Torção ovariana esquerda — Caso Residente
Apresentação Clínica
Mulher de 32 anos, dor aguda em fossa ilíaca esquerda há 6 horas com náuseas e vômitos. Último período menstrual há 18 dias. Beta-HCG negativo. USG transvaginal mostra ovário esquerdo aumentado de volume (6cm) com edema estromal, folículos periféricos deslocados e ausência de fluxo vascular ao Doppler. Ovário direito normal. Líquido livre escasso. PA 110/70, FC 105, FR 20.
Síntese do Caso
Mulher de 32 anos apresentando abdome agudo ginecológico há 6 horas, com dor unilateral severa e sintomas autonômicos (náuseas/vômitos). Taquicardia leve compensatória. O Beta-hCG negativo exclui gravidez ectópica. O USG-TV demonstra achados patognomônicos de isquemia anexial aguda (aumento volumétrico, edema estromal, folículos rechaçados para a periferia e ausência de fluxo ao Doppler).
Hipótese Diagnóstica Principal
Torção Ovariana (Anexial) Esquerda — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Gravidez Ectópica Rota | 0% | Dor pélvica aguda, líquido livre. | Beta-HCG negativo (exclui o diagnóstico). |
| 2 | Cisto Ovariano Hemorrágico Roto | 5% | Dor aguda, líquido livre escasso. | Ausência de fluxo ao Doppler, ovário com edema estromal difuso. |
| 3 | Cólica Nefrética (Ureterolitíase) | 5% | Dor unilateral, náuseas/vômitos. | USG-TV com alteração primária no ovário; ausência de irradiação lombar descrita. |
| 4 | Doença Inflamatória Pélvica (DIP) | 2% | Dor pélvica. | Início agudo (DIP costuma ser subagudo), ausência de febre, Doppler sem hiperemia (DIP cursa com aumento de fluxo). |
Não Esqueça: A presença de fluxo venoso ou arterial ao Doppler NÃO exclui torção ovariana (a torção pode ser intermitente ou oclusão apenas venosa inicial), mas a ausência de fluxo tem altíssimo Valor Preditivo Positivo (VPP) e indica isquemia avançada.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos e Imagem
O diagnóstico já está confirmado pela associação da clínica com o USG-TV com Doppler. Não há necessidade de tomografia ou ressonância, que apenas atrasariam o tratamento definitivo.
Exames Complementares (Pré-operatório Imediato)
Laboratoriais: Coletados no momento da punção do acesso venoso.
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-30 min)
Foco em analgesia multimodal potente e controle antiemético.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1ª Linha (Opioide): Morfina (Dimorf®) | 2 a 4 mg | IV | Diluir 1 amp (10mg/1mL) em 9mL de SF 0,9% (fica 1mg/mL). Fazer 2 a 4 mL. | Bolus lento (2-3 min) | Reavaliar dor em 15 min. Pode repetir dose se necessário. |
| Adjuvante: Dipirona (Novalgina®) | 1 g | IV | Diluir 1 amp (1g/2mL) em 100mL de SF 0,9% | Infusão em 15 min | Efeito sinérgico poupador de opioide. |
| Antiemético: Ondansetrona (Vonau®, Zofran®) | 4 a 8 mg | IV | Ampola 4mg/2mL ou 8mg/4mL. Fazer puro ou diluído em 10mL SF 0,9%. | Bolus lento (2 min) | Previne vômitos induzidos pela dor e pelo opioide. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Torção ovariana esquerda
- Cisto ovariano hemorrágico roto
- Apendicite epiploica
- Endometrioma roto