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Trauma abdominal penetrante por FAF com lesão renal grau IV, hepática e colônica — indicação de laparotomia exploradora — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem 24 anos, FAF em flanco direito, orifício de entrada em flanco direito sem orifício de saída. Glasgow 15. PA 100x70 mmHg, FC 115bpm, FR 22irpm, SpO2 97%, T 36,5°C. Abdome: defesa involuntária difusa, Blumberg positivo, ruídos hidroaéreos ausentes. FAST: líquido livre em Morrison e pelve. Hematúria macroscópica na sondagem vesical. TC abdome (paciente estabilizado): trajeto do projétil atravessa rim direito (laceração grau IV com extravasamento de contraste), laceração hepática segmento VI grau II, e possível lesão de cólon ascendente. Pneumorretroperitônio presente. Hb 9,0 g/dL, Cr 1,0 mg/dL.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer 1 flag(s)

Síntese do Caso

Homem, 24 anos, vítima de ferimento por arma de fogo (FAF) em flanco direito, apresentando choque hemorrágico Classe II/III compensado (FC 115, PA 100x70) e sinais francos de peritonite (defesa, Blumberg positivo). FAST positivo. TC de abdome evidencia lesão renal direita grau IV com sangramento ativo/fístula (extravasamento de contraste), lesão hepática grau II, pneumorretroperitônio e suspeita de lesão colônica. Hematúria macroscópica presente.

Hipótese Diagnóstica Principal

Trauma Abdominal Penetrante com Lesão de Víscera Oca e Maciça — Confiança: 100%

  • Justificativa: O quadro clínico de peritonite associado ao pneumorretroperitônio na TC confirma a perfuração de víscera oca (provável cólon ascendente ou duodeno). O extravasamento de contraste no rim direito grau IV indica sangramento arterial ativo ou fístula urinária de alto débito. A taquicardia e a queda de hemoglobina (Hb 9,0) refletem a espoliação volêmica aguda.
  • Protocolo de Referência: [Ver Protocolo: ATLS 11ª Edição](protocol:atls-protocols)
  • Diagnósticos Diferenciais (Lesões Associadas a Descartar)

    Neste cenário, o diagnóstico principal está estabelecido. O foco do "Rule Out" (exclusão) recai sobre lesões associadas críticas no trajeto do projétil que podem ser fatais se passarem despercebidas na cirurgia:

    #Diagnóstico / Lesão AssociadaConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Lesão Duodenal80%FAF em flanco direito, pneumorretroperitônioAusência de líquido periduodenal claro na TC
    2Lesão de VCI / Vasos Renais60%Trajeto transfixante renal direito, FAST pélvico +Estabilidade hemodinâmica limítrofe (não chocou de vez)
    3Lesão Ureteral Direita50%Hematúria macroscópica, lesão renal grau IVExtravasamento restrito ao parênquima na TC
    Não Esqueça: O pneumorretroperitônio à direita exige obrigatoriamente a realização da Manobra de Kocher (mobilização duodenal) durante a cirurgia para descartar lesão de 2ª e 3ª porções do duodeno e cabeça do pâncreas.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Indicação Cirúrgica Absoluta: FAF penetrante + Peritonite difusa. (Nota: A rigor, a peritonite já indicava laparotomia imediata, mas a TC realizada fornece o roteiro cirúrgico).
  • Exames Complementares (Imediatos)

  • Laboratoriais: Tipagem sanguínea e Prova Cruzada (urgência máxima), Gasometria arterial com lactato (avaliar déficit de base/perfusão), Coagulograma completo, Fibrinogênio, Cálcio iônico.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV e Acesso: Monitorização contínua. Garantir 2 acessos venosos periféricos calibrosos (14G ou 16G).
  • Ressuscitação Hemostática: Acionar Protocolo de Transfusão Maciça (PTM) em *standby*. Se PA cair, iniciar transfusão com concentrado de hemácias O- (ou tipagem específica) e plasma (relação 1:1:1). Evitar cristaloides em excesso.
  • Prevenção de Hipotermia: Manta térmica, fluidos aquecidos.
  • Sondas: Manter sonda vesical de demora (já passada) para controle de débito; passar Sonda Nasogástrica (SNG) para descompressão gástrica e redução de risco broncoaspirativo na intubação.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    *Administrar ainda na Sala de Emergência ou na indução anestésica:*

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Ácido Tranexâmico (Transamin®)1gIVDiluir em 100mL SF 0,9%Infundir em 10 minFazer se < 3h do trauma. Seguir com 1g IV em 8h.
    Ceftriaxona2gIVDiluir em 100mL SF 0,9%Infundir em 30 minProfilaxia cirúrgica (cobertura Gram -).
    Metronidazol500mgIVBolsa pronta (100mL)Infundir em 30 minProfilaxia cirúrgica (cobertura Anaeróbios).
    Vacina Antitetânica (dT)0,5mLIMAmpola prontaBolusSe esquema vacinal incerto/desatualizado.

    Estratégia Definitiva

  • Procedimento: Laparotomia Exploradora de Urgência.
  • Critérios de Indicação: Peritonite, pneumorretroperitônio, extravasamento ativo de contraste no rim.
  • Passos Críticos no Centro Cirúrgico:
  • 1. Controle de Danos (Damage Control) vs. Cirurgia Definitiva: Dependerá da fisiologia do paciente na mesa (presença da Tríade Letal: hipotermia, acidose, coagulopatia).

    2. Fígado (Grau II): Geralmente não operatório. Se sangramento ativo, compressão (packing) ou eletrocautério.

    3. Rim Direito (Grau IV com extravasamento): Exploração do retroperitônio. Tentar nefrorrafia ou *packing*. Se destruição do hilo, sangramento incontrolável ou paciente instável $\rightarrow$ Nefrectomia Direita (garantir que o rim esquerdo é funcionante pela TC prévia).

    4. Cólon Ascendente: Se lesão destrutiva ou paciente instável $\rightarrow$ Ressecção e Ileostomia/Colostomia. Se lesão puntiforme e paciente estável $\rightarrow$ Reparo primário.

    5. Duodeno: Manobra de Kocher obrigatória.

    Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: Controle do sangramento (hemostasia cirúrgica), estabilização da PA média > 65 mmHg, *clearance* de lactato, débito urinário > 0,5 mL/kg/h.
  • Sinais de Falha/Piora: Sangramento difuso em lençol (coagulopatia induzida pelo trauma), rebaixamento térmico (< 35°C), pH < 7.20.
  • Escalonamento: Se Tríade Letal instalada $\rightarrow$ abreviar cirurgia, empacotar abdome (Damage Control), fechamento temporário (bolsa de Bogotá/Terapia a vácuo) e transferir para UTI.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: O paciente está compensado no momento, mas possui sangramento ativo (extravasamento na TC) e contaminação fecal em curso. A transição para choque descompensado pode ser súbita. Transferência imediata para o Centro Cirúrgico.
  • ⚠️ ALERTA CIRÚRGICO: Não abrir o hematoma retroperitoneal (Zona II) rotineiramente em traumas contusos, MAS em trauma penetrante (como este FAF), a exploração do trajeto renal/ureteral é obrigatória.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Centro Cirúrgico (Imediato) $\rightarrow$ UTI Pós-operatória.
  • Especialista: Acionar Cirurgia Geral/Trauma imediatamente. Urologia de sobreaviso (se disponível na instituição, para auxílio na abordagem renal, embora o cirurgião de trauma esteja habilitado para a nefrectomia de urgência).
  • Reavaliação: Monitorização invasiva (PAI) e gasometrias seriadas a cada 2-4h na UTI pós-operatória.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Trauma abdominal penetrante por FAF com lesão renal grau IV, hepática e colônica — indicação de laparotomia exploradora

    Diferenciais esperados:
    • Lesão de veia cava inferior
    • Lesão de duodeno
    • Lesão de ureter direito

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: