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Síndrome HELLP — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Gestante 31 anos, G2P1A0, IG 35 semanas, internada há 48h por pré-eclâmpsia com uso de metildopa 750mg 8/8h. Evolui com cefaleia occipital, náuseas, dor em hipocôndrio direito em barra. PA 160x105 mmHg, FC 98bpm, FR 20irpm, T 37,1°C. Labs: plaquetas 68.000/mm³, TGO 285 U/L, TGP 312 U/L, LDH 890 U/L, bilirrubinas totais 2,1 mg/dL, BI 1,4 mg/dL, Cr 1,3 mg/dL. Esfregaço periférico: esquizócitos presentes. BCF 148bpm.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Gestante de 31 anos, IG 35 semanas, com quadro prévio de pré-eclâmpsia, evoluindo com sinais clínicos de iminência de eclâmpsia (cefaleia occipital, dor em hipocôndrio direito) e critérios laboratoriais clássicos de hemólise microangiopática, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia grave. Feto vivo e viável.

Hipótese Diagnóstica Principal

Síndrome HELLP e Iminência de Eclâmpsia — Confiança: 99%

  • Justificativa: A paciente preenche todos os Critérios de Tennessee para Síndrome HELLP completa: Hemólise (LDH > 600 U/L, esquizócitos, BI > 1,2 mg/dL), Disfunção Hepática (AST/TGO > 70 U/L) e Plaquetopenia (< 100.000/mm³). A cefaleia e a dor em barra (distensão da cápsula de Glisson) configuram iminência de eclâmpsia.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Esteatose Hepática Aguda da Gravidez (AFLP)15%Disfunção hepática, náuseas, 3º trimestre.Ausência de hipoglicemia severa relatada; hemólise franca e plaquetopenia grave são mais típicas de HELLP.
    2PTT / SHU10%Esquizócitos, plaquetopenia, lesão renal (Cr 1,3).PTT cursa com plaquetopenia mais profunda e sintomas neurológicos focais. SHU tem predomínio de falência renal grave.
    3Exacerbação de LES / SAF5%Plaquetopenia, lesão renal.Sem história prévia relatada; quadro agudo no 3º trimestre com hipertensão grave aponta para espectro da pré-eclâmpsia.
    Não Esqueça: Ruptura Hepática / Hematoma Subcapsular Hepático. A dor em barra intensa no hipocôndrio direito em paciente com HELLP é o principal sinal de alerta para esta complicação catastrófica. Requer avaliação ultrassonográfica imediata se houver instabilidade hemodinâmica súbita.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos e Laboratoriais

  • O diagnóstico de Síndrome HELLP já está confirmado pelos exames apresentados.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • USG Point-of-Care (FAST/Hepático): Avaliar presença de líquido livre abdominal ou hematoma subcapsular hepático.
  • Cardiotocografia (CTG): Avaliação contínua da vitalidade fetal.
  • Laboratoriais:

  • Coagulograma completo (TAP, TTPA, Fibrinogênio) para descartar CIVD (comum na Síndrome HELLP grave).
  • Tipagem sanguínea e prova cruzada (reserva de hemocomponentes).
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    Conduta Terapêutica

    1. Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV: Monitorização contínua (PA não invasiva a cada 15 min, oximetria, cardioscopia).
  • Posicionamento: Decúbito lateral esquerdo (DLE) para evitar compressão aorto-cava e melhorar fluxo placentário.
  • Acesso Venoso: 2 acessos periféricos calibrosos (16G ou 18G).
  • Sondagem: Sonda Vesical de Demora (SVD) para controle rigoroso de diurese (meta > 25-30 mL/h), fundamental para o uso do Sulfato de Magnésio.
  • 2. Medicações Iniciais (Primeiros 10-30 min)

    O foco é a neuroproteção (prevenção de convulsões) e o controle pressórico agudo. O uso de Metildopa VO é ineficaz para o controle de crise.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1ª Linha: Sulfato de Magnésio (Esquema Zuspan)Ataque: 4gIVDiluir 4 ampolas de MgSO4 10% (40mL = 4g) em 60mL de SF 0,9%.Infundir em 20 minObrigatório na iminência de eclâmpsia.
    Manutenção: Sulfato de Magnésio1 a 2g/hIVDiluir 10 ampolas de MgSO4 10% (100mL = 10g) em 400mL de SF 0,9%.Bomba de Infusão: 50 a 100 mL/hManter até 24h pós-parto.
    1ª Linha (PA): Hidralazina (Apresolina®)5mgIV1 amp (20mg/1mL) + 19mL AD. Fica 1mg/mL. Fazer 5mL.Bolus lento (2 min)Se PA sistólica ≥ 160 ou diastólica ≥ 110. Repetir a cada 20 min se necessário (máx 20mg).
    2ª Linha (PA): Labetalol (Se disponível)20mgIVAmpola 5mg/mL. Fazer 4mL puros.Bolus em 2 minDobrar dose a cada 10 min (40mg, 80mg) até máx 300mg se refratário.

    3. Estratégia Definitiva

  • Resolução da Gestação (Parto): É o ÚNICO tratamento definitivo para a Síndrome HELLP.
  • Critérios de indicação: Como a paciente tem 35 semanas (pré-termo tardio) e Síndrome HELLP instalada com iminência de eclâmpsia, o parto está indicado IMEDIATAMENTE após a estabilização materna (controle da PA e início do Magnésio).
  • Via de parto: A via de parto é obstétrica. Contudo, devido à gravidade (HELLP, plaquetas < 70.000) e necessidade de resolução rápida, a cesariana é frequentemente a via de escolha, sob anestesia geral se as plaquetas caírem < 50.000/mm³ (contraindicação a bloqueio neuroeixo).
  • Corticoide: *Não* há indicação de aguardar 48h para maturação pulmonar fetal com betametasona em gestações ≥ 34 semanas com indicação de interrupção imediata por gravidade materna.
  • 4. Avaliação de Resposta e Toxicidade

    Monitorar sinais de intoxicação por Sulfato de Magnésio a cada hora:

  • Critérios de segurança para manter MgSO4:
  • 1. Reflexo patelar presente (primeiro a desaparecer na intoxicação, Mg > 10 mEq/L).

    2. Frequência Respiratória > 16 irpm (risco de parada respiratória se Mg > 12 mEq/L).

    3. Diurese > 25 mL/h (o magnésio é de excreção exclusivamente renal; a paciente já tem Cr 1,3, exigindo vigilância extrema).

  • Sinais de falha/piora: Queda do nível de consciência, abolição de reflexos, oligúria, sangramento ativo.
  • Antídoto (Se intoxicação): Gluconato de Cálcio 10% — 1 ampola (10mL = 1g) IV lento em 3 a 5 minutos.
  • 5. Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: A paciente está em risco iminente de convulsão (Eclâmpsia), AVC hemorrágico e ruptura hepática. A estabilização e o parto não podem ser postergados.
  • ⚠️ ALERTA ANESTÉSICO: Com plaquetas em 68.000/mm³ e em queda, o bloqueio espinhal/epidural possui alto risco de hematoma neuroeixo. A equipe de anestesiologia deve ser acionada imediatamente para planejamento (provável anestesia geral se cesárea).
  • ⚠️ ALERTA HEMOTERÁPICO: Transfusão de plaquetas só está indicada se sangramento ativo, ou profilaticamente no pré-operatório de cesárea se plaquetas < 50.000/mm³.
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    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação imediata em UTI Materna ou Sala Vermelha do Centro Obstétrico.
  • Especialistas: Acionamento imediato da Obstetrícia (plantonista sênior), Anestesiologia e Neonatologia (para recepção do RN prematuro de 35 semanas).
  • Reavaliação: Laboratorial (hemograma, enzimas hepáticas, função renal, coagulograma) a cada 6-12 horas no pós-parto, até reversão da plaquetopenia e queda do LDH.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ACOG, MS Brasil) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Síndrome HELLP

    Diferenciais esperados:
    • Pré-eclâmpsia grave
    • Esteatose hepática aguda da gestação
    • Púrpura trombocitopênica trombótica
    • Hepatite aguda

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: