Úlcera duodenal por H. pylori com sangramento crônico e anemia ferropriva — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 45 anos, tabagista 20 maços-ano, procura enfermaria com dor epigástrica tipo queimação há 6 meses, piora com jejum e melhora parcial com alimentação, despertar noturno por dor, pirose retroesternal e regurgitação ácida. Perdeu 4kg. Uso frequente de omeprazol por conta própria (intermitente). PA 125x80, FC 75, FR 16, SpO2 99%, T 36.5°C, Glasgow 15. Abdome com dor à palpação profunda em epigástrio. Labs: Hb 11.5, VCM 80, ferritina 25, pesquisa de sangue oculto positiva. EDA: úlcera duodenal de 1.5cm com sinais de sangramento recente (Forrest IIc), teste de urease positivo.
Síntese do Caso
Homem de 45 anos, tabagista, apresentando dispepsia crônica com ritmo doloroso clássico (dói-come-passa), associada a sinais de alarme (perda ponderal de 4kg, anemia ferropriva leve e pesquisa de sangue oculto positiva). Hemodinamicamente estável. A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) confirmou o diagnóstico de úlcera duodenal com estigmas de sangramento recente de baixo risco (Forrest IIc) e infecção por *Helicobacter pylori*.
Hipótese Diagnóstica Principal
Doença Ulcerosa Péptica (Úlcera Duodenal) + Infecção por *H. pylori* + Anemia Ferropriva — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Como o diagnóstico anatômico e etiológico já está estabelecido pela EDA, os diferenciais focam em comorbidades associadas ou causas de refratariedade:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | DRGE Concomitante | 80% | Pirose retroesternal, regurgitação ácida. | EDA não descreve esofagite (embora DRGE não erosiva seja possível). |
| 2 | Síndrome de Zollinger-Ellison | 5% | Úlcera duodenal, refratariedade ao uso intermitente de IBP. | Presença de *H. pylori* explica o quadro; ausência de úlceras múltiplas ou em locais atípicos. |
| 3 | Malignidade (Câncer Gástrico) | <1% | Perda de peso, anemia, idade > 40 anos. | EDA descartou lesões gástricas suspeitas. Úlceras duodenais são quase invariavelmente benignas. |
Não Esqueça: O tabagismo (20 maços-ano) é um fator de risco independente para falha na cicatrização da úlcera e falha na erradicação do *H. pylori*. A cessação é mandatória.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
O foco inicial é a supressão ácida para estabilizar o coágulo/fundo hematínico, seguida do tratamento etiológico.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Pantoprazol (Pantocal®) ou Omeprazol (Losec®) | 40mg 12/12h | VO | Comprimido/Cápsula intacta | Imediato | Dose dobrada inicial para otimizar pH gástrico (>6) e estabilizar a lesão (Forrest IIc não exige IBP IV contínuo). |
Estratégia Definitiva
A estratégia definitiva consiste na **Erradicação do *H. pylori*** e reposição dos estoques de ferro.
1. Terapia de Erradicação do *H. pylori* (Esquema Tríplice de 1ª Linha - Consenso Brasileiro):
2. Tratamento da Anemia Ferropriva:
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), incluindo o Consenso Brasileiro de H. pylori e guidelines do ACG/ESGE para HDA não varicosa, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Úlcera duodenal por H. pylori com sangramento crônico e anemia ferropriva
- Úlcera gástrica maligna
- DRGE erosiva
- Gastrite erosiva por AINEs