Status epilepticus refratário com rabdomiólise, lesão renal aguda e hipoglicemia — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 36 anos, epiléptico em uso de carbamazepina 800mg/dia, trazido ao PS em crise convulsiva contínua há 25 minutos. Paramédicos administraram diazepam 10mg IV x2 sem resposta. PA 160x100, FC 140, FR controlada por Ambu, SpO2 85%, T 39.2°C, Glasgow 3. Pupilas midriáticas e pouco reativas. Acidose metabólica pH 7.05, lactato 12, CPK 2.800, K+ 6.2, creatinina 2.5. Glicemia 55 mg/dL. Nível sérico de carbamazepina 4 mcg/mL (subterapêutico).
Síntese do Caso
Paciente masculino, 36 anos, epiléptico com má adesão/nível subterapêutico, apresentando Estado de Mal Epiléptico (Status Epilepticus) Refratário há 25 minutos, sem resposta à 1ª linha (Diazepam 20mg). O quadro é agravado e possivelmente perpetuado por hipoglicemia (55 mg/dL). Apresenta complicações sistêmicas graves secundárias à atividade motora contínua e hipoxemia: rabdomiólise (CPK 2.800), lesão renal aguda (Cr 2.5), hipercalemia grave (K+ 6.2), acidose láctica severa (pH 7.05, Lac 12) e falência respiratória (SpO2 85%, Glasgow 3).
Hipótese Diagnóstica Principal
Estado de Mal Epiléptico (Status Epilepticus) Convulsivo Refratário — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Meningoencefalite | 40% | Hipertermia (39.2°C), rebaixamento do nível de consciência, crise convulsiva. | Febre pode ser secundária à extrema atividade muscular e disautonomia do status. |
| 2 | Intoxicação Exógena | 30% | Midríase, taquicardia, hipertermia (toxíndrome simpatomimética). | História prévia de epilepsia com nível sérico baixo do anticonvulsivante explica o quadro. |
| 3 | Traumatismo Cranioencefálico | 20% | Rebaixamento, crise convulsiva. | Sem relato de trauma (embora possa ter ocorrido queda no início da crise). |
Não Esqueça: Status Epilepticus Não Convulsivo (SENC). Após a administração de bloqueadores neuromusculares para intubação, os tremores cessarão, mas a atividade elétrica cerebral epiléptica pode continuar, causando dano neuronal irreversível. O EEG contínuo é obrigatório.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem / Especializados:
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-30 min)
*A prioridade é corrigir a hipoglicemia, proteger o miocárdio da hipercalemia, intubar o paciente e abortar a crise com drogas de 2ª/3ª linha.*
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Glicose 50% | 40 a 50 mL | IV | Direto na veia | Em bolus | Tratar hipoglicemia (gatilho). Associar Tiamina 100mg IV se suspeita de etilismo/desnutrição. |
| Gluconato de Cálcio 10% | 1 ampola (10 mL) | IV | Puro ou em 50mL SF 0,9% | Em 2-3 min | Estabilização miocárdica pelo K+ 6.2. Repetir em 5 min se ECG não normalizar. |
| Propofol (Diprivan®) | 1.5 a 2 mg/kg | IV | Puro | Em bolus | Indutor para IOT. Vantagem: potente ação anticonvulsivante. |
| Rocurônio (Esmeron®) | 1 a 1.2 mg/kg | IV | Puro | Em bolus | Bloqueador neuromuscular para IOT. NÃO USAR SUCCINILCOLINA. |
| Fenitoína (Hidantal®) | 20 mg/kg | IV | Diluir em 250mL SF 0,9% (NÃO usar SG) | Infundir a máx 50 mg/min | 2ª linha para o Status. Monitorar PA e FC (risco de hipotensão e arritmia). |
Estratégia Definitiva (Status Refratário e Complicações)
1. Terceira Linha para Status Epilepticus (Anestesia Contínua):
2. Manejo da Hipercalemia e Rabdomiólise:
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Status epilepticus refratário com rabdomiólise, lesão renal aguda e hipoglicemia
- Encefalite infecciosa
- Intoxicação exógena
- Tumor cerebral com sangramento