Trombose venosa profunda ileofemoral maciça (phlegmasia cerulea dolens) com risco de gangrena venosa — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 55 anos, DM2, HAS, obeso (IMC 38), SAOS em CPAP, dá entrada no PS com dor intensa em MIE, edema e cianose de todo membro há 1 dia, progredindo para dor abdominal em FIE. PA 140x90, FC 105, FR 22, SpO2 94%, T 37.5°C, Glasgow 15. MIE com edema tenso, cianose, dor à dorsiflexão (Homans +), circunferência MIE 8cm maior que MID. USG Doppler mostra trombose extensa de veia ilíaca externa, femoral comum e femoral superficial à esquerda. D-dímero 12.000. Plaquetas 160.000. Creatinina 1.0.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 55 anos, obeso e com múltiplas comorbidades (DM2, HAS, SAOS), apresentando quadro agudo de dor intensa, edema tenso e cianose em membro inferior esquerdo há 24h, com progressão da dor para fossa ilíaca esquerda. Sinais vitais mostram taquicardia (FC 105) e taquipneia leve (FR 22). USG Doppler confirma TVP proximal extensa (ilíaco-femoral). Trata-se de uma emergência vascular com risco iminente de perda do membro e alto risco de embolização pulmonar.
Hipótese Diagnóstica Principal
Flegmasia Cerulea Dolens (TVP Iliofemoral Extensa com Isquemia Venosa) — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Tromboembolismo Pulmonar (TEP) | 70% | Taquicardia (105), taquipneia (22), TVP proximal extensa confirmada, D-dímero > 10.000. | SpO2 mantida em 94%, ausência de queixa de dispneia franca ou dor pleurítica relatada. |
| 2 | Síndrome Compartimental | 60% | Edema tenso, dor intensa no membro, risco inerente à Flegmasia. | Requer mensuração de pressão intracompartimental; cianose aponta mais para a oclusão venosa global. |
| 3 | Oclusão Arterial Aguda | 10% | Dor intensa de início súbito. | Membro cianótico e edemaciado (na oclusão arterial pura o membro é pálido, frio e sem edema). Doppler já confirmou TVP. |
Não Esqueça: A Síndrome de May-Thurner deve ser ativamente investigada neste paciente, pois altera a estratégia terapêutica definitiva (necessidade de stent venoso ilíaco).
Confirmação Diagnóstica
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Imagem (Pedido Gerado via TUSS):
Laboratoriais:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-30 min)
*Nota: Devido à alta probabilidade de intervenção cirúrgica/endovascular nas próximas horas, a Heparina Não Fracionada (HNF) IV é a droga de escolha pela sua meia-vida curta e facilidade de reversão com Protamina, em detrimento da HBPM (Enoxaparina).*
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Morfina (Dimorf®) | 2 a 4 mg | IV | Diluir 1 amp (10mg/1mL) em 9mL de SF 0,9% (1mg/mL). Fazer 2 a 4 mL. | Imediato | Titular a cada 10-15 min até controle da dor. |
| Heparina Não Fracionada (HNF) | Bolus: 80 UI/kg | IV | Direto na via (sem diluição). | Imediato | *Dose máxima de bolus: 10.000 UI.* |
| Heparina Não Fracionada (HNF) | Manutenção: 18 UI/kg/h | IV | Diluir 25.000 UI (5mL) em 245mL de SG 5% (Concentração: 100 UI/mL). | Contínuo | Em BIC. *Dose máxima inicial: 2.000 UI/h.* |
Estratégia Definitiva
A Flegmasia Cerulea Dolens é uma emergência que frequentemente não responde apenas à anticoagulação sistêmica. O risco de gangrena venosa e amputação é altíssimo.
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Trombose venosa profunda ileofemoral maciça (phlegmasia cerulea dolens) com risco de gangrena venosa
- Síndrome compartimental
- Oclusão arterial aguda
- Celulite/erisipela extensa