Síndrome nefrótica idiopática (provável doença de lesões mínimas) — Caso Residente
Apresentação Clínica
Menino de 5 anos, edema progressivo iniciando em face (periorbital matinal) há 2 semanas, evoluindo para anasarca com ascite e derrame pleural bilateral. Urina espumosa. EAS: proteinúria 4+ (relação proteína/creatinina 12), sem hematúria significativa. Proteínas totais 3.5, albumina 1.2, colesterol total 450, triglicerídeos 380. Cr 0.4, C3 e C4 normais. Sorologias HBV/HCV/HIV negativas. PA 100/60, FC 110, FR 24, T 36.5°C. Peso: 25kg (habitual 20kg).
Síntese do Caso
Menino de 5 anos com quadro clássico de anasarca (ascite e derrame pleural), proteinúria nefrótica maciça (relação P/C 12), hipoalbuminemia grave (1.2 g/dL) e hiperlipidemia. Função renal preservada, normotenso e sem consumo de complemento. Ganho ponderal de 25% (5kg de retenção hídrica).
Hipótese Diagnóstica Principal
Síndrome Nefrótica Idiopática (Doença por Lesões Mínimas - DLM) — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF) | 10% | Síndrome nefrótica pura, anasarca. | Mais comum em adolescentes/adultos; costuma ter hematúria microscópica ou HAS associada. |
| 2 | Glomerulonefrite Membranoproliferativa (GNMP) | < 5% | Edema, proteinúria. | C3/C4 normais (GNMP consome complemento); ausência de hematúria. |
| 3 | Nefropatia Membranosa | < 1% | Síndrome nefrótica. | Rara na infância; sorologias virais negativas (causa secundária comum). |
Não Esqueça: Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) e Trombose de Veia Renal. Pacientes com ascite nefrótica têm altíssimo risco de infecção por germes encapsulados (Pneumococo) e estado de hipercoagulabilidade (perda urinária de antitrombina III). Qualquer dor abdominal súbita, febre ou hematúria macroscópica exige investigação imediata.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem:
Conduta Terapêutica
*Nota de Segurança: Todos os cálculos abaixo utilizam o peso seco estimado de 20 kg para evitar superdosagem medicamentosa.*
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
*⚠️ ALERTA DE HIPOVOLEMIA: Paciente com FC 110 e Albumina 1.2. O uso isolado de diurético pode precipitar choque hipovolêmico e trombose. O protocolo KDIGO exige expansão com Albumina seguida de Furosemida.*
| Medicação | Dose (Peso Seco: 20kg) | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Albumina Humana 20% | 1 g/kg (20 g = 100 mL) | IV | Sem diluição. | Infundir em 2 a 4 horas | Monitorar sinais de edema agudo de pulmão (EAP) ou HAS durante a infusão. |
| 2. Furosemida (Lasix®) | 1 mg/kg (20 mg = 2 mL) | IV | Sem diluição (Ampola 20mg/2mL). | Bolus lento (2 min) | Administrar no meio (após 1h) ou ao final da infusão da Albumina. |
| 3. Albendazol (Zentel®) | 400 mg | VO | Comprimido mastigável ou suspensão 400mg/10mL. | Dose única | Profilaxia para estrongiloidíase disseminada antes do corticoide. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (KDIGO 2021 / EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Síndrome nefrótica idiopática (provável doença de lesões mínimas)
- Glomerulosclerose segmentar focal (GESF)
- Nefropatia membranosa
- Nefrite lúpica