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Síndrome nefrótica idiopática (provável doença de lesões mínimas) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Menino de 5 anos, edema progressivo iniciando em face (periorbital matinal) há 2 semanas, evoluindo para anasarca com ascite e derrame pleural bilateral. Urina espumosa. EAS: proteinúria 4+ (relação proteína/creatinina 12), sem hematúria significativa. Proteínas totais 3.5, albumina 1.2, colesterol total 450, triglicerídeos 380. Cr 0.4, C3 e C4 normais. Sorologias HBV/HCV/HIV negativas. PA 100/60, FC 110, FR 24, T 36.5°C. Peso: 25kg (habitual 20kg).

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Menino de 5 anos com quadro clássico de anasarca (ascite e derrame pleural), proteinúria nefrótica maciça (relação P/C 12), hipoalbuminemia grave (1.2 g/dL) e hiperlipidemia. Função renal preservada, normotenso e sem consumo de complemento. Ganho ponderal de 25% (5kg de retenção hídrica).

Hipótese Diagnóstica Principal

Síndrome Nefrótica Idiopática (Doença por Lesões Mínimas - DLM) — Confiança: 95%

  • Justificativa: Apresentação clássica na faixa etária de pico (2 a 6 anos), com a tríade de proteinúria maciça (> 50 mg/kg/dia ou Relação P/C > 2.0), hipoalbuminemia (< 2.5 g/dL) e edema. A ausência de hipertensão, hematúria macroscópica, função renal normal e complemento (C3/C4) normal corroboram fortemente para DLM, afastando causas nefríticas.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF)10%Síndrome nefrótica pura, anasarca.Mais comum em adolescentes/adultos; costuma ter hematúria microscópica ou HAS associada.
    2Glomerulonefrite Membranoproliferativa (GNMP)< 5%Edema, proteinúria.C3/C4 normais (GNMP consome complemento); ausência de hematúria.
    3Nefropatia Membranosa< 1%Síndrome nefrótica.Rara na infância; sorologias virais negativas (causa secundária comum).
    Não Esqueça: Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) e Trombose de Veia Renal. Pacientes com ascite nefrótica têm altíssimo risco de infecção por germes encapsulados (Pneumococo) e estado de hipercoagulabilidade (perda urinária de antitrombina III). Qualquer dor abdominal súbita, febre ou hematúria macroscópica exige investigação imediata.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Preenche critérios KDIGO para Síndrome Nefrótica na Infância: Edema + Hipoalbuminemia (< 2.5 g/dL) + Proteinúria Nefrótica (Relação P/C > 2.0).
  • *Nota: Biópsia renal NÃO está indicada no momento inicial para esta faixa etária com apresentação típica.*
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • US-POC (POCUS): Avaliar VCI (Veia Cava Inferior) para estimar status volêmico (risco de hipovolemia intravascular apesar da anasarca) e quantificar ascite/derrame pleural.
  • Glicemia capilar: Basal, antes do início da corticoterapia.
  • Laboratoriais:

  • Hemograma Completo: Avaliar hemoconcentração (Ht elevado por depleção intravascular) e leucocitose (infecção oculta).
  • Eletrólitos (Na, K, Ca iônico): Risco de pseudohiponatremia (pela hiperlipidemia) ou hiponatremia real dilucional. Cálcio total estará baixo devido à hipoalbuminemia (necessário Ca iônico).
  • PPD ou IGRA + Sorologia para Varicela: Obrigatórios antes de iniciar imunossupressão prolongada.
  • Imagem:

  • USG de Vias Urinárias e Rins com Doppler: Exame basal. Avaliar tamanho renal e descartar trombose de veia renal.
  • Conduta Terapêutica

    *Nota de Segurança: Todos os cálculos abaixo utilizam o peso seco estimado de 20 kg para evitar superdosagem medicamentosa.*

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Internação: Enfermaria de Pediatria (hipoalbuminemia grave < 1.5 g/dL com anasarca e risco de choque hipovolêmico/trombose).
  • Dieta: Restrição de Sódio estrita (< 1.5 a 2 g/dia). *NÃO* restringir líquidos a menos que o Na+ sérico < 125 mEq/L.
  • Monitorização: Peso diário (mesma balança, mesmo horário), balanço hídrico rigoroso, aferição de PA e FC a cada 4 horas.
  • Acesso Venoso: Evitar punções profundas (risco de trombose). Acesso periférico salinizado.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    *⚠️ ALERTA DE HIPOVOLEMIA: Paciente com FC 110 e Albumina 1.2. O uso isolado de diurético pode precipitar choque hipovolêmico e trombose. O protocolo KDIGO exige expansão com Albumina seguida de Furosemida.*

    MedicaçãoDose (Peso Seco: 20kg)ViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1. Albumina Humana 20%1 g/kg (20 g = 100 mL)IVSem diluição.Infundir em 2 a 4 horasMonitorar sinais de edema agudo de pulmão (EAP) ou HAS durante a infusão.
    2. Furosemida (Lasix®)1 mg/kg (20 mg = 2 mL)IVSem diluição (Ampola 20mg/2mL).Bolus lento (2 min)Administrar no meio (após 1h) ou ao final da infusão da Albumina.
    3. Albendazol (Zentel®)400 mgVOComprimido mastigável ou suspensão 400mg/10mL.Dose únicaProfilaxia para estrongiloidíase disseminada antes do corticoide.

    Estratégia Definitiva

  • Terapia Imunossupressora de 1ª Linha (Protocolo KDIGO):
  • Prednisolona (Prelone®) solução oral 3mg/mL.
  • Dose: 2 mg/kg/dia (Peso 20kg = 40 mg/dia ou 13,3 mL/dia da solução 3mg/mL). *Dose máxima: 60 mg/dia.*
  • Posologia: Dose única matinal, após o café da manhã.
  • Duração: 4 a 6 semanas diárias. Após remissão, iniciar desmame para dias alternados (1,5 mg/kg em dias alternados) por mais 4 a 6 semanas.
  • Suplementação Adjunta:
  • Carbonato de Cálcio + Vitamina D: 500 mg de Ca elementar + 400-800 UI Vit D VO/dia durante a corticoterapia.
  • Omeprazol: 1 mg/kg/dia (20 mg) VO se queixas dispépticas.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso (Remissão): Relação P/C < 0.2 ou EAS com proteinúria negativa/traços por 3 dias consecutivos. Ocorre tipicamente em 2 a 4 semanas. Diurese abundante e perda de peso são os primeiros sinais clínicos de resposta.
  • Sinais de Falha (Corticorresistência): Persistência da proteinúria nefrótica após 4 a 8 semanas de corticoide diário. *Conduta:* Indicação de Biópsia Renal e transição para inibidores de calcineurina (Ciclosporina/Tacrolimus).
  • Tempo de Reavaliação: Diária na enfermaria até controle do edema e estabilidade hemodinâmica.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE INFECÇÃO: A ascite é um meio de cultura ideal. Se o paciente apresentar febre, dor abdominal difusa ou descompressão brusca dolorosa, realizar paracentese diagnóstica imediata e iniciar Cefotaxima 50 mg/kg IV 8/8h empiricamente para cobrir PBE.
  • ⚠️ ALERTA DE TROMBOSE: Estado de hipercoagulabilidade grave. Manter deambulação/mobilização ativa na enfermaria. Contraindicada imobilização prolongada.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Enfermaria de Pediatria.
  • Critérios de Alta: Resolução da anasarca, estabilidade hemodinâmica, tolerância oral ao corticoide e ausência de infecções. Não é necessário aguardar a remissão completa da proteinúria para dar alta, desde que o edema esteja controlado.
  • Especialista: Acionar Nefrologia Pediátrica para acompanhamento ambulatorial e manejo do desmame do corticoide.
  • Vacinação: Contraindicadas vacinas de vírus vivo atenuado (Tríplice Viral, Varicela, Febre Amarela, VOP) durante o uso de corticoide em dose imunossupressora e até 1-3 meses após a suspensão. Vacina Pneumocócica (VPP23) indicada após remissão.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (KDIGO 2021 / EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Síndrome nefrótica idiopática (provável doença de lesões mínimas)

    Diferenciais esperados:
    • Glomerulosclerose segmentar focal (GESF)
    • Nefropatia membranosa
    • Nefrite lúpica

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: