Tumor de Wilms (nefroblastoma) — estádio I ou II — Caso Residente
Apresentação Clínica
Menino de 3 anos, mãe notou massa abdominal palpável em flanco esquerdo ao banho. Hematúria macroscópica intermitente há 2 semanas. Assintomático de resto. Exame: massa firme, lisa, que não ultrapassa a linha média, em flanco esquerdo. PA 130/85 (acima do p99 — HAS). USG e TC de abdome: massa renal sólida heterogênea de 8cm no rim esquerdo, deslocando estruturas adjacentes, sem invasão de veia renal. Pulmões limpos na TC de tórax. Hb 11.5, plaquetas 550.000, DHL 350. FR 24, FC 120, T 36.5°C.
Síntese do Caso
Menino de 3 anos apresentando massa abdominal palpável em flanco esquerdo (não ultrapassa a linha média), hematúria macroscópica e hipertensão arterial sistêmica (HAS > p99). Imagem confirma massa renal sólida de 8cm à esquerda, sem invasão vascular ou metástases pulmonares evidentes.
Hipótese Diagnóstica Principal
Tumor de Wilms (Nefroblastoma) à esquerda — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Neuroblastoma | 15% | Idade, massa abdominal, HAS (catecolaminas). | Massa não ultrapassa a linha média; ausência de calcificações na TC; bom estado geral. |
| 2 | Sarcoma de Células Claras | 5% | Massa renal sólida na infância. | Extremamente agressivo, costuma apresentar metástases ósseas precoces. |
| 3 | Tumor Rabdoide do Rim | 5% | Massa renal sólida. | Mais comum em lactentes (< 1 ano); frequentemente associado a tumores do SNC. |
| 4 | Doença Renal Policística | <1% | Massa em flanco, HAS, hematúria. | TC mostra massa sólida heterogênea, não cística. |
Não Esqueça: Ruptura Tumoral. O Tumor de Wilms é extremamente friável. A palpação excessiva pode causar ruptura da cápsula, espalhando células malignas na cavidade peritoneal, o que altera o estadiamento imediatamente para Estádio III, exigindo radioterapia abdominal total e piorando o prognóstico.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
O diagnóstico definitivo é histopatológico (pós-nefrectomia ou biópsia), mas a conduta inicial é guiada pela clínica e imagem.
Exames Complementares
*Pedido de exames gerado no sistema (TUSS).*
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Controle Pressórico)
A HAS neste caso é reninodependente. O controle é mandatório para evitar encefalopatia hipertensiva, mas inibidores da ECA (IECA) devem ser usados com extrema cautela até garantir a função perfeita do rim contralateral. Bloqueadores de Canal de Cálcio (BCC) são a 1ª linha de segurança.
| Medicação | Dose Pediátrica | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Anlodipino (Amlodipina®) | 0,1 a 0,2 mg/kg/dose 1x/dia | VO | Comprimidos 2,5mg, 5mg, 10mg. (Pode ser manipulado em suspensão) | Imediato | 1ª Linha. Dose máxima: 10 mg/dia. |
| Enalapril (Enalapril®) | 0,08 mg/kg/dose 1x/dia | VO | Comprimidos 5mg, 10mg, 20mg. | Alternativa | 2ª Linha. Usar apenas se função renal normal e rim contralateral perfeito. |
Estratégia Definitiva
A abordagem depende do protocolo adotado pelo centro oncológico de referência:
1. Protocolo COG (Children's Oncology Group - EUA/Brasil):
2. Protocolo SIOP (Europa/Alguns centros BR):
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Tumor de Wilms (nefroblastoma) — estádio I ou II
- Neuroblastoma
- Nefroma mesoblástico
- Rim policístico