Trauma cervical penetrante zona II com lesão vascular carotídea e aerodigestiva combinada — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Homem 29 anos, vítima de FAB em zona II do pescoço (lateral esquerdo), ferida de 6cm com sangramento arterial pulsátil controlado por compressão direta. Glasgow 14, disfonia, enfisema subcutâneo cervical palpável. PA 100x65 mmHg, FC 118bpm, FR 22irpm, SpO2 94%. Hematoma cervical expansivo. Estridor respiratório. Assimetria de pulso carotídeo. Via aérea potencialmente difícil. AngioTC: lesão de artéria carótida interna esquerda com pseudoaneurisma, transecção parcial de hipofaringe, ar em espaço pré-vertebral. Solicita manejo de via aérea e priorização cirúrgica.
Este é um cenário de emergência cirúrgica imediata (Trauma Cervical Penetrante Zona II com "Hard Signs" - sinais indicativos de lesão vascular e aerodigestiva). A presença de estridor, hematoma expansivo e enfisema subcutâneo indica perda iminente da via aérea e risco de exsanguinação.
Abaixo, o protocolo de manejo sequencial baseado nas diretrizes do ATLS (11ª Ed) e *Difficult Airway Society* (DAS).
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Manejo da Via Aérea (Estratégia Definitiva)
O paciente apresenta uma Via Aérea Fisiológica e Anatomicamente Difícil. A estratégia mandatória é o Duplo Setup (Anestesista/Emergencista na cabeceira + Cirurgião paramentado com bisturi na mão para acesso cirúrgico cervical).
Plano A: Intubação em Sequência Rápida (ISR) com Videolaringoscopia
Plano B (Resgate): Via Aérea Cirúrgica
Medicações Iniciais (ISR e Ressuscitação)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Cetamina (Ketamin) | 1 a 2 mg/kg | IV | Ampola 50mg/mL. Aspirar direto. | T0 (Indução) | Droga de escolha. Mantém drive respiratório e tônus simpático (ideal no choque). |
| Rocurônio (Esmeron) | 1,2 mg/kg | IV | Ampola 50mg/5mL. Aspirar direto. | T0 (Bloqueio) | Dose de ISR. Evitar Succinilcolina (fasciculações podem deslocar coágulos do pseudoaneurisma). |
| Ácido Tranexâmico (Transamin) | 1g | IV | Diluir 4 ampolas (250mg/5mL) em 100mL SF 0,9% | Em 10 min | Fazer se lesão < 3h. Seguir com 1g em infusão contínua por 8h. |
| Ceftriaxona (Rocefin) | 2g | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | T0 | Profilaxia para violação aerodigestiva. |
| Metronidazol (Flagyl) | 500mg | IV | Bolsa pronta 500mg/100mL | T0 | Cobertura para anaeróbios da orofaringe. |
Priorização e Tática Cirúrgica
Com a via aérea garantida, a exploração cirúrgica segue a regra de controle de danos e preservação neurológica.
1. Acesso Cirúrgico
2. Controle Vascular (Prioridade 1)
3. Reparo Aerodigestivo (Prioridade 2)
4. Drenagem e Fechamento
Avaliação de Resposta e Disposição
⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: O tempo de isquemia quente da carótida interna dita o prognóstico neurológico. O controle vascular e a restauração do fluxo (mesmo que por shunt) devem ser obtidos o mais rápido possível após a garantia da via aérea.
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Trauma cervical penetrante zona II com lesão vascular carotídea e aerodigestiva combinada
- Lesão isolada de carótida
- Lesão de jugular interna
- Lesão de nervo laríngeo recorrente
- Lesão esofágica cervical