Tetralogia de Fallot com crises de hipóxia (tet spells) — indicação de PGE1 e cirurgia precoce — Caso Especialista
Apresentação Clínica
RN feminino de 3 dias de vida, a termo, cianose durante mamada e choro. Sopro sistólico em borda esternal esquerda com B2 hiperfonética e única. Crises de hipóxia (tet spells) ao choro com cianose intensa e agitação. SpO2 72% durante crise, 82% em repouso. Rx de tórax: coração em formato de bota (coeur en sabot) com concavidade do arco pulmonar e hipofluxo pulmonar. Ecocardiograma: comunicação interventricular ampla, cavalgamento da aorta >50%, estenose infundibular e valvar pulmonar importante, hipertrofia do VD. PA 60/35, FC 165, FR 50.
Síntese do Caso
RN a termo, 3 dias de vida, apresentando crises hipercianóticas ("Tet Spells") desencadeadas pelo choro e mamada, associadas a sopro sistólico e B2 única. O quadro clínico, radiológico (coração em *coeur en sabot* e hipofluxo pulmonar) e ecocardiográfico confirmam cardiopatia congênita cianótica com obstrução severa da via de saída do ventrículo direito.
Hipótese Diagnóstica Principal
Tetralogia de Fallot (T4F) com Crises Hipercianóticas Severas — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Embora o diagnóstico já esteja confirmado por ecocardiograma, em um cenário de RN com cianose e sopro, a exclusão inicial (Regra dos "5 Ts") envolve:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Transposição das Grandes Artérias (TGA) | <1% | Cianose neonatal precoce | Rx sem "ovo deitado"; Eco confirmou T4F |
| 2 | Atresia Tricúspide | <1% | Cianose, hipofluxo pulmonar | Eco não mostra atresia; ECG mostraria SVE |
| 3 | Tronco Arterioso | <1% | B2 única, cianose | Rx mostraria hiperfluxo pulmonar |
| 4 | Anomalia de Ebstein | <1% | Cianose, sopro sistólico | Rx mostraria cardiomegalia maciça |
Não Esqueça: Em RNs com T4F que desenvolvem crises graves nos primeiros dias de vida, a dependência do canal arterial é quase certa. O fechamento fisiológico do ducto é o gatilho para a descompensação aguda.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Conduta Terapêutica
O manejo deve ser imediato para quebrar o ciclo de espasmo infundibular, aumentar a resistência vascular sistêmica (RVS) e garantir fluxo pulmonar.
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
Se as medidas físicas não reverterem a crise rapidamente, iniciar terapia farmacológica em *stepwise approach*:
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Morfina (Dimorf®) | 0,05 a 0,1 mg/kg | IV, IM ou SC | Diluir 1 amp (10mg/1mL) em 9mL AD (1mg/mL). Fazer volume correspondente. | Bolus lento | 1ª linha. Reduz o *drive* respiratório, sedação, quebra o ciclo de hiperpneia. |
| 2. Cristalóide (SF 0,9%) | 10 mL/kg | IV | Solução pura | Correr em 10-20 min | Aumenta a pré-carga do VD, melhorando o fluxo pela via de saída. |
| 3. Alprostadil (Prostaglandina E1 / Prostin VR®) | 0,01 a 0,05 mcg/kg/min | IV contínua | Ampola 500mcg/mL. Requer bomba de infusão. | Contínuo | CRÍTICO NESTE CASO. Reabre/mantém o canal arterial pérvio. |
| 4. Bicarbonato de Sódio 8,4% | 1 mEq/kg | IV | Diluir 1:1 com AD (para RN) | Infusão lenta | Apenas se acidose metabólica documentada ou crise refratária. |
*Terapias de Resgate (Crises Refratárias):*
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Tetralogia de Fallot com crises de hipóxia (tet spells) — indicação de PGE1 e cirurgia precoce
- Atresia pulmonar com CIV
- Truncus arteriosus
- Dupla via de saída do VD com estenose pulmonar