêutica padrão para r-tPA.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Ácido Acetilsalicílico (AAS)300 mgSNE ou RetalComprimido macerado via Sonda NasoenteralImediato⚠️ NÃO dar VO devido à disfagia. Usar via alternativa.
    Atorvastatina (Lipitor®)80 mgSNEComprimido via Sonda Nasoenteral1ªs 24hEfeito pleiotrópico e estabilização de placa. Alternativa: Rosuvastatina 40mg.
    Enoxaparina (Clexane®)40 mgSCSeringa preenchida1ªs 24hProfilaxia de TVP/TEP. Iniciar precocemente já que não houve trombólise.

    Estratégia Definitiva

  • Passagem de Sonda Nasoenteral (SNE): Mandatória para administração de medicações e nutrição inicial.
  • Avaliação Fonoaudiológica: Avaliação formal da deglutição (videofluoroscopia ou FEES, se disponível) antes de qualquer tentativa de progressão para via oral. A disfagia na Síndrome de Wallenberg pode ser severa e prolongada.
  • Prevenção Secundária: Manter antiagregação simples (AAS 100mg/dia) a menos que a investigação revele Fibrilação Atrial (indicando transição para anticoagulação plena com DOACs após o período de segurança do AVC).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Estabilidade neurológica (manutenção ou queda do NIHSS), ausência de complicações infecciosas (pneumonia).
  • Sinais de falha/piora: Rebaixamento do nível de consciência (Glasgow), insuficiência respiratória.
  • Tempo de reavaliação: Exame neurológico a cada 4 horas nas primeiras 24h.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE VIA AÉREA (DISFAGIA): A causa mais comum de mortalidade subaguda na Síndrome de Wallenberg é a pneumonia aspirativa. A proibição de via oral inicial é inegociável.
  • ⚠️ ALERTA AUTONÔMICO: O infarto bulbar pode acometer centros de controle cardiovascular e respiratório. O paciente tem risco de disautonomia (bradicardia severa, oscilações abruptas de PA) e apneia central (agravada pela SAOS prévia).
  • ⚠️ ALERTA DE EDEMA: Embora infartos bulbares raramente causem efeito de massa compressivo letal como os infartos cerebelares extensos, a vigilância para hidrocefalia obstrutiva ou compressão de tronco deve ser mantida.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Unidade de AVC (Stroke Unit) ou UTI Neurológica para monitorização contínua nas primeiras 48-72h (risco de disautonomia e apneia).
  • Especialistas: Acionar Neurologia Clínica, Fonoaudiologia (urgente para manejo de via alimentar) e Fisioterapia Motora/Respiratória.
  • Reavaliação: Monitorar padrão respiratório rigorosamente, especialmente durante o sono (uso de CPAP pode ser necessário devido à SAOS de base, mas requer avaliação cuidadosa do risco de distensão gástrica/aspiração com a disfagia).
  • ---

    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), como os protocolos da AHA/ASA para o manejo do AVC isquêmico agudo, e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Síndrome de Wallenberg (infarto bulbar lateral — AVC da PICA)

    Diferenciais esperados:
    • AVC cerebelar (PICA)
    • Esclerose múltipla (placa de tronco)
    • Desmielinização osmótica

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: