Trabalho de parto prematuro — Caso Residente
Apresentação Clínica
Primigesta 24 anos, IG 30 semanas, dá entrada com contrações regulares 3/10min, duração 40s, há 4 horas. PA 118x75 mmHg, FC 88bpm, T 36,6°C. Toque: colo apagado 80%, 3cm dilatação, bolsa íntegra, apresentação cefálica alta. BCF 142bpm. Fibronectina fetal positiva. Comprimento cervical por USG TV: 15mm. Urocultura prévia com E. coli >100.000 UFC/mL tratada há 2 semanas. Solicita protocolo de tocólise, corticoterapia e neuroproteção fetal.
Síntese do Caso
Primigesta, 24 anos, IG 30 semanas, apresentando Trabalho de Parto Prematuro (TPP) ativo (contrações regulares, colo 3cm e 80% apagado, USG 15mm, fibronectina +). Hemodinâmica materna e vitalidade fetal preservadas. Antecedente de ITU recente, sugerindo possível gatilho infeccioso não resolvido.
Hipótese Diagnóstica Principal
Trabalho de Parto Prematuro (TPP) — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | ITU recorrente / mal tratada | 80% | Antecedente de *E. coli* há 2 semanas; é o principal gatilho de TPP. | Ausência de queixas urinárias descritas no momento, afebril. |
| 2 | Corioamnionite subclínica | 30% | TPP idiopático, ITU prévia. | Afebril, BCF normal (sem taquicardia fetal), bolsa íntegra. |
| 3 | Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) | 5% | Pode cursar com contrações e desencadear TPP. | Ausência de sangramento vaginal escuro, ausência de hipertonia uterina. |
Não Esqueça: A infecção do trato urinário (ITU) é a principal causa evitável de TPP. A urocultura prévia exige reavaliação imediata, pois a bactéria pode ter desenvolvido resistência ou o tratamento de 2 semanas atrás pode ter sido insuficiente.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito): Cardiotocografia (CTG) para avaliar padrão exato de contrações e bem-estar fetal; USG obstétrico (estimativa de peso fetal, ILA, apresentação).
Laboratoriais: *Pedido gerado no sistema.* Inclui Hemograma Completo, PCR, Urina Tipo I (EAS), Urocultura com antibiograma e Pesquisa de *Streptococcus agalactiae* (GBS) via Swab vaginal e retal.
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
*Objetivo: Inibir contrações por 48h para permitir a ação do corticoide e transporte intraútero, se necessário.*
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Nifedipino (Adalat®) | Ataque: 20mg. Manutenção: 10-20mg a cada 6-8h | VO | Comprimido (não mastigar/furar) | Iniciar T0, manter por 48h | 1ª linha para tocólise. Monitorar PA (risco de hipotensão). |
| 2. Betametasona (Celestone®) | 12mg a cada 24h (Total: 2 doses) | IM | Ampola 4mg/mL (aplicar 3 ampolas juntas) | Iniciar T0 | Corticoterapia para maturação pulmonar. Alternativa: Dexametasona 6mg IM 12/12h (4 doses). |
| 3. Sulfato de Magnésio 20% | Ataque: 4g. Manutenção: 1-2g/h | IV | Ataque: 2 amp (20mL) + 80mL SF 0,9%. Manut: 5 amp (50mL) + 450mL SF 0,9% (10-20mL/h) | Infundir ataque em 20-30 min | Neuroproteção fetal (IG < 32 sem). Manter até o parto ou por 24h. |
| 4. Penicilina G Cristalina | Ataque: 5 milhões UI. Manutenção: 2,5 milhões UI a cada 4h | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | Infundir em 30 min, manter até o parto | Profilaxia para GBS (status desconhecido em TPP). Alternativa: Ampicilina 2g IV ataque + 1g IV 4/4h. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - FEBRASGO/ACOG) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Trabalho de parto prematuro
- Infecção urinária recorrente desencadeando contrações
- Incompetência istmocervical
- Corioamnionite subclínica